22 de Março de 1957. É publicado, na revista “Flama”, o 1º número da Secção “O Gosto do Mistério…”, orientada por Jartur – curiosamente, por lapso tipográfico, identificado como “Mr. Dartur”.

Domingos Cabral, com 15 anos completados recentemente, responde ao problema naquela inserido – “O Táxi Misterioso”, transformando, assim, em “casamento” o “namoro” que à modalidade vinha fazendo há algum tempo, através do contacto com a Secção do “Mundo de Aventuras”, de que era leitor há alguns anos.

Sabendo, por isso, que era habitual o uso de pseudónimo, e perante a dificuldade que sentiu na escolha, rápida, de um, acabou, por associação, por perfilhar o “Inspector Aranha”. É que, naquele problema, o investigador (Marcos Dias), concebido pelo Autor (Jartur), após resolver o caso, dirige–se para o “Clube do Aranhiço”. Escolha pouco feliz, de facto, já que ninguém inicia a construção de um edifício pelo telhado e o principiante começava, nada modestamente, por se designar “Inspector”… De qualquer forma, iniciou–se, assim, um longo caminho…

In Mundo dos Passatempos, 1 de Setembro de 2007

 

 

 

 

 

 

 

Correio Policial, 5 de Novembro de 2021

 

 

 

PRIMÓRDIOS DA PROBLEMÍSTICA POLICIÁRIA PORTUGUESA por DOMINGOS CABRAL (do livro com o mesmo título, a editar)

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3º PARTE – CICLO SECÇÃO “PROBLEMA POLICIAL” – DE A. ARAÚJO PEREIRA

 

SEMANÁRIO JUVENIL “O MOSQUITO”

 

 

CONSIDERANDOS:

 

Esta série de problemas que a secção da revista "O Mosquito" publicou de Dezembro de 1940 a Novembro de 1941 teve a caracterizá-la, entre outros, dois factores que os diferenciavam significativamente dos padrões que algum tempo depois se vieram a tornar norma na problemística policiária. De facto, os textos que os compunham eram curtíssimos e, como os nossos leitores já verificaram pelo que nas últimas semanas, aqui temos vindo a reproduzir – tal como hoje – ilustrados (com raras excepções) por uma ou mais gravuras que se complementavam. Actualmente os problemas são muito mais elaborados e, por isso, naturalmente bastante mais extensos – atingindo, por vezes, algumas páginas de A-4, registando também naturalmente uma qualidade muito superior e incomparável dificuldade de decifração.

Atrás ficou o problema número 5, e precisamente por ser tão curto, permite-nos inserir também o número 6 da série. Aqui fica:

 

PROBLEMA N° 5

 

O Inspector Rosan foi fazer uma pequena viagem de recreio e estudo. A sua mulher, que o não poude acompanhar, manda constantemente notícias. Já enviou, entretanto, 4 cartas e não recebeu resposta. Finalmente numa localidade onde a mulher sabia que ele teria seguramente que passar, encontrou um telegrama nestes termos: "Como levaste a chave do receptáculo postal da nossa casa e não posso retirar a tua correspondência..."

– Que distraído sou! – exclama Rosan; e sem demora envia à esposa a chave solicitada.

Três semanas depois, noutra localidade, recebeu uma carta nestes termos: "Escrevo para comunicar-te que continuo sem notícias tuas..."

QUE SE TINHA PASSADO?

 

PROBLEMA N° 6

 

– Em que posição estava? Perguntou o inspector Rosan ao filho do SR. X, que tinha sido encontrado morto e cujo cadáver jazia sobre a cama.

– Não tendo visto meu pai à hora do jantar, – explicou o filho – procurei-o e encontrei-o aqui, enforcado, com as pernas dobradas e contraídas. Cortei imediatamente a corda, mas era já demasiado tarde! – Não existe dúvida. A morte foi devido a estrangulamento. Enforcou-se prendendo a corda ao anel metálico destinado a pendurar o candeeiro. E dizendo isto o inspector levantou o braço e agarrou na ponta da corda pendente unindo-lhe o pedaço que fora cortado e apanhara do chão. A corda tocava-lhe no ombro.

– É curioso – observou o médico que o acompanhara e que, entretanto, estivera examinando o cadáver – quando o morto tinha a cabeça na laçada os pés deviam tocar o chão. Todavia, morreu estrangulado!

Disso não existe a mais pequena dúvida!

Deve ter sido um assassinato que pretendem fazer passar por suicídio!

– Crê nisso, doutor?

– Sim, creio; e no seu lugar indagaria imediatamente, para descobrir o criminoso. É inútil, doutor. Asseguro-lhe que se traria dum suicídio.

QUE PROVAS POSSUI O INSPECTOR ROSAN, DE QUE SE TRATA DUM SUICÍDIO?

 

SOLUÇÃO DO PROBLEMA POLICIAL Nº 5

A esposa do Inspector Rosan não podia abrir o receptáculo postar, porque, distraidamente, o nosso célebre detective ao enviar a chave pelo correio não se lembrou que iria fazer companhia às cartas, ficando dentro do receptáculo!

Os grandes homens também têm as suas fraquezas! 

 

SOLUÇÃO DO PROBLEMA POLICIAL Nº 6

As pernas contraídas do enforcado indicam que foi suicídio pois se fosse crime a tendência seria para a rigidez com distensão das pernas.

Além disso, se fosse crime, o criminoso teria cuidado de não deixar as pernas do cadáver tocar o solo, para dar a aparência de ter sido um suicídio. 

 

 

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Fontes:

Secção Correio Policial, 5 de Novembro de 2021 | Domingos Cabral

Blogue Repórter de Ocasião, 15 de Junho de 2026 | Luís Rodrigues

 

© DANIEL FALCÃO