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Autor Data 25 de Dezembro de 2025 Secção Competição Prova nº 1 Publicação Blogue Repórter de Ocasião |
A CARMEN NA PRODUÇÃO ou FIM-DE-SEMANA
EM BURGAU O Gráfico Dedicado a CARMEN que não existiu
somente na minha imaginação!!… Certamente que todos vós estais
recordados da Carmen. Conheci-a numa das minhas viagens, que anualmente faço
ao Algarve, quando me desloco a Burgau, para gozar as férias merecidas!
Graças a um problema policiário publicado no «M. A.» / «M. P.», rapidamente
fixámos uma verdadeira amizade que se manteve durante muito tempo. Decifrámos
em conjunto diversos problemas policiários e obtivemos bons êxitos nos
torneios efectuados em «Mistério… Policiário»! Depois de ter falado nela aos
meus pais, residentes em Burgau, levei-a à minha querida terra Natal, para
conhecê-los. Chegámos num sábado, por volta das 14 horas. As apresentações
foram feitas e depois de nos deliciarmos com um óptimo almoço de «lulas cheias»,
confeccionado pela minha querida mãe, onde recordámos um outro idêntico,
cujos visitantes tinham sido o «Sete» e família, conversámos um pouco sobre
as «mudanças» feitas em Burgau. Preocupo-me sempre com o evoluir da minha
terra. A minha mãe começou por nos contar: – Olha, filho, a câmara de Vila do
Bispo, começou finalmente as obras sanitárias! Já abriram as valas nas ruas e
colocaram os canos para os esgotos. A Casa dos Pescadores de Lagos também já
construiu a casa para a lota. Temos igualmente, lá em baixo, na praia e
próximo da Iota, umas casas de banho para o uso da povoação, só que estas não
ficaram muito boas, pois, de vez em quando, falta a água e quando a há os
pátios de entrada tornam-se num autêntico «lamaçal» porque a água que
entornam não tem saída! Enfim, estamos à espera que resolvam aquilo… – E o tractor? Não falas do tractor? –
interrompeu o meu pai. – Ah, é verdade, já me estava a
esquecer! Foi a Casa dos Pescadores que colocou um tractor na praia para
«avarar» os botes esclareceu a minha mãe. Notei que Carmen se mostrara
surpreendida com este «avarar» e logo expliquei que o termo correcto seria
«varar», que significa pôr os barcos em seco ou encalhá-los! Entretanto, a
minha mãe continuou a contar: – Mas sabes a melhor, Luís?… Ao
princípio, colocaram o tractor no estaleiro com um empregado/condutor, para
«avararem» os botes carregados, ou não, com o peixe! Pois, como tu sabes, o
esforço humano tornava-se enorme e muito cansativo! É claro, todos ficámos
contentes com o feito! O condutor do tractor apenas não trabalha aos sábados
e domingos e nesses dias pouca gente vai à pesca! Só que passado algum tempo,
o trabalho do tractor, que era de graça, passou a ser pago pelos pescadores
ou por quem necessita de «avarar» ou «deitar-um-bote-a-baixo»!! Vê lá tu…
Quarenta escudos, cada vez que o tractor faz descer ou subir uma embarcação!
Até parece que não «lhes» chegam os descontos que os pescadores fazem!… – Já baixaram para vinte escudos,
Herlinda! – emendou o meu pai. – Isto não se admite e é uma vergonha!
