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Autor Autor não identificado Data 2 de Maio de 1957 Secção Quem
Foi? [115] Competição Publicação Mundo de Aventuras [403] |
A MORTE VIAJA NA ESTRADA Autor não identificado No
dia 18 de Fevereiro, a vivenda Nossa Senhora da Conceição encontrava-se de
luto pela morte do seu proprietário, o inditoso Eduardo Gouveia, riquíssimo
industrial da cidade de Aveiro. Sua família, composta por sua esposa, D.
Maria da Assunção Gouveia e por seu sobrinho António Lopes, encontrava-se em
pesaroso estado de desolação pela morte de quem, tinha sido sempre
irrepreensível, compassivo e bom. De
luto encontrava-se também a cidade, onde o industrial gozava da maior estima
relativa ao seu trato afável e cordial. Era
grande o movimento pela Estrada Nacional a caminho de Aveiro para prestarem a
última homenagem ao falecido industrial. Eu,
como amigo também, não quis deixar de comparecer. Ao volante do meu carro,
dirigi-me para Aveiro. Eram 14,55 quando encostei junto à vivenda,
precisamente ao lado do carro do sobrinho de Eduardo Courela, um «Wolkswagen»
azul eléctrico. Entrei e apresentei os meus pêsames à inconsolável viúva, que
se encontrava à cabeceira da urna. O sobrinho, que estava a receber as
pessoas que vinham assistir ao funeral, dirigiu-se-me e cumprimentámo-nos
afàvelmente. Pedi-lhe
para me contar como se tinha dado o desastre que vitimara seu tio, e ele,
depois de algumas ordens ao mordomo, puxou-me para urna salinha, onde me
convidou a sentar. Com ar abatido e depois de descansar um instante, o meu
interlocutor começou a narrar: –
«Vínhamos no meu carro depois de assistir a uma «soirée» no Porto. Eu vinha
ao volante, a meu lado um amigo e atrás o meu tio e outro amigo, de nome José
Costa. Ao chegarmos a Espinho, os nossos amigos apearam-se, pois residiam
naquela localidade. «Depois
das costumadas despedidas lancei-me na estrada em boa velocidade. Ao entrar
numa curva deu-se a povoroso desastre que jamais esquecerei. Um dos pneus
traseiros estoirou. Meti o pé ao travão e o carro, com uma chiadeira
infernal, resvalou direito a um precipício. Meu tio, medindo o perigo, abriu
a porta e atirou-se, mas quando me virei para trás; para o tentar agarrar,
era demasiadamente tarde. O carro estacou milagrosamente a milímetros de
abismo onde jazia o corpo de meu tio. Levantei-me
sem pressas, e olhando de frente o sobrinho do meu infeliz amigo, disse-lhe: –
Você matou o seu tio! PERGUNTA-SE:
–
Porque cheguei a esta conclusão? |
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© DANIEL FALCÃO |
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