Autor

Autor não identificado

 

Data

Julho de 1981

 

Secção

XYZ-Policiário [15]

 

Competição

I Campeonato Nacional de Problemas Policiários

Problema nº 7

Etapa de Viseu

 

Publicação

XYZ-Magazine [20]

 

 

Solução de:

ESQUECIMENTO PERIGOSO

Autor não identificado

Solução apresentada por Nuno Cristóvão

1 – CARLOS.

Atendendo ao facto de existirem somente as impressões digitais de Manuel e de Augusto Belo no quadro que encobria o cofre e sabendo-se que é normal neste caso existirem no quadro essas impressões já que no caso de Belo este é o dono do dito e o outro, Manuel, foi solicitado por aquele para o ajudar a retirar o quadro, ficando deste modo as suas impressões «registadas» no mesmo, não sendo por aquele facto, positivo afirmar-se a cumplicidade no roubo de Manuel, porque teremos para além de não se encontrar qualquer pormenor possível de o incriminar, teremos dizia, de atender ao facto da fragilidade do «ser» de Manuel, não dando aval para tão grande empreendimento, o que lhe traria como consequência o facto de ter de se haver com as autoridades, não conseguindo resistir à presença de estranhos tão «perigosos», pois a sua incapacidade de «sustentar o olhar das pessoas, apenas se sentindo à vontade quando está sob a protecção de alguém», acabaria por não lhe conferir o sangue-frio necessário para uma acção destas. Daí que a priori este indivíduo não me merecer cuidado especial até não se poder chegar a outra saída; só que essa saída existe, não pelo lado «vadio», pois que deste lado o indivíduo em causa, o vadio, não reúne nenhuma particularidade essencial para que o possamos rotular de «autor da obra», isto atendendo ao facto de ninguém conhecer a localização do cofre, excepto os já citados, mais o facto de não vermos maneira do vadio conseguir usar o dinheiro sem que levantasse suspeitas. A bebedeira entre amigos, horas depois do assalto, será talvez consequência do acaso, isto é, poderia ter achado alguma nota «perdida» pelo ladrão, ou talvez que este lhe tenha oferecido «grojeta» pelo facto de ter sido observado por aquele, aliciando-o desta feita com alguma «massa», ou talvez ainda tratando-se de uma colecta de fundos partilhada por todos. Como não apanhamos a ponta do fio à meada por este lado, lógico será tentar o outro lado, ou, antes, a outra saída; assim temos à entrada desta saída o Carlos, que para início temos o pormenor de ter dito que retirara o Picasso que estava inclinado, ora, como sabemos, este facto apenas é referido pelo Sr. Belo ao inspector, não se tendo referido esse pormenor a mais ninguém, deste modo somos forçados a concluir que outra pessoa que para além de Belo tivesse conhecimento deste facto necessitaria de ver o quadro de Picasso desviado, ora assim sendo, Carlos só poderia ter visto isso se lá estivesse, daí que se conclua que Carlos esteve efectivamente lá, não como admirador da arte de pintar de Picasso, mas como apreciador da arte de roubar. Não existe qualquer problema pelo facto de não existirem impressões digitais de Carlos no quadro já que bastava simplesmente que as suas mãos vestissem (ou calçassem!?) luvas, não rubricando deste modo no dito, as cujas que levariam mais facilmente a mão ida justiça a abraçá-lo.

 

 

 

 

© DANIEL FALCÃO