Autor

Rigor Mortis

 

Data

10 de Julho de 2026

 

Secção

O Desafio dos Enigmas [248]

 

Competição

Torneio “Solução à Vista!” – 2026

Problema nº 6

 

Publicação

Audiência GP Grande Porto

 

 

Solução de:

ACIDENTE MISTERIOSO

Rigor Mortis

 

– Como assim?! – questionou o inspector, levantando-se. De pé, acendeu o cachimbo enquanto olhava intensamente para a sobrinha, sentada na poltrona.

– Bom… A verdade é que não havia nenhuma razão aparente para a euforia que o Custódio Ramires exibia naquela manhã, pois não? O testamento, já ele devia estar a pensar nele há algum tempo, e decerto já teria tido um par de conversas com o advogado nas últimas semanas. Podia estar satisfeito com a solução encontrada, mas isso não seria caso para toda aquela euforia. Quanto à vivenda que estava a reconstruir ao pé de Coimbra, se ele estava a acompanhar as obras de perto, também não seria caso para tanta euforia... Quando a vendesse de facto, talvez, mas não naquela altura.

– Não deixas de ter razão… Então porque achas que ele estaria assim tão entusiasmado?

– As inalações, tio… Se alguém tivesse misturado uma boa dose de álcool no preparado que ele tinha deixado pronto na máquina, na mesa de cabeceira, ao inalá-lo seria como se estivesse embriagado… Ainda por cima não estando nada habituado a ingerir bebidas alcoólicas…

– Eh, pá! – exclamou o inspector Tiago Rodrigues. E qual dos três achas que o poderá ter feito?...

– O Frederico não acredito. Tanto quanto podemos perceber, teria uma vida bem satisfatória como “mordomo de família” do Custódio Ramires. É verdade que o que lhe caberia pelo testamento lhe poderia ter dado a volta à cabeça, mas não parece nada provável, dada a longa e profunda relação que tinha com o Custódio há tanto tempo.

– A Rita, por causa das dívidas de jogo?!

– Também não me parece. Pela forma como descreveste a questão, fico com a ideia que para ela, extrovertida como será, essas dívidas seriam de somenos importância. Além disso o pai ter-lhe-ia prometido liquidá-las – como se calhar já teria acontecido no passado, não?... – portanto para quê matá-lo? Ainda por cima se se ia casar com um milionário, também ele jogador!

– Então a Amélia?! Porquê?!

– Porque é a que sobra… – riu-se a Júlia. Disseste que ela era algo sorumbática… Poderá ter tido um ataque de ciúmes do pai, pelo que ele estava a deixar aos outros dois no testamento. Daí até ir misturar uma boa dose de álcool no medicamento dele poderá ter sido um passo relativamente pequeno. Sem hábitos de ingestão de álcool, um acidente na longa viagem até Coimbra seria de grande probabilidade… Talvez mesmo na estrada da pedreira, por onde ela sabia que ele passava sempre…

© DANIEL FALCÃO