– protestou a minha mãe. Depois destes pormenores, em relação
às novidades de Burgau, aprestei-me para dar um salto até à praia, juntamente
com Carmen. Eram 17 horas quando lá chegámos. Surpreendidos ficámos ao
presenciarmos um aglomerado de pessoas no estaleiro. Mal tivemos tempo para
apreciar a maré que estava vazia, mostrando toda a imensidão de areia molhada
que se encontrava lisa (próximo e na direccão do estaleiro) com a excepção de
algumas pegadas circulares. Aproximámo-nos das pessoas para sabermos o que
tinha sucedido… Verificámos que acontecera um crime!!! Um corpo morto
permanecia no meio da multidão, com uma enorme faca de cortar safios e peixe
grado espetada no peito!!! Quem foi?… Quem não foi??… Era o que todos
procuravam saber… Passados alguns momentos chegou o Inspector Rodriguinho da
polícia de Lagos, acompanhado pelo seu Ajudante Lumafero e uma ambulância que
transportou o cadáver para o hospital. A vítima era de nacionalidade
estrangeira e na noite anterior, estivera envolvido numa desordem, na
companhia de uns amigos, contra indivíduos da terra. Numa investigação
minuciosa e enquanto jogava a sua moedinha da sorte ao ar fazendo-a cair no
bolso esquerdo da sua camisa, Lumafero apurou quatro suspeitos e levou-os à
presença do inspector para interrogatório. Como éramos conhecidos do
Rodriguinho que teve muito prazer em nos cumprimentar, pudemos assistir à
inquirição no posto da Guarda-Fiscal de Burgau. Vejam o que disseram os indagados: JOÃO NABO (Pescador, 28 anos, alta
estatura, pele torrada pelo sol): – Não sei de nada! Ontem à noite, de
facto, estive envolvido numa zaragata com a vítima, juntamente com o CHICO!
Só que não passou disso… Hoje, depois do almoço, entretive-me a arranjar umas
cavilhas de madeira para serem atadas com ascoma nas bordas do meu barco.
Sabe, não uso toletes de ferro porque se tornam muito rijas e desgastam-me os
remos!… CHICO (Também pescador por conta
própria, 33 anos, 1,60 m de altura, muito entroncado, com farta barba): – Eu, também depois do almoço, estive
a reunir a minha «caça» e a «arremendar» algumas redes. Por isso, não têm
nada p’ra me pegar. Estou inocente… ZÉ SONO (Outro pescador, 52 anos,
barrigudo, baixote, cara enrugada): – Então os senhores acham que eu seria
capaz de matar alguém?… Bem, ontem à noite, ainda assisti à «cacetada» entre
eles… mas apenas isso! Hoje, de tarde, vim até à praia dormir uma soneca,
como é habitual. Como me dedico à pesca com a «nassa», nunca tenho redes para
remendar. Quando os seus sacos de rede se estragam… compro outros, ora!…. TÓ-ZÉ (Igualmente pescador, por conta
de outrem, 28 anos, quase dois metros de altura, indivíduo magro): – Eu não participei na bulha de ontem
à noite, porque estava à pesca da sardinha. Como sabem, a sardinha pesca-se
bem entre Junho e Novembro e temos que aproveitar porque estamos em Agosto.
Além desta pesca, também utilizo pessoalmente o xilréu para pescar lulas e
chocos. Quanto ao crime não me apercebi de nada. Por volta das 16 horas
ajudei a descer um bote ao mar, porque o tractor não trabalha aos
fins-de-semana! Depois fui até casa descansar um pouco e, entretanto, passei
pelas casas de banho novas, onde bebi uns goles de água… E sobre as declarações era tudo. O
Inspector Rodriguinho mandou embora os sujeitos, avisando-os que não podiam
abandonar a povoação. Eu e Carmen despedimo-nos e continuámos a passear por
Burgau. Eu recordava os lugares onde brincara na infância e ela admirava as
casas baixinhas e brancas, além da magnífica praia que é o talismã da aldeia.
No regresso a casa passámos pelos lavabos (próximos da lota) e a Carmen ficou
impressionada com o asseio dos mesmos! Afinal não avistámos, cá de fora, as
águas derramadas que a minha mãe falara… Mais tarde, quase à noitinha,
encontrámos o Inspector Rodriguinho e o seu Ajudante Lumafero que se dirigiam
para Lagos, levando detido um dos quatro suspeitos. Tinham descoberto o
assassino! Nós reflectimos e descobrimos que na realidade só aquele sujeito
poderia ter cometido o crime, porque mentira nas suas declarações. Vocês,
caros amigos «Policiaristas», com o texto que acabaram de ler, também podem
chegar à solução do caso. Respondam às seguintes perguntas: 1º – Quem foi o assassino? 2º – Indique todos os pormenores que
provam a sua culpabilidade. |
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© DANIEL FALCÃO |
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