Autor

Venthocanni

 

Data

15 de Abril de 1976

 

Secção

Mistério... Policiário [57]

 

Competição

Interregno...

Prova nº 9

 

Publicação

Mundo de Aventuras [133]

 

 

ASSASSINO OU ASSASSINA?

Venthocanni

 

Dong… Dong… 22 horas.

e assim, senhores telespectadores, em vez do anunciado programa de atletismo, apresentamos dentro do momentos…

Na sua modesta casa o detective amador Rui Ventosa via TV… A sua verdadeira profissão era a de advogado mas nas horas livres (que eram muitas) era detective particular. A certa altura, seriam aproximadamente 22 e 10, o telefone toca… o seu anúncio de detective nas páginas amarelas resultara!

Cinco minutos depois estava na mansão donde o haviam chamado. No primeiro andar o dono da mansão encontrava-se morto, estendido a meio do seu quarto. A janela estava aberta de par em par; a cama estava aberta; em cima de uma mesa de cabeceira encontrava-se um livro aberto, virado de capa para cima.

Depois de anotar a planta do quarto da vítima, o jovem Rui Ventosa começou os interrogatórios:

D. LUÍSA (esposa da vítima) – Encontrava-me deitada com ele na cama. Ele lia um livro; eu tentava adormecer. A certa altura, eram 5 para as 10 da noite, ouvi, vindo lá de baixo, um ruído: como que um prato a partir-se. Sabia que a Deolinda, uma das minhas duas criadas, estava a arrumar a casa de jantar, mas desci, para ver a asneira que ela fizera. Partira dois pratos.

Zanguei-me com ela mas, enquanto o fazia, ouvi um tiro lá em cima… Subimos logo as duas juntas e encontrámos o meu sobrinho, que tem 23 anos, a entrar no meu quarto, a correr. A janela estava aberta (antes tinha-a fechada) e o meu marido estendido morto no chão. Pouco depois telefonámos-lhe. Não mexemos em nada.

DEOLINDA (criada) – Estava a arrumar a casa de jantar e, por descuido, parti dois pratos. Logo em seguida apareceu a senhora, que se zangou comigo. Quando ela se estava a zangar ouvimos um tiro no primeiro andar, eram no meu relógio 22 e 5. Subimos logo e encontramos o senhor estendido no chão do seu quarto. Estava morto! O sr. Mário, sobrinho do senhor, chegara ao quarto segundos antes de nós. A janela estava aberta. Pouco depois telefonámos-lhe.

MARIA (criada) - Estava na cozinha a lavar a loiça quando ouvi ruído de pratos a cair; não dei importância. Pouco depois ouvi a senhora descer e dar uma reprimenda na Deolinda. Eram 22 e 5 no relógio da cozinha quando ouvi um tiro lá em cima. Procurei lugar para os copos frágeis que lavava, e subi as escadas num ápice. No quarto dos senhores estavam todos de volta do senhor, que estava imóvel, caído no soalho. A janela estava aberta. Em seguida fui à salinha da TV, fechei-a pois o sr. Mário já não estava a vê-la, e telefonei-lhe.

MÁRIO (sobrinho da vítima) – Estava a ver o programa de atletismo na salinha da TV, que tem paredes-meias com o quarto dos tios. A certa altura, eram 22 e 5, ouvi discussão ao lado. Não liguei, julgando ser o tio a discutir com a tia. Poucos segundos depois ouvi um tiro ao lado. Corri imediatamente para o quarto dos tios e deparei logo com a janela aberta A tia não estava no quarto. O tio estava morto no chão. Segundos depois chegaram a tia Luísa e a Deolinda, e em seguida a Maria, que foi quem lhe telefonou. Só depois soube da história dos pratos: não devo tê-los ouvido partir-se por causa do som do comentador da TV.

Rui pensou… e disse: «Já sei quem matou o esposo da sr.a Luísa!»

 

1 – Assassino ou assassina?

2 – Quem matou o esposo da sr.a Luísa? (Diga como pensa ter-se desenrolado o crime.)

© DANIEL FALCÃO