Autor

M. Constantino

 

Data

2 de Outubro de 2026

 

Secção

Página Policial [1]

 

Publicação

Correio do Ribatejo

 

 

LADRÃO QUE ROUBA LADRÃO

M. Constantino

 

Tenho na minha frente os três suspeitos do roubo na Ourivesaria Universal cujo proprietário é perito e negociante de diamantes raros, consequentemente, de valores elevados. Tudo averiguado, visto, revisto e ponderado, não restam dúvidas de que os larápios, também eles especialistas em diamantes, haviam combinado e concretizado o roubo. Será supérfluo qualquer relato. Artur Manhoso, Benjamim Levezinho, e Tomás Ligeiro são os seus nomes, talvez falsos, mas em todo o caso nomes. Dúvidas sobre a participação comum no roubo não existiam; daí a sua prisão, ainda que preventiva, para cumprir a lei. O caso complica-se por existir, entre eles, um ladrão de ladrões. Explico: o que ficara com a missão de guardar o fruto da gatunice achou mais fácil ou útil ficar com tudo. Qual deles? Dois foram sócios em vários negócios; o terceiro, de compleição atlética, cabelos negros, brilhantina a rodos, dedicava-se a um dos seus talentos – motorista de famílias ricas… nas horas vagas, é claro! E fora este que Artur convidara em primeiro lugar para o golpe. Benjamim e o ladrão eram louros naturais.

Estas as conclusões a que cheguei para apurar quem era o ladrão. Não ia dar “cem anos de perdão”, como diz o provérbio, lá isso não, porque ladrão de ladrão é duas vezes ladrão.

 

Caro leitor, ponha as “cinzentas” a funcionar e resolva, e, porque é fácil, cremos que resolverá o enigma.

 

SOLUÇÃO

© DANIEL FALCÃO