Autor Data 10 de Agosto de 2025 Secção O Desafio dos Enigmas [215] Competição Problema nº 2 Publicação Audiência GP Grande Porto |
O BERBEQUIM VOADOR Nove O Sr. Ferreira acabara de pousar um berbequim, perto da porta de entrada do seu quintal, quando ouviu o telemóvel. Solicitavam a sua presença numa mata próxima para assinalar as árvores a abater. Chamou o cão, na ideia de lhe proporcionar umas corridas, e saiu com ele. O quintal estava rodeado por um gradeamento difícil de transpor, mas a porta ficara apenas encostada e, da rua, via-se o berbequim. Decorrida cerca de uma hora, quando o Sr. Ferreira voltou, a ferramenta já não estava lá, voara! Como ninguém ficara em casa naquele intervalo de tempo, tudo levava a crer que o berbequim fora roubado. O Sr. Ferreira lembrou-se então de pedir ajuda ao seu vizinho Carlos Santos, um jovem que começara há uns meses a sua carreira profissional na polícia. Sabendo-o de folga, procurou-o e contou-lhe o sucedido. Não era tanto o valor do berbequim que o preocupava, mas, sobretudo, o inesperado furto. O agente Santos prontificou-se a averiguar o assunto e, depois de pensar um pouco, dirigiu-se para o café onde se costumavam encontrar as pessoas das imediações. Faltava um quarto para o meio-dia. Após cumprimentar os presentes o agente perguntou: “Então já sabem do assalto ao Sr. Ferreira?... Foi esta manhã. Coisa séria, segundo parece. Penso que o larápio não deve andar longe”. E dito isto olhou para um moço de catorze anos ou pouco mais. O rapaz respondeu de pronto: “Ó Sr. Carlos não olhe assim para mim. Não tive a última aula e cheguei aqui há cinco minutos”. O dono do café, por detrás do balcão, resmungou: “Ó Carlos, tu por seres polícia não vais agora pensar que todos os outros são ladrões, pois não? Conta o que aconteceu e deixa-te de acusações”. O agente Santos sorriu bem-disposto e tranquilizou o lojista. Mas o Sr. Marques, um dos clientes, resolveu continuar a protestar: “Caramba! Vir para aqui falar de um grande assalto, de uma coisa séria, quando não desapareceu mais do que um simples berbequim, é de quem anda a sonhar com ladrões. Ó Carlos, porque é que vocês na polícia não se ocupam de coisas realmente graves?” O agente Santos, sem perder a calma, dirigiu-se então a todos e disse: “O Sr. Marques não deixa de ter alguma razão, mas podem ficar descansados quanto ao tempo gasto porque eu já sei quem roubou o Sr. Ferreira”. Como é que o Carlos Santos descobriu o larápio? Quem era ele? |
© DANIEL FALCÃO |
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