Autor

Mr. Jartur

 

Data

Janeiro-Fevereiro de 1983

 

Secção

Velharias Policiárias [8]

 

Competição

Velharias Policiárias

Problema nº 4

 

Publicação

XYZ-Magazine [27]

 

 

Solução de:

O MISTÉRIO DO TRIDENTE FATAL

Mr. Jartur

Solução apresentada por Mabuse

a) – O criminoso foi a Maria José.

b) – Há vários pormenores que a incriminam:

1 – Diz que ouviu uma detonação, quando se sabe que as espingardas de caça submarina não fazem barulho, visto não serem accionadas por carga explosiva.

2 – Como poderia ver o noivo do mar, se a barraca estava encoberta por uma duna. Tal também era impossível.

3 – O arpão estava encurvado, o que torna logo impossível ter sido disparado por uma arma… A curva foi devido a força manual.

4 – Se a areia era fina e alourada, a rapariga deveria ter o corpo cheio de areia, uma vez que viera de dentro de água, e todos sabemos que quando se chega à areia seca, esta pega-se ao corpo. Ora ela estava com a pele limpa e sedosa, o que é um pormenor importante.

5 – Diz que não tinha entrado na barraca depois de vir do mar. Contudo dentro desta estava uma touca de natação ainda húmida, que ela enfiou na saca, quando foi ver se faltava alguma coisa dentro da barraca. Ora se ela quando chamou os detectives não tinha nada nas mãos nem a touca na cabeça, e à volta do corpo também nada estava, era porque Maria José já metera a touca dentro da tenda.

6 – Para ter estado agarrada ao corpo, era natural que no fato-de-banho ou na pele da moça houve vestígios de sangue.

Perante estes factos não é difícil chegar à conclusão sobre a culpabilidade de Maria José, até porque o João da Laura tem um alibi que certamente poderá ser comprovado por alguém que o tenha visto.

c) – As coisas passaram-se, mais ou menos, assim:

A rapariga andava a nadar quando encontrou o peixe morto com o arpão espetado. Tirou o arpão, e trouxe-o para terra, segurando-lhe com a touca para não deixar impressões digitais…

Chegada junto do noivo que continuava embrenhado na leitura, arremessou o objecto e cravou-o na nuca deste, dando-lhe morte imediata. Entrou então na barraca e inadvertidamente deixou aí a touca. Nessa altura ouviu o ruído do motor do carro dos detectives e foi quando correu para a estrada a pedir socorro.

© DANIEL FALCÃO