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22 de Março
de 1957. É publicado, na revista “Flama”, o 1º número da Secção “O Gosto do
Mistério…”, orientada por Jartur – curiosamente, por lapso tipográfico,
identificado como “Mr. Dartur”. Domingos
Cabral, com 15 anos completados recentemente, responde ao problema naquela
inserido – “O Táxi Misterioso”, transformando, assim, em “casamento” o
“namoro” que à modalidade vinha fazendo há algum tempo, através do contacto
com a Secção do “Mundo de Aventuras”, de que era leitor há alguns anos. Sabendo,
por isso, que era habitual o uso de pseudónimo, e perante a dificuldade que
sentiu na escolha, rápida, de um, acabou, por associação, por perfilhar o
“Inspector Aranha”. É que, naquele problema, o investigador (Marcos Dias),
concebido pelo Autor (Jartur), após resolver o caso, dirige–se para o “Clube
do Aranhiço”. Escolha pouco feliz, de facto, já que ninguém inicia a
construção de um edifício pelo telhado e o principiante começava, nada
modestamente, por se designar “Inspector”… De qualquer forma, iniciou–se,
assim, um longo caminho… In Mundo dos Passatempos, 1 de Setembro de 2007 Correio Policial, 14 de Janeiro de 2022 |
PRIMÓRDIOS DA PROBLEMÍSTICA POLICIÁRIA PORTUGUESA por DOMINGOS CABRAL
(do livro com o mesmo título, a editar) 70 3º PARTE – CICLO SECÇÃO “PROBLEMA
POLICIAL” – DE A. ARAÚJO PEREIRA SEMANÁRIO JUVENIL “O MOSQUITO” Problema n° 23 Dois caixas de um Banco
tinham fugido com o dinheiro. A polícia encontrara a pista dos fugitivos à
beira-mar, graças a uma agenda que um dos fugitivos perdera na precipitada
fuga. Toda a região foi cercada por um cordão de agentes e as marcas
encontradas na areia foram examinadas. Eram de dois pés grandes e dois pés
pequenos. Essas pegadas partiam de uma vivenda e terminavam num precipício
sobre o mar. Nenhum rasto havia do regresso. Os agentes concluíram haver sido
suicídio e decidiram pesquisar a costa, aguardando que o mar devolvesse os
dois cadáveres. Chamado Rosan, este não foi da mesma opinião. Observou que os
passos correspondentes às pegadas grandes eram mais curtos do que os que
correspondiam às pegadas pequenas, e que a pegada grande era muito mais
profunda na biqueira enquanto que pelo contrário a pegada pequena era mais
marcada no calcanhar. E apesar de não encontrar pegadas no sentido inverso
concluiu que nenhum se tinha suicidado. PORQUÊ? * * * Problema n° 24 Olga diz a Armando, seu
noivo, que vai sair, mas este suspeita dela e segue-a. Olga toma um táxi, mas
Armando chama um outro carro dando ao motorista ordem de seguir o táxi onde
vai a noiva. À porta dum jardim
zoológico o táxi pára e dirige-se a um homem que a abraça. As suspeitas de Armando
parecem justificar-se; ele conhece o homem que abraçou Olga É o violinista
Jorge Capuzzo. Às 22,30 Armando observa
o corpo inanimado de Capuzzo e chama a polícia. O Inspector Rosan parte para
o local da tragédia. Rosan examina
minuciosamente o violino de Jorge no qual as cordas estão colocadas no
sentido inverso do normal. Armando declara: Mostrou-se demasiadamente íntimo com a minha noiva e vim dizer-lhe que desejava ver essas relações acabadas. Ofendeu-me. Brigámos e ao vê-lo de pistola em punho para me alvejar, agredi-o com o espevitador do fogão. Foi em legítima defesa. Como vê ainda tem na mão a pistola com que me ameaçava. – O senhor mente – disse
Rosan, – queira acompanhar-me. Qual foi o facto que
assegurou a Rosan que Armando mentira? * * * Solução do
problema nº 23 Só tinha estado no local
o homem das pegadas pequenas. Calçando os seus próprios sapatos, que deixara
à beira-mar com a agenda que devia gerar a falsa interpretação do suicídio, e
que, ao regressar tinha calçado um par de sapatos do companheiro, que
trouxera consigo, caminhando a recuar, (daí os passos do regresso serem mais
curtos). Solução do
problema nº 24 Rosan observou que as
cordas do violino estavam colocadas ao contrário. Portanto o violinista
Consegni era canhoto. Assim, a pistola
colocada na mão direita da vítima traiu o criminoso. NOTA: Este problema saiu
primitivamente ilustrado por seis fotos, que facilitavam a sua decifração.
