Autor Data 13 de Fevereiro de 2005 Secção Policiário [709] Competição Campeonato Nacional e Taça de
Portugal – 2004/2005 Prova nº 4 Publicação Público |
Solução de: NO BRASIL, OLHANDO O MAR Paulo Tudo aponta para a
existência de crime. A posição do corpo
recostado não é compatível com as malas a caírem em cima da cabeça, causando
a morte do brasileiro. Nesse caso, o corpo teria que estar tombado no chão.
As malas cairiam à frente do banco, ou na sua extremidade. Para apanharem a
zona do pescoço, o “brasileiro” não poderia estar encostado, que foi a
posição em que foi encontrado. Pode-se concluir que não foram as malas que
lhe partiram o pescoço. Todo este cenário parte do
princípio que a travagem faria cair as malas, o que é pouco provável. O
ex-polícia ia de frente para a marcha – via a paisagem a aproximar-se – ao
contrário do “brasileiro”. Com a travagem, as malas que iam por cima da
vítima, por acção da inércia, teriam tendência a
comprimir-se contra a parede da frente do compartimento e não a caírem. Isso
só aconteceria no caso de uma aceleração e não de uma travagem. Pode pôr-se a hipótese que
a travagem foi muito brusca, que as malas foram contra a parede e
ressaltaram. Para caírem em cima do brasileiro, também ele teria que ter ressaltado
no encosto do banco. Nesse caso, voltamos ao que
já foi referido. Não era possível aparecer recostado. Era impossível ele
estar curvado para a frente, cair-lhe a mala na cabeça, morrer, e depois
recostar-se no banco. Houve então alguém que lhe
partiu o pescoço. As malas foram parar ao chão por efeito da travagem ou
arremessadas para lá pelo assassino, num pormenor de simulação de queda das
mesmas. E quem foi o assassino?
Claro que podia ser qualquer um. Mas por que é que alguém desconhecido
cometeria o crime? Para roubar os diamantes. E quem sabia que a vítima
transportava diamantes? O narrador da história. Embora ele alegue que não
viu qualquer transacção, percebeu que esta fora
feita. O gelo é menos denso que a água, logo flutua. Da janela, ele viu o
copo cheio de água e o gelo no fundo do copo. Porquê? Porque não era só gelo.
Tinha dentro os diamantes. Estes com uma densidade relativa de 3.51, afundam na água corrente, que tem uma densidade relativa
de aproximadamente 1, dependendo da temperatura e da composição da água. O
brasileiro só teve que esperar que o gelo fundisse para recolher as pedrinhas
brilhantes. O ex-polícia, na altura
ainda em exercício, percebeu isso e resolveu tirar partido da travagem de
emergência, improvisando, cometendo o assassínio. Claro que, depois, o melhor
era fugir, pois a situação tinha sido mal preparada e depressa chegariam a
ele, como autor do crime. Tanto a polícia como a quadrilha. Há ainda outros indícios
para que o ex-polícia seja o autor do crime: A fuga para o Brasil e o
dinheiro que permitiu ao narrador dedicar-se à construção. Tivesse ele a consciência
tranquila e não teria necessidade de sair de Portugal. Se não tivesse nada a
ver com a morte do “brasileiro” nem com o desaparecimento dos diamantes,
teria a protecção da polícia e nada a temer da
quadrilha. O início de vida no Brasil
também indicia a posse de grande quantidade de dinheiro, que não seria fácil
de explicar a uma pessoa que tinha a profissão que ele exercia em Portugal e
que abandonara o país cheio de pressa. Perante tudo isto, é óbvio,
do ponto de vista do ex-polícia, que ele fez muito bem em abalar para o
Brasil. |
© DANIEL FALCÃO |
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