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Autor Data 23 de Setembro de 2018 Secção Policiário [1416] Competição Campeonato Nacional e Taça de
Portugal – 2018 Prova nº 7 – Parte II Publicação Público |
Solução de: O RUBI Rigor Mortis C – O Marco. O agente Rogério Viriato,
ao terminar o interrogatório e enquanto os actores
davam início à representação dessa noite, procurou sistematizar os dados de
que dispunha: A – A própria Marlene. Motivos: Não são perceptíveis razões para a Marlene ter roubado – ou
escondido – a sua própria jóia, ainda
por cima sabendo que era falsa. Meios: Tinha as chaves do
seu camarim e da caixa de jóias. Oportunidade: Teve a
oportunidade, claro, tendo sido ela a guardar a jóia
na caixa, no fim do segundo acto, e a fechar o
camarim ao fim da noite. Comportamento: A reacção irónica à revelação do director
de cena de que o rubi era falso mostra que a Marlene sempre o tinha sabido. B – A Ruby. Motivos: A inveja que tinha
da Marlene seria uma boa razão para a ferir e prejudicar, roubando a sua jóia preciosa favorita. Meios: Sem as chaves do
camarim da Marlene e da caixa de jóias, teria que
lá ter entrado antes do fim do espectáculo, isto é,
durante o terceiro acto. Oportunidade: Teve-a no
terceiro acto, depois de ter saído de cena e antes
de o Marco também ter saído de cena. Comportamento: A exclamação
da Ruby, perante a revelação de que o rubi era
falso, não denotou surpresa nem decepção, antes
satisfação e sarcasmo. C – O Marco. Motivos: Vender ou empenhar
a jóia, se fosse autêntica, dar-lhe-ia meios
financeiros para uma vida bem mais folgada. Meios: Sem as chaves do
camarim da Marlene e da caixa de jóias, teria que
lá ter entrado antes do fim do espectáculo, isto é,
durante o terceiro acto. Oportunidade: Teve-a no
terceiro acto, depois de ter saído de cena. Comportamento: Marco também
não mostrou surpresa. A sua reacção perante a
revelação do director de cena foi “fechar ainda
mais a cara”, como se já o soubesse. D - O Contra-Regra. Motivos: Apesar de ter dito
que “não o desprezaria”, não se vislumbram razões para roubar o rubi. Meios: Sem as chaves do
camarim da Marlene e da caixa de jóias, teria que
lá ter entrado antes do fim do espectáculo, isto é,
durante o terceiro acto. Oportunidade: Nunca teve
oportunidade, tendo tido que estar sempre ao lado do palco, como compete a um
contra-regra. Comportamento: A surpresa
do contra-regra ao saber que o rubi era falso foi
genuína. Racionalmente, portanto, só
Ruby ou Marco poderiam ter roubado a pedra, já que
a Marlene não tinha motivos para o fazer e o contra-regra
nunca teve a oportunidade para tal. Se Ruby
o tivesse feito, era normal que a sua reacção,
perante a revelação do director de cena de que a
pedra era falsa, fosse de surpresa e decepção – o
roubo que teria feito, afinal, nem teria tido grande impacto na Marlene, não
lhe provocando a tristeza, ou raiva, que a teriam satisfeito. A reacção
do Marco, pelo contrário, foi de alguém que até já sabia que a jóia era falsa. Não sendo plausível que a Marlene ou o director de cena lho tivessem dito antes, a explicação
poderia perfeitamente ser porque o Marco, tendo roubado o rubi na véspera,
depois de ter saído de cena no terceiro acto e
antes do fim da peça, o tivesse levado na manhã seguinte a uma loja de
penhores, onde imediatamente terá sido informado que a pedra era falsa. Face à conclusão a que
chegou, o agente Jorge Viriato deteve o Marco no final da peça, para novos
interrogatórios, e mandou investigar as joalharias e lojas de penhores da
vizinhança… |
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© DANIEL FALCÃO |
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