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Autor Data 10 de Fevereiro de 2026 Secção A Página dos
Enigmas [225] Competição Torneio
de Fórmula 1 Policiária Grande Prémio do Porto Torneio
Paralelo de Homenagem à Geração de 70 Problema nº 2 Publicação Blogue A Página dos
Enigmas |
O TRAFICANTE DE DIAMANTES Paulo A minha missão
estava bem definida. Seguia o carro que me haviam indicado e, como de
costume, eu sabia que não o poderia perder. A noite já
caíra há algum tempo e como o carro seguia numa estrada com poucos veículos,
achei melhor não me aproximar demasiado. Ele poderia suspeitar daquelas luzes
que iam sempre atrás dele mesmo quando mudava de direção. Não era um
suspeito muito perigoso. Nunca matara ninguém, daquilo que se sabia. Estava a
ser seguido por ser um elemento importante na quadrilha de tráfico de
diamantes que estávamos a investigar. Ele fazia uma
condução normal, quase descontraída. Connosco, naquela estrada, cruzavam-se
alguns carros, atirando-me as luzes para os olhos, e para os dele, muito
provavelmente, quando se esqueciam de alterar os faróis para a posição de
cruzamento com outros veículos. Nunca lhe vira a cara. Tinham-me indicado o
modelo e a cor do carro, o local onde estava parado e eu aguardei. Vi-o
entrar no carro, sozinho, e assim conduzia, porque mais ninguém entrara
posteriormente. A viagem estava
monótona, não fossem os veículos que vinham da frente. Foi num desses
cruzamentos, enquanto um carro se cruzava com ele, que atirou pela janela,
ainda lhe vi a extremidade dos dedos, a ponta de um cigarro, que vi em
movimento parabólico até bater no chão. Não fosse eu estar a fazer a
perseguição e teria parado, para ter a certeza que a “beata” estava apagada
na berma onde caíra. Era inverno, mas nunca se sabe o que pode acontecer. Não
há épocas de incêndios, há incêndios. Ainda olhei para o lado direito, para
ver se via alguma chama a tentar começar, mas a ponta do cigarro não se via. Aproximávamo-nos
da autoestrada e seria por aí que seguiríamos. Nestas estradas de portagem
eletrónica não se para, e foi por isso que seguimos sempre sem interrupção da
viagem. Pouco depois,
havia uma estação de serviço, para onde ele entrou. Eu também saí
da autoestrada. Ele estava parado a colocar combustível no carro. Eu não
podia parar ali, pois ele podia ver-me, o que não era aconselhável, ou
desconfiar que era seguido. Segui em frente e parei junto do restaurante da
estação, pronto a arrancar quando ele passasse, pois era a única via de
saída. Parei. Vi que ele desviara o carro para a lateral do restaurante e,
como não surgira do outro lado do edifício, parara aí. Será que iria comer.
Também saí e fui até à lateral do edifício. Miséria!
Desgraça! Eu não tinha reparado na matrícula do carro e agora havia lá quatro
carros estacionados do mesmo modelo e da mesma cor. Um modelo atual. Como era
possível?! Como fora eu tão ingénuo? Quem é que agora eu deveria seguir?
Havia um veículo com matrícula portuguesa, outro com matrícula espanhola, um
com a placa da Grã-Bretanha e outro, pasme-se, da Finlândia. A terra do frio
e do Pai Natal. Claro que o interior do veículo coincidia com a nacionalidade
da matrícula, como eu pude constatar numa vista rápida através do
para-brisas. Quem é que eu
deveria seguir? Qual dos quatro veículos seria usado pelo traficante de
diamantes? É neste momento que os leitores vão ajudar o
detetive automobilista. Qual dos carros ele se deveria preparar para seguir e
porquê? |
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© DANIEL FALCÃO |
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