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Autor Data Junho de 1978 Secção Tempo Livre Publicação O Académico [9] |
O ROUBO NA BIBLIOTECA O Gráfico Faltavam
poucos dias para o chamado «Dia de Camões». Precisamente três. Esperávamos
que fizesse um belo dia de sol, pois, neste mês, o clima continuava a ser
temperado. Nuns dias chovia, noutros fazia sol... Enfim, este ano de setenta
e oito, ainda irá dar muito que falar, sobre a «época» de Verão... Quanto
a mim, estava despreocupado, pois, só iria gozar férias em Agosto. Contudo,
havia um problema que me inquietava... O meu amigo A. Camacho viera-me dar
uma triste notícia. Na noite anterior, assaltaram a biblioteca da Academia
Almadense, roubando obras de valor entre as quais a Grande Enciclopédia
Portuguesa Brasileira. Queria ele que eu fosse investigar o caso, podendo,
talvez, descobrir o criminoso... É claro que concordei e fomos direitos à
biblioteca. Chegamos... Já
lá estava um meu colega inspector da polícia. A seu lado, alguns membros da
direcção da sociedade, assim como também, três indivíduos que eram
considerados suspeitos. Estes tinham sido os últimos a estarem presentes na
sala da biblioteca... Foi o meu colega da P. J. quem começou por dizer,
dirigindo-se aos duvidosos... – Meus senhores, na noite passada, como é do
vosso conhecimento, esta biblioteca foi roubada. A vossa presença aqui não
significa que forçosamente fosse um dos senhores o ladrão! Todavia, irão
responder a algumas perguntas que o detective L. Rodrigues lhe irá fazer. Após
este discurso aprontei-me para o interrogatório. Assim, dirigindo-me a todos,
pedi-lhes que me dissessem o que tinham feito na noite anterior depois de
saírem daquela sala. Apontei para um que começou por dizer-me: - Bem... eu...
estive cá ontem para requisitar um livro sobre música. Tenho-o lá em casa.
Quando saí... como é evidente, fui para casa... Não voltei a sair senão
quando, ainda há pouco, me foram buscar para vir aqui. Notei
que este tipo que dizia chamar-se Joaquim, estava nervoso… O
seguinte, o José, afirmou-me: - Para que queria eu as obras roubadas? Sim,
antes do senhor chegar estiveram a dizer-nos o que fora roubado! Eu não fui!
Ontem precisei de consultar a Enciclopédia Portuguesa Brasileira e acorri
aqui... Quando saí... andei por aí... Depois, fui-me deitar... E,
assim, encolhendo-me os ombros, acabou o depoimento... Parecia-me indiferente
ao acontecido... Por fim, o último. declarou: - Ontem, quando saí da
biblioteca, cerca das 23 horas, como podem confirmar pelo empregado, fui ao
cinema aqui ao lado... Como a sessão só começava às 24 fui passear até
Cacilhas... Sobre o roubo estou inocente... Na
verdade, João, tinha cara de inocente… Contudo, tinha que estar de pé
atrás... Após
estes depoimentos, dos três, A. Camacho segredou-me ao ouvido... Se aquilo
que ele me disse fosse verdadeiro tínhamos descoberto o criminoso!... Chamei
um dos directores à parte e perguntei-lhe... Este confirmou... Quando
regressei, à sala indiquei o culpado ao inspector. Incriminara-se
ingenuamente... Não nos restavam dúvidas… PERGUNTA-SE:
01 –
Quem foi o ladrão que assaltou a biblioteca? 02 –
Porquê? |
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© DANIEL FALCÃO |
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