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Autor Data Abril de 1982 Secção Competição Problema nº 3 Publicação XYZ-Magazine [22] |
UM CRIME PERFEITO R. P. O
corpo estava caído, de bruços, sobre o tapete do escritório onde uma larga
mancha escura contrastava com a sua cor clara. A orelha, a face e as costas
da mão, chamuscadas e sujas, mostravam claramente que o tiro fora dado a
poucos centímetros. O revólver, caído perto da mão, ainda contraída pela dor
reflexa do pavor do acto consumado, apresentava, bem nítidas, as impressões
digitais do morto. Tudo levava a crer num suicídio, tanto mais que as
declarações do criado José eram concludentes, e, acordavam com o que se sabia
do morto. Interrogado
pela polícia, José declarara que, depois do jantar, o senhor recolhera, como
sempre fazia, ao seu quarto, antes de ir para o escritório, trabalhar até
tarde. Ele, José, fora para a cozinha, onde a criada Maria lavava a loiça do
jantar e ele tudo arrumava. A seguir, fora pôr no escritório a garrafa de
vinho do Porto e os bolos, que o patrão comia sempre perto da meia-noite. Maria
saíra e ele recolhera ao seu quarto, nas águas furtadas. Notara que o patrão
andava, há dias, triste e irritado, mas nada o fazia supor que ele se
suicidasse. A polícia verificou que os factos condiziam com as declarações do
José. No soalho encerado do escritório notavam-se duas séries de pegadas, em
dois sentidos: da porta da casa de jantar, através do escritório, até à porta
do quarto, e desta, em sentido contrário, até à secretária, pertencentes ao
patrão; da porta da casa de jantar até à secretária e desta para trás até à
porta de casa de jantar, pertencentes a José. Maria
confirmara as declarações de José sobre a tristeza do patrão e não sabia mais
nada, pois saíra logo. A
polícia, contudo, tinha um indício que a levou a pôr de parte a ideia de
suicídio e a prender o assassino. 1ª
– Que indício era esse? 2ª
– Quem prendeu? 3ª
– Como se deve ter dado o caso? |
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© DANIEL FALCÃO |
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