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Autor Data 2 de Setembro de 2018 Secção Policiário [1413] Competição Campeonato Nacional e Taça de
Portugal – 2018 Prova nº 8 – Parte I Publicação Público |
O ANTICRISTO X. Boavista Arrombaram com estrondo a
porta de entrada! Entraram cautelosamente! De armas na mão! Estavam
finalmente dentro da casa de um dos principais suspeitos dos terríveis
homicídios que tinham acontecido recentemente em Portugal, todos com a mesma
marca, deixada em sangue no corpo das vítimas – O ANTICRISTO! Por toda a casa havia
sinais indeléveis de que o suspeito era realmente o assassino em série que há
tanto perseguiam, cruzes de ferro retorcidas, desenhos e pinturas imperfeitas
com representações do demónio, do céu, do sacrifício de Jesus, reproduções
toscas do Juízo Final de Michelangelo e do Inferno de um Mestre português
desconhecido do século XVI. Era realmente um cérebro afetado por distorções
psicológicas de dogmas religiosos. De repente o estagiário
Félix grita do sótão: – Depressa! Subam! Subam! Vejam isto! Quando lá chegaram
depararam-se com imensas fotografias, desenhos, mapas, plantas de edifícios e
quintas, espalhados em cima de mesas, pelo chão, pregados e colados nas
paredes, e todos eles apontavam para todos os assassinatos que tinham sido
perpetrados até então pelo auto assinado O ANTICRISTO. Lá estavam as fotografias e
plantas detalhadas das quintas onde tinham sido mortas as quatro primeiras
vítimas. A coudelaria de Portel onde
tinha sido encontrado morto um cavalo branco e junto dele o respetivo dono com
uma coroa enfiada na cabeça e um arco no chão perto do corpo. A de Ourique onde se tinham
deparado com um cavalo vermelho de sangue esfaqueado várias vezes no pescoço
e abdómen e o proprietário jazendo perto com uma espada na mão. A da Quinta dos Montes onde
um cavalo preto tinha sido abatido e o seu tratador esfaqueado até à morte e
uma balança perto da mão direita. Também estava a fotografia
do estábulo onde tinham enfrentado a horrível situação de um cavalo pálido
morto, amarelado ou esverdeado, e ao seu lado um homem todo nu que, além de
ter como todas as outras vítimas a palavra ANTICRISTO escrita a sangue no
peito, tinha também PESTE escrita na testa com uma navalha afiada. Claro que nessa altura já
toda a Polícia Judiciária, e o Inspetor Sousa Pinto, em particular, tinham
associado aqueles homicídios a um assassino em série que queria matar e
deixar a sua marca em homicídios que apontavam para Os Quatro Cavaleiros do
Apocalipse. Era óbvio! No entanto as mortes tinham
continuado, com a mesma assinatura macabra das anteriores, e no sótão onde
estavam, lá se encontravam também as fotografias e plantas dos locais onde
foram cometidos os outros dois assassinatos que tinham sido cometidos depois
dos que tinham visto anteriormente. O mosteiro de Amarante onde tinham
encontrado morto um religioso que também estava nu por baixo, apenas vestido
com uma comprida bata branca por cima do corpo. Pregadas na parede do fundo
fotografias do Museu de Arte Antiga em Lisboa onde recentemente, em abril de
2018, tinha sido assassinada a última vítima com “assinatura” ANTICRISTO
junto à tela de João Glama, conhecida pelo nome “O Terramoto de 1755”. Entretanto, o Inspetor
Sousa Pinto reparou que num canto escuro do sótão estavam fotografias que lhe
pareceram ser de uma mata ou parque. Chamou os outros inspetores
e perguntou: – Sabem que parque é este, aqui, desta fotografia? E logo Félix gritou: – Mas
esse é o Parque dos Olivais, perto de onde eu moro, também conhecido como
Mata do Silêncio! E logo o Inspetor Sousa
Pinto gritou: – Todos para o Parque dos
Olivais! Félix! Telefona para a sede para enviarem reforços para o Parque,
pede-lhes para montarem um esquema de defesa muito discreto. Não podem dar
nas vistas, pois vamos apanhar o nosso homem em flagrante delito… e se não o
conseguirmos apanhar no Parque, eu já compreendi todo o “fio da meada” e o
que se poderá seguir… Qual era o “fio da meada” a
que Sousa Pinto se estava a referir? Como encaixam os homicídios cometidos
nesse “fio da meada”? E o que é que se poderá seguir, segundo o Inspetor
Sousa Pinto? |
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© DANIEL FALCÃO |
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