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Autor Data 10 de Junho de 2026 Secção A Página dos
Enigmas [300] Competição Torneio de Fórmula 1 Policiária Grande Prémio de Évora Torneio Paralelo de Homenagem à Geração de 70 Problema nº 6 Publicação Blogue A Página dos
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O SEGREDO DO COFRE Paulo A senhora Rosalinda Clara de Azevedo Cunha Serôdio
faleceu no dia 23 de abril de 2021, exatamente dois dias depois de completar
o seu nonagésimo terceiro aniversário. Tinha cinco filhos e treze netos. Os filhos eram os
herdeiros que deveriam partilhar entre si a herança, mas entre os pertences
da senhora Rosalinda havia um cofre, que ninguém sabia abrir, por não se
conhecer o código numérico que permitia a sua abertura. Tinha, também, dois anos antes de morrer, e quando
sabia que uma doença fatal a levaria, sem possibilidade de cura, deixado uma
carta lacrada ao filho mais novo, Leopoldo. Todos juntos, filhos, filhas, noras, genros, netos e
netas, estavam reunidos para procederem à abertura da carta, que foi lida por
Leopoldo. “Minhas queridas e meus queridos, quando lerem estas palavras já terei falecido e
espero não estar a contribuir para o aumento da tristeza que sei que estarão
a sentir. Queria falar-vos do meu cofre. Aquele que está na parede da sala e
de que só eu sei o segredo. Não contém nenhuma fortuna. Apenas tem
fotografias da família. Todas as que eu consegui juntar, algumas ainda do
século XIX. Não o incluam nos bens que irão repartir. Façam com que a pessoa
que descubra o segredo, que é um conjunto de quatro algarismos, fique com o
seu conteúdo, nem que seja um neto ou uma neta. É só isto que eu vos peço, eu
que não sei em que data irei morrer, que é algo que ninguém sabe, mas sei que
será breve. Apenas tenho a certeza do ano em que nasci. O segredo do cofre encontra-se aqui nesta carta. Em mais
nenhum local. Todos os elementos poderão e deverão ser retirados desta
missiva. Não é bem verdade que dentro do cofre estejam só
fotografias. Também lá esta a minha obra literária favorita, com uma
dedicatória feita pelo autor. A minha obra literária favorita é aquela em que
José Saramago descreve o percurso do senhor doutor Reis, de Lídia e de Marcenda. Meus queridos e minhas queridas, não interessa
para nada o ano em que Saramago escreveu esta maravilhosa obra-prima, que
relata o ser e o caráter do povo português quando eu ainda era uma criança. Relembro ainda as muitas vezes que desci os degraus
da escada para a rua, que já sofreram algumas alterações desde a sua
construção, que agora está em obras e nem sei como irá ficar. Não consigo
imaginar quantos degraus terá. Provavelmente não terá importância, porque
também não sei se ainda os descerei mais alguma vez, depois de ter escrito
esta missiva. Não esqueço, porque nunca esqueci, também uma pessoa
que as minhas netas e os meus netos não conheceram e que só puderam ver
através de fotografias: o vosso avô Gilberto, que faleceu na operação Mar
Verde. Embora nunca surgisse nos números oficiais, eu sei que o Gilberto lá
estava, porque ele me disse que iria estar. Depois, existem os dias maravilhosos que passei com
todos vocês, desde o meu filho mais velho até à minha neta mais novinha. O importante não é cada um dos momentos, é o todo no
seu conjunto. A soma de todos, tal como é esse o caminho para a chave do
cofre, em que cada parcela tem o mesmo número de algarismos do resultado
final. Façam o que eu vos peço: quem descobrir o segredo
que estas palavras contêm, que fique com o conteúdo do cofre. A mãe e avó que sempre vos amou Rosalinda." Não demorou muito até que um dos netos apresentasse
os quatro números que permitiam abrir o cofre. Qual era esse conjunto de números e como foi descoberto? |
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© DANIEL FALCÃO |
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