Autor

Nove

 

Data

Maio de 2012

 

Competição

1ª Rapidinha Policiária

Rapidinha nº 1

 

Publicação

Edições Fora da Lei (TPL)

 

 

Solução de:

CRIME NA CASA AMARELA

Nove

 

As hipóteses de acidente ou de suicídio têm de ser postas de lado por duas razões de peso:

–  O coronel Ferraz foi atingido na nuca e com um tiro desferido a uma distância compreendida entre 0,5m e 1,0m. Ora não é de esperar que alguém se mate com um tiro na parte de trás da cabeça e com a arma a mais de meio metro de distância. Também não se compreenderia um acidente devido ao manuseamento de uma arma de fogo que a vítima estivesse a segurar atrás da cabeça e a mais de meio metro de distância.

– A arma fatal não se encontrava no local onde o coronel Ferraz foi atingido, ao contrário do que aconteceria em caso de suicídio ou acidente devido ao manuseamento da arma. (Dir-se-á que alguém poderia ter retirado o instrumento de morte por não estar interessado em que o falecimento do coronel fosse dado como consequência de suicídio. No presente caso, todavia, não temos razões para aventar tal hipótese nem a tese do suicídio poderia prevalecer face ao facto do tiro ter sido dado na nuca e a uma distância superior a meio metro).

A hora da morte do coronel Ferraz ocorreu, segundo a estimativa do médico legista, entre as 7h45 e as 8h15.

Neste período de tempo a empregada esteve, conforme se comprovou, no posto médico. Ela, portanto não é suspeita.

O sobrinho João, embora sem um álibi perfeito, nada disse que o pudesse comprometer.

Já o sobrinho Carlos tentou, sem dúvida, enganar a polícia, ao declarar que ouvira o barulho de um tiro, vindo da vivenda, quando se encontrava perto da linha de comboio, no momento em que estava a passar o rápido das 8h10. Com efeito, como poderia ele ter dado conta do tiro a cerca de cem metros da moradia e quando estava sujeito ao elevado ruído que o comboio produzia perto de si? Claro que não lhe era possível ouvir o som do tiro nessas condições. Além disso, o disparo ocorreu dentro de casa e numa divisão virada para a frente.

Portanto, é lícito concluir que Carlos, muito provavelmente, matou o coronel Ferraz.

Pode-o ter feito quando o tio ficou sozinho, imediatamente depois de João sair.

© DANIEL FALCÃO