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Autor Data 10 de Abril de 2026 Secção A Página dos
Enigmas [264] Competição Torneio
de Fórmula 1 Policiária Grande Prémio do Montijo Torneio
Paralelo de Homenagem à Geração de 70 Problema nº 4 Publicação Blogue A Página dos
Enigmas |
A ESPOSA ESTRANGULADA Paulo Estava eu sossegado em casa, após mais um dia de trabalho, quando o meu
vizinho me bateu à porta, porque sabia que eu era da Judiciária, como ele me
disse. Com ar muito aflito, referiu-me que a sua esposa estava morta no quarto,
que pretendia que eu lá fosse o mais rápido possível, e que depois eu
chamasse a polícia. Aqui para nós, ele já tinha feito isso, porque eu era polícia, mas eu
percebia o que ele queria dizer. Chovia bastante, e lá fomos aqueles poucos metros entre as duas casas, a
correr para fugir daquela chuva persistente que se mantinha desde o início da
tarde. Considerando que começava a anoitecer, eram já muitas horas de chuva
ininterrupta. Era uma vivenda geminada. Entrámos pela porta principal, que deixou ver uma
sala e cozinha perfeitamente arrumadas, e levou-me ao andar de cima, ao local
onde estava o corpo da esposa, ou seja, o quarto onde dormiam. O quarto estava em total desordem. Era perfeitamente visível que tinha
ali existido uma luta que atirara ao chão vários objetos, arrepanhara as
roupas da cama e terminara com a morte da esposa do meu vizinho. Antes que me
esqueça, o meu vizinho, que ficou viúvo, chama-se Alfredo, e a esposa, ou
ex-esposa, dava pelo nome de Ermelinda. Eram visíveis as marcas que os dedos tinham deixado em redor do pescoço
da vítima. Era óbvio que alguém apertara fortemente aquele pescoço, e isso
provocara a morte. O médico esclareceria se fora por asfixia, ou se o aperto
das carótidas roubara o sangue do cérebro. Era muito cedo para tirar
conclusões. Não se viam ferimentos no corpo. – Encontrei-a assim, quando cheguei, há poucos minutos. Parece-me que foi
um assalto. Ela chegou a casa mais cedo do que seria normal e encontrou
alguém a roubar. Foi essa pessoa que a matou. – Dizia o meu vizinho,
repetindo várias vezes: – Foi um ladrão! Achei que era altura de chamar os técnicos e telefonei para a sede,
informando que já me encontrava no local. Não era preciso vir muita gente.
Bastavam os elementos que tinham de fazer o levantamento dos dados periciais. No primeiro andar, havia mais dois quartos. Eram dos filhos, que se
encontravam no estrangeiro em Erasmus. Um na Letónia e outro na Eslováquia. No quarto de banho do casal, uma vistoria rápida não revelou qualquer
elemento anormal. As toalhas devidas estavam nos sítios corretos, tudo muito
bem arrumado. O mesmo se passava com o outro quarto de banho que,
provavelmente, seria usado pelos filhos, que como eles não estavam na casa,
mantinha um ar muito organizado. Olhei para o relógio e reparei que desde que chegara à casa teriam
passado pouco mais de 10 minutos. Faltava-me ver a garagem. Era necessário descer mais um piso, em relação
à porta por onde entrara, pois, para entrar nela, vindo da rua, era
necessário descer uma pequena rampa. Na garagem, que tinha uma porta, que dava para a rampa de acesso com as
viaturas, e outra, por onde eu viera, a uma escada pela qual se tinha acesso
aos pisos superiores, nada mais havia além de dois automóveis. O de Ermelinda
estava à frente. O de Alfredo estava atrás, junto à porta que dava para a
rua, que funcionava por ação de um motor elétrico. Dei a volta por detrás do carro de Alfredo, olhando o chão da garagem que
tal como toda a casa, com exceção do quarto de casal, tinha um aspeto exageradamente
limpo, sem nenhuma marca. Pousei a mão no capô do carro do meu vizinho e no
da esposa, verificando que os dois estavam frios, a temperaturas
sensivelmente iguais. Voltei a dar a volta e sai da garagem, por umas escadas que já descera
antes e que agora me conduziriam ao piso de entrada. Os meus colegas chegaram, mas eu já tinha algumas ideias sobre o que
acontecera. Pergunta-se: Que terá acontecido? Fundamente a resposta. |
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© DANIEL FALCÃO |
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