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22 de Março de 1957. É publicado, na revista “Flama”, o 1º
número da Secção “O Gosto do Mistério…”, orientada por Jartur
– curiosamente, por lapso tipográfico, identificado como “Mr. Dartur”. Domingos
Cabral, com 15 anos completados recentemente, responde ao problema naquela
inserido – “O Táxi Misterioso”, transformando, assim, em “casamento” o
“namoro” que à modalidade vinha fazendo há algum tempo, através do contacto
com a Secção do “Mundo de Aventuras”, de que era leitor há alguns anos. Sabendo,
por isso, que era habitual o uso de pseudónimo, e perante a dificuldade que
sentiu na escolha, rápida, de um, acabou, por associação, por perfilhar o “Inspector Aranha”. É que, naquele problema, o
investigador (Marcos Dias), concebido pelo Autor (Jartur),
após resolver o caso, dirige–se para o “Clube do Aranhiço”. Escolha pouco
feliz, de facto, já que ninguém inicia a construção de um edifício pelo
telhado e o principiante começava, nada modestamente, por se designar “Inspector”…
De qualquer forma, iniciou–se, assim, um longo caminho… In Mundo dos Passatempos, 1 de Setembro
de 2007 Correio Policial, 7 de Janeiro de
2022 |
PRIMÓRDIOS DA PROBLEMÍSTICA POLICIÁRIA PORTUGUESA por DOMINGOS CABRAL
(do livro com o mesmo título, a editar) 69 3º PARTE – CICLO SECÇÃO “PROBLEMA
POLICIAL” – DE A. ARAÚJO PEREIRA SEMANÁRIO JUVENIL “O MOSQUITO” Problema n° 21 O Inspector
Rosan fora convidado para um interessante passeio
náutico, por 2 amigos, proprietários duma chalupa a motor; numa enseada
solitária atracaram o barco, preparando–se para iniciar o ataque à refeição
que tinham trazido. Rosan acabou de abrir uma
garrafa de cerveja, quando 4 malfeitores, de armas em punho, apareceram sobre
as rochas, intimando–os a levantar os braços. Uma profunda emoção se apoderou
dos dois amigos de Rosan, mas este não perdeu a
presença de espírito. Os bandoleiros revistaram minuciosamente a chalupa e os
três tripulantes, tendo levado todos os objectos
que encontraram. Quando os bandidos se
afastaram, Rosan disse: – Não perdi tudo, ainda
consegui salvar o meu precioso anel de brilhantes… Como conseguiu Rosan salvar o anel se os malfeitores tudo levaram,
rebuscando minuciosamente todos os cantos da embarcação? * * * Problema n° 22 – Meu caro Rosan,
não sei como hei–de resolver este problema; tenho absoluta confiança no
Joaquim, mas não posso dizer o mesmo do Manuel e embora o carregamento não
seja muito precioso, – trata–se de 100 pares de sapatos, – gostaria de ter a
certeza de que a encomenda chegará ao seu destino. O carregamento terá que
ser dividido entre os dois carregadores, pois só Joaquim não pode. Que me
aconselha? Rosan pensou durante 2
minutos e deu ao industrial em apuros, que o consultara, um conselho: – Boa ideia, e eu que
não me tinha lembrado dela! – exclamou aquele, radiante. Qual foi o conselho que
o Inspector Rosan deu? * * * Solução do
problema nº 21 Rosan enfiou o anel de
brilhantes na rolha da garrafa que acabara de abrir. Depois lançou–a à água.
Quando os malfeitores se afastaram não teve mais trabalho do que pescar a
rolha que boiava ao sabor das ondas… (NOTA DA “PÁGINA”: Como é evidente, esta
solução não podia constituir hoje a resposta aceitável para o problema em
causa, uma vez que as tampas das garrafas de cerveja (vulgo caricas) por
serem metálicas não flutuam na água. Mas não se esqueça que o problema data
de 1935, quando as tampas assim não eram…) Solução do
problema nº 22 O conselho de Rosan foi que separasse os pares de sapatos de forma que
um dos carregadores levasse somente sapatos do pé direito e o outro os do pé
esquerdo. Assim não haveria perigo de furto por parte do carregador de quem
se desconfiava. * * * TEMA: AUTORES PORTUGUESES DE LIVROS POLICIÁRIOS, SOB PSEUDÓNIMO I – AUTOR: MÁRIO
DOMINGUES Por: RAUL RIBEIRO Mário José Domingues, ou
simplesmente MÁRIO DOMINGUES, escritor de raça negra nascido na ilha do
Príncipe, na Roça infante D. Henrique, em 3 de Junho
de 1899 e falecido, em Lisboa, no dia 24 de Março de 1977, é um dos maiores
testemunhos em como são enormidades e parvoíces racistas as teses que
defendem ser a raça negra uma raça de pessoas cujo grau de inteligência é
inferior ao da raça branca.
A maior parte destas
reportagens foi publicada no semanário “Detective”
de que foi um dos fundadores em 1932 e director.
Trabalhou também como jornalista no semanário “Repórter X”, do seu amigo
Reinaldo Ferreira, igualmente como ele, jornalista e escritor policial. Como historiador, a sua
obra é notável. Escreveu biografias das figuras mais importantes da nossa
História, bem como de outros grandes vultos da História Mundial, e, não raras
vezes, introduziu elementos novos, fruto não só da sua laboriosa consulta nas
obras que lhe serviam de suporte, mas também da sua extraordinária capacidade
de raciocínio lógico e analítico, sempre presentes nos seus livros de
temática policiária. Como escritor de ficção,
escreveu vários romances, de que se destaca “O Preto do Charleston” (1930).
