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Autor Data Junho de 1984 Secção Competição Problema nº 9 Publicação XYZ-Magazine [32] |
Solução de: O CASO DOS PLANOS SECRETOS Sherlock Amador Quando verifiquei que a segunda gaveta do lado esquerdo era a única que
estava fechada à chave, e que depois de aberta nada continha, imediatamente
me saltaram à mente estas duas hipóteses: Ou o engº Silva Paiva tirara o cofre com os
documentos sem ter ido buscar a chave ao cofre privado – o que poderia ter
acontecido – ou então tinha sido outra pessoa que, servindo-se do mesmo
processo, executara o roubo com a maior das facilidades. Sobre este ponto há
que dar a seguinte explicação: Sabe-se que a secretária era um móvel normal e que possuía seis gavetas.
Se falei na segunda gaveta do lado esquerdo, deve concluir-se que no lado
direito também havia gavetas. Desta sorte, facilmente se compreende que havia
três gavetas de cada lado e que a gaveta que se encontrava fechada era a do
meio. Evidentemente, que para se tirar qualquer objecto
que existisse dentro dessa gaveta, BASTARIA RETIRAR DO SEU LUGAR A GAVETA QUE
ESTIVESSE POR CIMA. FICANDO, DESTE MODO, O INTERIOR DA GAVETA DE BAIXO (A
SEGUNDA) À MOSTRA! Como poderão observar, o processo é simplíssimo. Assim, após esta observação e ainda devido ao depoimento do Orlando,
fiquei convencido de que tinha sido o engº Silva
Paiva quem tinha estado na 3ª Secção de Estudos Espaciais. Porém, logo que foi verificado que o engº Paiva
tinha sido assassinado – no local onde foi encontrado o corpo, não fora vista
qualquer arma homicida pelo que há a admitir, infalivelmente, o homicídio – a
hipótese da vítima ter estado no gabinete, cai pela base. É que embora
Orlando tenha declarado ter visto o engenheiro por (sintoma de princípio da
RIGÍDEZ CADAVÉRICA, que começa a aparecer três a quatro horas «post-mortem») SÓ PROVA QUE O ENG.º
SILVA PAIVA NÃO PODERIA TER ESTADO ÀQUELA HORA NA SECÇÃO DE ESTUDOS ESPACIAIS!!! Como prova complementar, existe o facto de
não se ter encontrado a chave do seu gabinete, donde se deduz que o crime
fora precedido do roubo da chave, e que o criminoso não voltou ao lugar do
crime. Mas, neste caso, como poderia Orlando ter visto a vítima àquela hora?… A resposta a esta pergunta é a própria vítima que a dá!… Aquele pedaço de
papel, que mostra o segundo signo do mês de Maio que é representado pelos
GÉMEOS – queria dizer QUE O ASSASSINO ERA UM IRMÃO, ou, o que é mais lógico,
UM SÓSIA! Esta é a razão porque Orlando julgou ver o
engenheiro Paiva, quando, afinal, o que ele viu foi um indivíduo extremamente
parecido com a vítima. Não esqueçamos que o facto se passa à noite e que o
intruso, além de conhecer bem o ambiente – só ele poderia ter sido quem
premiu o botão da campainha para fazer deslocar o Orlando do seu posto afim de poder sair sem ser visto – ia embuçado e mal deu
as boas-noites. Chegado a esta conclusão e sabendo-se que um roubo desta natureza só
poderia ter interesse para uma potência estrangeira, procurei saber se tinha
partido algum avião dentro daquele espaço de tempo, o que se confirmou, visto
que seguidamente liguei para a Polícia Internacional que, em face das minhas
suspeitas, se pôs em contacto com essa extraordinária organização que é a
Interpol. Só assim se compreende que aquele FORA-DA-LEI (!…) fosse caçado num
espaço de tempo tão curto. |
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© DANIEL FALCÃO |
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