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22 de Março de 1957. É
publicado, na revista “Flama”, o 1º número da Secção “O Gosto do Mistério…”,
orientada por Jartur – curiosamente, por lapso
tipográfico, identificado como “Mr. Dartur”. Domingos Cabral, com 15 anos completados
recentemente, responde ao problema naquela inserido
– “O Táxi Misterioso”, transformando, assim, em “casamento” o “namoro” que à
modalidade vinha fazendo há algum tempo, através do contacto com a Secção do
“Mundo de Aventuras”, de que era leitor há alguns anos. Sabendo, por isso, que era habitual o uso de
pseudónimo, e perante a dificuldade que sentiu na escolha, rápida, de um,
acabou, por associação, por perfilhar o “Inspector
Aranha”. É que, naquele problema, o investigador (Marcos Dias), concebido
pelo Autor (Jartur), após resolver o caso, dirige–se para o “Clube do Aranhiço”. Escolha pouco feliz,
de facto, já que ninguém inicia a construção de um edifício pelo telhado e o
principiante começava, nada modestamente, por se designar “Inspector”… De qualquer forma, iniciou–se,
assim, um longo caminho… In Mundo dos
Passatempos, 1 de Setembro de 2007 Correio Policial, 29 de Outubro de 2021 |
PRIMÓRDIOS DA PROBLEMÍSTICA
POLICIÁRIA PORTUGUESA por DOMINGOS CABRAL (do livro com o mesmo título, a
editar) 60 3º PARTE – CICLO SECÇÃO “PROBLEMA
POLICIAL” – DE A. ARAÚJO PEREIRA SEMANÁRIO JUVENIL “O
MOSQUITO” PROBLEMA
POLICIAL PROBLEMA N° 4
SECÇÃO
“PROBLEMA POLICIAL” E O SEU CRIADOR: Araújo Pereira, criador
da (até agora detectada) terceira mais antiga
secção de problemística policiária portuguesa, quem
era? Não estamos em condições de responder a esta
pergunta com as informações que desejaríamos apesar das tentativas que temos
vindo a desenvolver nesse sentido (apenas que na década de 70 residia em
Lisboa, na Rua Pinheiro Chagas) - uma vez que são praticamente inexistentes
os registos, anteriores ou posteriores, da sua passagem pela modalidade.
Esta, ao que se crê, ter-se-á circunscrito à criação, e manutenção durante
cerca de um ano, desta secção “Problema Policial”, surgida em 3 de Dezembro
de 1940, nas páginas da revista juvenil “O Mosquito”, que viu chegado o seu
fim em 3 de Novembro de 1941, quase 4 meses depois de nela ter sido divulgada
a seguinte notícia: (imagem em baixo). Desta forma ficámos a saber que o responsável
pela secção em causa era familiar de um outro Araújo Pereira (Manuel Joaquim
Araújo Pereira), figura muito prestigiada do teatro português da altura, com
posição primacial entre os nossos melhores professores da arte de Talma, e
criador de um projecto então vanguardista
denominado “Escola de Teatro – Araújo Pereira”. Qual o parentesco com o “nosso” Araújo Pereira,
não nos foi possível apurar. Desconhecimento que também registamos
relativamente a um outro Araújo Pereira (Roberto), nascido em 1908 e que se
viria a notabilizar como prestigiado pintor, cenógrafo e
desenhador-ilustrador.
VOLTANDO À
SECÇÃO DE “O MOSQUITO” Os problemas nele publicados
e que estamos a reproduzir eram certamente (como também opinou o nosso aqui
já citado confrade “Jartur”) “traduzidos ou
adaptados de alguma revista congénere estrangeira, porventura francesa”,
primeiro porque eram (são) protagonizados por um investigador com nome
francês – inspector Rosan
– depois porque “nas gravuras que ilustram a maior parte deles predominam
anúncios escritos nessa língua”, e ainda porque Araújo Pereira “nunca foi
conhecido como activo produtor policiário” – e
foram publicados 32 problemas! De referir será ainda que a qualidade dos mesmos
é baixa e que as soluções apresentadas se fundamentavam, algumas vezes, em conjecturas que não se contextualizavam com os desafios,
assim como também um ou outro não mereciam em rigor a designação de problemas
policiais, por a sua decifração carecer de observação em vez de raciocínio e
dedução... Mas verdade também é que o que aqui nos
propusemos apresentar são os “Primórdios da Problemística
Policiária Portuguesa”, ou seja, divulgar as suas primeiras secções e não
apreciar os méritos ou deméritos dos problemas publicados – que muito
naturalmente foram conhecendo uma enorme melhoria qualitativa ao longo dos
quase cem anos de existência desta modalidade. SOLUÇÃO DO
PROBLEMA DE HOJE: Enquanto João se levantava, o criado do hotel que
lhe tinha levado o almoço e voltara para retirar a bandeja, aproveitou-se da
ocasião e da ausência do locatário, levando-lhe a carteira que se encontrava
em cima da mesinha de cabeceira. Não vendo a carteira, João imagina que sob
os vapores alcoólicos da véspera a tivesse metido nalguma mala ou gaveta.
Desarruma rapidamente e com grande nervosismo todas as gavetas e malas e
obtém a certeza de ter sido roubado, procurando imediatamente avistar-se com
o Inspector Rosan.
Fontes: Secção
Correio Policial, 29 de Outubro de 2021 | Domingos Cabral Blogue Repórter de
Ocasião, 31 de Maio de 2026 | Luís Rodrigues |
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© DANIEL FALCÃO |
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