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Autor Autor não identificado Data Agosto-Setembro de 1981 Secção XYZ-Policiário [12] Competição I Campeonato Nacional de
Problemas Policiários Problema nº 9 Etapa de Torres Vedras Publicação XYZ-Magazine [15-16] |
AZARES DO «CAROLAS» Autor não identificado Carolas
era um moço com fama de azarento. Nunca conseguira iludir a polícia e montes
de vezes batera com «os costados»
na «pildra». Desta vez, tudo seria
diferente. Um pouco de calma e todo o «calo»
que conseguira, haveriam de levá-lo ao êxito. A sua atracção eram os carrões alemães, aquelas máquinas
infernais, com uma mecânica impecável, um conforto «porreiro» e, sobretudo, uma
velocidade de ponta que ele gramava. Desde há muito que
o seu negócio era roubar carros, sempre alemães. Nada sabia deles, apenas
como se metiam as mudanças, como se «puxava»
por eles e como se sentia bem a conduzi-los estrada fora. Depois, quando se
chateava, largava-os como os encontrara. Nada de «gamar» o que lá estava dentro,
nem de os danificar. O golpe estava
preparado. «Palmaria» um «bruto» Volkswagen último modelo, directamente
vindo das origens, que todo o santo dia lhe «piscava o olho», convidativo. Seria
naquela noite! Nem jantou, tal a
emoção que já sentia ao pensar que dentro de algum tempo estaria a fazer
figura ao volante da máquina. Dois dias de observação, permitiram-lhe ter a certeza que o seu proprietário não
instalara qualquer sistema de alarme. Ele entrava directamente
no carro, dava à chave e… Lá vinha aquele
convidativo ruído de um motor «bestial».
Não desistiria facilmente. Seria naquela mesma noite. Bem cedo, toca de
tomar o melhor local. Uma correcta visão do local é
como o código postal: Meio caminho
andado… Noite escura como
breu. O céu enevoado, sem pinga de chuva. Local semi-abandonado. Ninguém nas ruas para atrapalhar e
Carolas, mais que confiante. Teria todo o tempo por sua conta. Lanterna ligada
debaixo do motor, um mergulho acrobático para debaixo do carro, uma sacola
aberta a golpes de gentileza que o barulho é mau amigo, um som abafado de
algo partido, um sorriso trocista ao pensar como são ingénuos os construtores
quando imaginam que um sistema de trancamento directo
da direcção pode ser eficaz… uns quantos fios
mexidos e alterados e… Um homem triunfante a
erguer-se, satisfeito… Mais uns
movimentos secretos, que neste negócio o segredo
é, mais que em qualquer outro, a alma
do negócio e… Ele aí está, ao volante da «sua» máquina infernal. Andamento
moderado, de início, umas aceleradelas estrada fora e «Amigo Carolas, és outro homem». Deslumbrado, um
sinal de trânsito ultrapassado indevidamente e eis que surge, lá no fundo, um
carro branco e azul, com uma sereia estridente. Carolas conhece
demasiadamente bem a situação para se atrapalhar. A polícia está
demasiadamente longe para notar a cor, a matrícula, o carro ou quem o conduz.
E, que diabo, mais
uma brincadeira não ficava nada mal. Liga o pisca para
a direita, roda rapidamente o volante saindo das vistas da polícia, descreve
toda a curva em ferradura e nem precisa de a desfazer… Um espaço atrás de
todos os outros veículos surge como tábua de salvação. Trava quando as rodas
tocam o passeio, desliga rapidamente as luzes e o motor, levanta o pé do
travão para não acusar as luzes de travagem e, mais que confiante, abaixa-se,
colando a cara ao banco direito da frente. Um sorriso trocista invade-o
avassaladoramente… O silvo estridente
aproximava-se rapidamente, mas apenas alguns segundos após ouve o chiar de
pneus do carro perseguidor. As luzes passam num ápice, para logo se ouvir o
som de uma travagem brusca… Duas pistolas negras como a noite mostram-lhe um
orifício de morte… Nem teve tempo de desfazer o sorriso trocista quando foi
retirado bruscamente. Não entendia como
tinha sido possível. O estacionamento era em espinha, perpendicular à via…
Ele entrara num local permitido, não havia qualquer irregularidade… Tivera o
cuidado de desligar os médios, os máximos os mínimos, ou lá o que era com que
circulava, retirara o pé do travão que utilizara, fizera tudo bem feito e «a bófia» dera
com ele… Sinceramente, não queria acreditar e a realidade é que estava ali,
sendo puxado para fora pela porta do lado esquerdo, olhos fixos, como que
hipnotizado pelos canos escuros e mortíferos. Não dava mesmo
para entender. Nem olhou para o
carro que abandonara. Ouvia só as vozes triunfantes dos polícias captores
comentando a sorte que tiveram por ele ser estúpido, que eles nem sequer
haviam visto o carro, nem sabiam de que marca, qual o modelo ou matrícula,
nem tão pouco a cor… Mas algo os fizera desconfiar e…
Tudo se confirmou! Não dava mesmo
para entender! Pergunta-se,
pois, como detectou a polícia o carro roubado?
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© DANIEL FALCÃO |
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