Autor Data 31 de Dezembro de 2000 Secção Policiário [494] Competição Prova nº 13 Publicação Público |
Solução de: A MORTA DO CHAFARIZ DE EL-REI Severina O móbil do crime foi o
ciúme. Ao entrar nas escadas, Cristina sentiu-se agarrada e amordaçada antes
de acender as luzes. O próprio lenço serviu de garrote. Assim que perdeu os
sentidos, amparada como se estivesse doente ou embriagada, foi para o carro,
que estava perto, para não ser identificada prematuramente. Quanto à bolsa e ao saco de
viagem, levados para o quarto, aberto com a chave tirada da mala, e também a
circunstância de ter a luz acesa: o objectivo era
que se pensasse que Cristina entrara no quarto e saíra por sua iniciativa.
Por outro lado, foi deixada no Chafariz de El-Rei pela comodidade de ser
despejada do gradeamento de protecção, da via superior,
e para que o corpo ficasse oculto de quem passasse, mais preocupado com a
chuva. Três pessoas usavam
mocassins, mas apenas duas estiveram no patamar do primeiro andar. João
Fernandes, que antes da meia-noite já se sentia mal e piorou a ponto de se
resolver a ir ao hospital (onde o taxista o levou pela uma hora da
madrugada), com muita dificuldade poderia praticar o crime – embora se possa
supor que tal acto o pudesse transtornar. Mas não
tinha móbil que o incriminasse. Adriano, por seu lado, esteve no primeiro
andar, já a luz estava acesa, ou seja, depois da
vítima estar morta e abandonada. Resta Isabel, que no seu íntimo sabia que
Adriano nunca esquecera Cristina nem o filho, cada vez com menos dúvidas que
fosse seu. Isabel quis estar presente
ao primeiro encontro de Adriano com Cristina para avaliar os sentimentos
deles. Depois, porque estaria no funeral e não quis ficar a perder, pelo que
se informou da morada e da hora de regresso normal da moça, disposta a matar
a sua rival. Assim, fingiu que saía de Lisboa, mas ficou. O prédio velho, sem
fecho de segurança na porta da rua, deu-lhe a facilidade de, em cima da hora,
estar de tocaia. Depois de matar e ter Cristina no carro, telefonou para o
hotel a anunciar a próxima chegada – após abandonara sua vítima, ou seja, foi
Isabel quem matou Cristina. |
© DANIEL FALCÃO |
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