Todavia, as cópias que da sua publicação possuímos não possuem a qualidade de
nitidez que permitam hoje a sua reprodução, como já aconteceu em dois casos
anteriores. Ainda assim reproduzimos o texto, para não prejudicar a sequência
da série. * * * AUTORES PORTUGUESES DE LIVROS POLICIÁRIOS, SOB PSEUDÓNIMO I Autor: JORGE ATILANO DOS
REIS AMBRÓSIO Pseudónimo: JORGE REIS Livro: MATAI-VOS
UNS AOS OUTROS
Jorge Atilano dos Reis
Ambrósio nasceu em Vila Franca de Xira, em 1926, tendo falecido em 2005. Viveu em França muitos
anos, onde desenvolveu intensa actividade intelectual, nomeadamente nas áreas
literária e política. Iniciou a actividade
literária na Gazeta de Coimbra e na Gazeta Vértice, e a sua estreia no
policiário dá-se com este "Matai-vos Uns Aos Outros. Em 1983 foi galardoado
com o título de Comendador da “Ordem de Infante D. Henrique”. * * * II Autor: LUÍS CAMPOS Pseudónimo:
FRANK GOLD
Licenciou-se em Ciência
Físico-Químicas pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, iniciou
a sua carreira profissional no Centro Nacional de Estudos Vitivinícolas e
doutorou-se em Ciências Química Orgânica também pela Universidade de Lisboa.
Foi pintor (expôs trabalhos em várias exposições, com realce para a que fez
na Faculdade de Ciências Agronómicas de Gembloux, na Bélgica), compôs
músicas, com particular incidência no Jazz, onde chegou a ter algum sucesso
no HOT CLUBE, e um fundo musical para um filme português, foi autor de uma
série televisiva de particular sucesso, etc, etc. Principais obras
policiais: 1 – Caso de Morte
(1965): Colecção Policial de Bolso, Agência Internacional de Livraria e
Publicações. Em co-autoria com George McOrwell (pseudónimo de Jorge Curvelo). 2 – Madrugada Depois da
Morte (1965); nº 1 Colecção Policial de Bolso, Agência Internacional de
Livraria e Publicações. 3 – A Mulher, de Hong–Kong
(1965); nº 6 Colecção Policial de Bolso, Agência Internacional de Livraria e
Publicações. Reedição em 1982; n° 14 Colecção Livros de Bolso, Publicações
Europa-América. 4 – Longa É a Noite; nº
12 Colecção Policial de Bolso – Agência Internacional de Livraria e
Publicações. Reedição em 1984: nº 29 – Colecção Livros de Bolso – Clube do
Crime – Publicações Europa-América. 5 – Trânsito em Saigão
(1967), nº 7 –Colecção Confidencial; Luís S. Campos. 6 – A Rapariga de Tânger
(1982), nº 9 Colecção Livros de Bolso – Clube do Crime; Publicações Europa-América. 7 – A Dama de Singapura
(1983), nº 21 Colecção Livros de Bolso – Clube do Crime – Publicações EuropaAmérica; 8 – Eu, Ross Pynn
(1986), nº 6 Colecção Livro de Bolso Especial – Europress.
1 – Gata Em Noite de
Chuva (1982), nº 1 Colecção Bolso Noite Especial, Europress; 2 – Viver Sem Trabalhar
Num País à Beira Mar (1983), Europress; 3 – Fogo (1983), nº 1
Colecção Bolso Noite, Europress; 4 – As Aventuras de
Barney, o Aldrabão (1983). Colecção Bolso Noite Especial – Europress; 5 – Beabá da Malandragem
(1984) – Europress; 6 – A Morte Indecente de
Mónica B (1983), nº 12, Colecção Bolso Noite. Europress; 7 – Caso de Morte
(1984), nº 18 Colecção Bolso Noite, Europress (Em co-autoria com Jorge
Curvelo). Este livro foi publicado originalmente por Edições de Bolso, tendo
os autores utilizado então os pseudónimos Frank Gold e George McOrwell e por
razões comerciais, alterado o texto de modo a enquadrar a acção fora de
Portugal. A presente edição respeita o manuscrito original. 8 – O Estripador de
Lisboa (1984), nº 22 Colecção Bolso Noite, Europress. (*) 9 – As Donzelas da Noite
(1989), nº 31 Colecção Bolso Noite, Europress. Luís Campos coordenou
ainda uma antologia de contos policiais, nº 23 da Colecção Bolso Noite,
editado pela Europress em 1985, com o título “13 Obras-Primas do Conto
Policial”, onde foram reunidos contos de grandes autores policiais de várias
nacionalidades, incluindo portugueses. (*) Este seu livro (O
Estripador de Lisboa) viria a causar-lhe significativos dissabores,
porquanto, oito anos após a sua publicação, ocorreram os crimes da Póvoa de
Santo Adrião (que na nossa história criminal ficaram também conhecidos por “O
Estripador de Lisboa”, “por serem evidentes as muitas coincidências entre a
intriga do romance e a realidade então investigada. Duas hipóteses surgiam
como viáveis: o assassino havia lido a obra de Luís Campos e imitava o protagonista,
ou o autor do livro colocara em prática aquilo que antes surgira na sua
imaginação”. Por insuficiência de
provas não, foi, todavia, acusado - nem ele nem mais ninguém, incluindo um
indivíduo que anos mais tarde se veio voluntariamente a apresentar à Polícia
Judiciária como tendo sido o criminoso – uma vez que, como é sobejamente
conhecido, este caso continua até hoje insolúvel (tal, curiosamente, como o
caso similar acontecido em Londres).
Fontes: Secção Correio Policial, 14 de
Janeiro de 2022 | Domingos Cabral Blogue Repórter de
Ocasião, 31 de Outubro de 2026 | Luís Rodrigues |
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© DANIEL FALCÃO |
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