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22 de Março de 1957. É publicado, na revista
“Flama”, o 1º número da Secção “O Gosto do Mistério…”, orientada por Jartur –
curiosamente, por lapso tipográfico, identificado como “Mr. Dartur”. Domingos Cabral, com 15 anos completados
recentemente, responde ao problema naquela inserido – “O Táxi Misterioso”,
transformando, assim, em “casamento” o “namoro” que à modalidade vinha
fazendo há algum tempo, através do contacto com a Secção do “Mundo de
Aventuras”, de que era leitor há alguns anos. Sabendo, por isso, que era habitual o uso de
pseudónimo, e perante a dificuldade que sentiu na escolha, rápida, de um,
acabou, por associação, por perfilhar o “Inspector Aranha”. É que, naquele
problema, o investigador (Marcos Dias), concebido pelo Autor (Jartur), após
resolver o caso, dirige–se para o “Clube do Aranhiço”. Escolha pouco feliz,
de facto, já que ninguém inicia a construção de um edifício pelo telhado e o
principiante começava, nada modestamente, por se designar “Inspector”… De
qualquer forma, iniciou–se, assim, um longo caminho… In Mundo dos
Passatempos, 1 de Setembro de 2007 Correio Policial, 8 de Outubro de 2021 |
PRIMÓRDIOS DA PROBLEMÍSTICA
POLICIÁRIA PORTUGUESA por DOMINGOS CABRAL (do livro com o mesmo título, a
editar) 57 3º PARTE – CICLO SECÇÃO “PROBLEMA
POLICIAL” – DE A. ARAÚJO PEREIRA SEMANÁRIO JUVENIL “O
MOSQUITO”
E ao começarmos ao fazê-lo é de toda a justiça
manifestarmos o nosso reconhecimento ao “velho” amigo e prestigiado policiarista João Artur Mamede (“Jartur”)
pela importante colaboração prestada com a cedência de grande parte do
material que iremos reproduzir neste terceiro capítulo dos
"Primórdios" – ele que, não por acaso mas pelos vastos
conhecimentos que possui sobre as temáticas da problemística
policiária e da banda desenhada, é o grande “timoneiro” do "Arquivo
Histórico da Problemística Policiária Portuguesa”. Reproduzimos seguidamente o que ele oportunamente
escreveu sobre a Secção agora em apreço – “PROBLEMA POLICIAL” – que, dirigida
por A. Araújo Pereira, o “MOSQUITO” divulgou: “Em 18 de Novembro de 1940, a EDITORIAL ORGANIZAÇÕES,
LIMITADA”, que já desde Janeiro de 1936 editava o jornal de histórias
ilustradas “O MOSQUITO”, lançou o n.º 1 duma nova publicação do mesmo
formato, semanário, mas de características diversas, com o título “Mosquito
Magazine” e com o estatuto de conter UM POUCO DE TUDO PARA TODOS. Inseria, nas suas 20 páginas, poesia, contos,
anedotas ilustradas, artigos de cultura geral, curiosidades do mundo, lavores
femininos, e uma secção para a propaganda da Arte Charadística, designada
“CHARADISMO”, dirigida por “IRMÃOS UNIDOS” (Africanista e Raspa). Mas, a partir do seu n.º 3, publicado em 3 de
Dezembro de 1940, os desportos da inteligência e da cultura, que até ali
apenas as Palavras Cruzadas e o Charadismo, passaram a ter também a companhia
de uma nova secção, ladeada pelas colunas de Xadrez e Bridge. Entre o cabeçalho ilustrado por uma máscara
negra, e o quadro onde se inseria o problema nº 1, sem título, escrevia-se um
curto texto de natureza explicativo:
Nesta secção
expomos à inteligência dos nossos leitores um curto conto ou enigma policial.
Com um pequeno esforço de raciocínio e imaginação podem sem dispêndio, formar
uma pequena biblioteca, pois entre os que nos enviarem as soluções exactas, sortearemos alguns bons volumes de literatura
policial. O que
publicamos hoje é um problema fácil que parece difícil ou um problema difícil
que parece fácil? Tem a palavra
o leitor. O prazo para a
entrega das soluções é de 15 dias para o Continente e de 1 mês para as Ilhas
e Colónias.
SOLUÇÃO DO
PROBLEMA: “O Inspector Rosan deitou na garrafa de espumante o conteúdo da taça,
verificando que aquela ficou completamente cheia. Portanto, o cliente nada
bebera. Juntando com um garfo os bocados de carne que se
encontravam no prato, reconstituiu o bife, que também estava intacto. O criado afirmara que o cliente morrera a meio da
refeição. Portanto mentira. Ao ver o bife intacto reconstituído e a taça
vazia, o criado compreendeu que o seu “truc” foi
descoberto, e, denuncia-se. Tenta fugir e a sua fuga é uma prova da sua
culpabilidade.” * * * COMENTÁRIO E
CLASSIFICAÇÕES: Este problema não era fácil e os nossos leitores
viram-se um bocadinho atrapalhados com ele. Estão, no entanto, desde já
aprovados os detectives: Esmeralda Vidal (Lisboa),
Nunes da Silva (Braga), Neoarte e Novoarte - Amigo de Édipo (Lisboa), à disposição dos
quais se encontram os livros policiais que a “Casa do Livro” ofereceu. Ainda
que não tivessem encontrado a solução exacta,
deram, no entanto, grandes provas de imaginação: João Moreira Narigão
(Lisboa), António de Sousa (Porto), Manuel Cândido (Lisboa), Amadeu Pereira
(Barcelos), Manuel Lamprião (Lisboa), A. C. Silva
(Lisboa), F. Vasconcelos Moeira (Penafiel), Américo Lopes (Lisboa), José
Arraiano (Lisboa), Rui Edmundo Alvim (Fafe), Agente 18 (Lisboa), Trio Musical
(Lisboa), Raul T. Anselmo (Lisboa), Peromento
(Lisboa), Sombra Negra (Lisboa), J. Guilherme (Lisboa), J. Moura e Silva
(Fafe), Joaquim Gomes (Lisboa), Sphing (Porto),
Eduardo Leiria Dias (Lisboa), Hip Hipólito Duarte
(Gaia) e M. Cardoso do Carmo (Porto).” * * * Nota, do responsável por esta “Página”: Excepcionalmente – uma vez que não iremos repetir o procedimento – inserimos também a
lista dos nomes dos concorrentes, realçando a particularidade de nela já
constar o nome de Eduardo Leiria Dias, que viria a ocupar posição de muito
destaque, durante dezenas de anos, nas modalidades de Charadismo, Palavras
Cruzadas e Policiário, quer também como responsável de várias Secções das
mesmas (inclusivamente no Brasil) e que só relativamente há poucos anos nos
deixou. D. C.
Fontes: Secção
Correio Policial, 8 de Outubro de 2021 | Domingos Cabral Blogue Repórter de
Ocasião, 16 de Abril de 2026 | Luís Rodrigues |
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© DANIEL FALCÃO |
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