No que diz respeito à literatura juvenil, escreveu, pelo menos, pseudónimos
da dupla Henry Dalton/Philip Gay vários romances. Aquando das suas famosas
reportagens enquanto director do semanário “Detective”, familiarizou–se com os assuntos de carácter
policial, e, a experiência então adquirida ajudou–o a escrever dezenas e
dezenas de romances policiais sob vários pseudónimos. A sua primeira novela
policial, “O Homem Sem Boca”, apareceu na colecção
“Novela Policial”, de Reinaldo Ferreira, e por condicionalismos de espaço
terá ficado incompleta. Anos depois, no “ABC Policial" n° 1”, do Dr.
Artur Varatojo, Mário Domingues dá o final lógico a essa novela. Sob o seu nome escreveu
igualmente um romance policial: “O Crime de Sintra”, que foi incluído na colecção “Detective”, onde
ainda esteve anunciado outro romance que não chegou a aparecer. No entanto,
sob pseudónimos vários Mário Domingues escreveu dezenas de problemas
policiários. Alguns desses pseudónimos são conhecidos, mas há ainda imensos
que continuam no desconhecimento público. Jornalista, ensaísta,
romancista e tradutor, publicou mais de 200 obras, com destaque para temas de
História ou Biográficos, e de Aventuras e Policiários, é hoje um escritor
quase desconhecido e injustamente ignorado. Para bem da literatura
policial e até da cultura portuguesa, seria bom que fosse dado público
conhecimento de todos os outros pseudónimos de Mário Domingues. Os mais conhecidos são
os seguintes: –
Fred Criswell –
Henry Jackson –
James Black –
Joe Waterman –
Marcel Durand –
Max Felton –
Nelson Mackay –
Peter O'Brion –
Thomas Birch –
Henry Dalton & Philip Dalton –
Fernand D'Almiro –
F. Hopkiin –
W Skeary –
James Strong –
J. W. Powell –
John Ferguson –
Max Felton –
Max Parker –
Nelson Mackay –
Wikkian O'Brown – Repórter Mistério, – Entre muitos outros. II – SOB O
SEU NOME: ? – O Homem Sem Boca 1926 – Uma Tragédia
Mesquinha 1938 – O Crime de Sintra III – Sob o
pseudónimo de FRED CRISWELL: 1937 – O Salteador de
Mulheres ? – O Acusador Invisível ? – A Vingança do
Legionário IV – Sob o
pseudónimo de HENRY JACKSON: 1937 – O Polícia Demónio 1937 – Quem Paga o
Cheque? 1940 – O Último Gangster ? – Os Brilhantes Falsos ? – O Engenhoso Alibi V – Sob o
pseudónimo de JAMES BLACK: 1937 – O Suicídio É
Inevitável 1937 – O Homem Réptil 1838 – O Segredo do
Índio 1941 – A Tragédia do
Palhaço ? – No Gang entra Uma
Mulher ? – A Marca do Degredo VI – Sob o
pseudónimo de JOE WATERMAN: 1837 – O contrabando de
Mulheres 1942 – A Seita Tenebrosa ? – Rivais Frente a
Frente VII – Sob o
pseudónimo de MARCEL DURAND: 1838 – O Degredado da
Guitarra 1843 – Um homem
Aniquilado VIII – Sob o
pseudónimo de MAX FELTON: 1942 – A Esfera
Misteriosa 1945 – Meia Noite e Doze IX – Sob o
pseudónimo de NELSON MCKAY: 1937 – O Colar da
Felicidade 1937 – O Crime da Louca 1941– O Cão Polícia ? – A Casa Blindada ? – A Reportagem Fatal X – Sob o
pseudónimo de PETER OLRION: 1944 – Pegadas no
Caminho XI – Sob o
pseudónimo de THOMAS BIRCH: 1937 – O Brinquedo
Trágico 1938 – Na Cadeira Eléctrica 1942 – O Punhal
Envenenado ? – Eis a Prova XII – Sob o
pseudónimo de W. JOELSON: – O Rapto de Miss Damby – Os Forçados da Ilha
Sem Nome – Um Crime nas Ruas de
Nova Iorque – O Tenebroso Mistério
do Bairro Chinês – A Mulher Jogada aos
Dados – A História Sem Nome
dum Homem Sem Pernas – O Clube dos Gangsters – Um grito no 65° Andar – A Dança do Sabre – O Mercador do Crime – O Navio Sem Pátria – O Penitenciário 1022 – Chang Contra Savil – Uma Batalha no
Pacífico – Gregor
Mão de Ferro – O Bruxo do Oriente – Savil
Contra Savil – A Vingança de Chang – Um Golpe à Traição – A Última Proeza de Savil XIII –
Algumas das suas obras sobre figuras da História: 1951 – A Vida Grandiosa
do Condestável 1952 – O Drama e a
Glória do Padre António Vieira 1955 – O Marquês de
Pombal, o Homem e a sua Época 1960 – Fernão Mendes
Pinto XIV – Outras
(das suas muitas) obras de ficção: 1922 – Hugo, o Pintor 1923 – Delicioso Pecado 1923 – A Audácia de um
Tímido 1928 – Anastácio José 1926 – Entre Vinhedos e
Pomares 1930 – O Preto de
Charleston 1948 – O Cavaleiro, o
Monge e o Outro 1969 – O Menino entre
Gigantes e muitas outras num total de mais de 200 títulos, pelo que foi
considerado o escritor mais fecundo da língua portuguesa. A 10 de Julho de 1970,
foi agraciado com o grau de Oficial da Ordem Militar de Sant'Tiago da Espada.
Fontes: Secção Correio Policial, 7 de Janeiro de 2022 | Domingos Cabral Blogue Repórter de
Ocasião, 15 de Outubro de 2026
| Luís Rodrigues |
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© DANIEL FALCÃO |
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