Autores Data 2 de Fevereiro de 1996 Secção O Detective
- Zona A-Team [258] Competição Problema nº 10 | Convívio de Cacilhas Publicação Jornal de Almada |
Solução de: UMA INVESTIGAÇÃO DE ROTINA Med Vet a)
Foi crime e não acidente porque: 1
– se eventualmente se tivesse sentido mal e caído
pela porta da carruagem, cairia do lado de dentro da curva, com o balanço do
comboio e não numa recta; 2
– se por acaso tivesse caído do comboio, não ficaria
no alto da colina, mas sim no fundo; devido ao impulso rebolaria por aí
abaixo; 3
– o corpo apresenta-se de bruços e tem um golpe no parietal;
se tivesse caído de bruços; batia com o frontal e não com o parietal; é pouco
crível que se tivesse voltado depois de embater com a cabeça, embora possível.
Se tivesse caído de costas, faria um golpe no parietal ou temporal; além
disso, não há marcas de sangue nas pedras; 4
– a vítima não tinha um bilhete do comboio; embora
seja possível que tivesse entrado para a carruagem sem ele, já não é crível
que o tivesse perdido. Conclusão:
Pedro Sousa não podia ter caído do comboio. b)
A única pessoa que podia ter morto a vítima é Fernando Alves. Mentiu quando
disse ter visto o primo entrar no comboio (só ele o diz, o empregado da
estação não se lembra de os ter visto lá – porque não estiveram). Tinha um
motivo – herdaria toda a fortuna do tio; apesar do que ele diz, a sua
situação financeira estava pior do que admite. Além disso, esteve quase
sempre junto do tio, ao passo que o primo esteve imenso tempo longe – podia considerar-se
com mais direitos que este à herança. João
Costa, apesar de ter velhas contas a ajustar é muito franzino para carregar o
corpo para aquele sítio; além disso, se o tivesse morto no caminho para a
estação, teria que contar com o Alves, como testemunha – e este é um homem
possante. A mesma objecção se põe quanto à antiga
namorada e ao noivo. Admitindo que a mulher do Fernando pudesse ser culpada,
a sua fraqueza ilibá-la-ia. É óbvio que o Sousa não foi morto no sítio onde o
encontraram – prova-o o facto de não haver uma pedra ou algo semelhante com
vestígios de sangue e cabelos (pois a vítima não era careca, embora não
esteja no enunciado) e o facto de aquele sítio não estar no caminho para a estação… c)
O crime foi cometido por volta das 7.10/7.15, logo após saírem de casa, na
estrada calcetada. O Fernando deixou-se ficar ligeiramente para trás e
atingiu o primo na cabeça, do lado direito, pois é dextro;
aproveitou o facto de o primo não desconfiar dele. Depois, carregou-o para o local
que tinha previamente escolhido (o crime foi premeditado, assim que soube que
o primo estava vivo), depositando-o aí depois da passagem do comboio em que o
primo deveria ter seguido. Contou com a confusão das horas de ponta, caso na
estação não se lembrassem dele e/ou do primo. Demorando cerca de vinte
minutos para isto, mais dez para voltar a casa, estaria de regresso às 19.45…
Ninguém o viu porque é a hora do jantar, está tudo em casa e porque, daquele
lado, só a quinta do tio existe. Se tivesse prestado um pouco mais de atenção
aos pormenores, poderia estar impune, gabando-se de ter cometido o crime
perfeito! Quanto à «arma do crime» poderia ser uma pedra suficientemente
pesada, já disposta à mão e depois abandonada bem longe, convenientemente
limpa do sangue e esquírolas, pois embora a zona atingida não seja muito
irrigada há sempre uma certa hemorragia – que seria suficiente para manchar
uma pedra. De
notar ainda que a «arma» poderia ter sido lavada pela chuva bem como o local
mas não se faz referência a isso (a vítima tinha as roupas secas e tudo), além
de em Junho é raro chover – por isso a vítima foi morta noutro sítio, uma vez
que as manchas de sangue não poderiam desaparecer deste modo. |
© DANIEL FALCÃO |
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