INTRÓITO

Introdução e Ficha Técnica

Capítulo anterior:

FINAL 3. – MALDITA REFORMA | A. Raposo & Lena

 

 

CAPÍTULO FINAL 4.

DEFINIÇÃO DO QUE É UM SONHO

Onaírda

O sonho é uma experiência que possui significados distintos se for ampliado um debate que envolva religião, ciência e cultura.  Para a ciência, é uma experiência de imaginação do inconsciente durante nosso período de sono. Recentemente, descobriu-se que até os bebés no útero têm sono REM (movimentos rápidos dos olhos) e sonham, mas não se sabe com o quê. Em diversas tradições culturais e religiosas, o sonho aparece revestido de poderes premonitórios ou até mesmo de uma expansão da consciência.

Mas o que é verdade é que quem sonha não tem consciência do que faz, todos os actos são virtuais e inexistentes - a não ser por confirmação de verdades acontecidas – e, portanto, não se assacam culpas ao sonhador. Mas num plano ético e moral para ele, sonhador, ele é e será sempre o responsável pelos actos virtualmente realizados.

Foi em 1901, com a publicação de A Interpretação dos Sonhos, que Sigmund Freud (1856-1939) deu um carácter científico à matéria. Naquele polémico livro, Freud aproveita o que já havia sido publicado anteriormente e faz investidas completamente novas, definindo o conteúdo do sonho como “realização dos desejos”. Para o pai da psicanálise, no enredo onírico há o sentido manifesto (a fachada) e o sentido latente (o significado), este último realmente importante. A fachada seria um despiste do superego (o censor da psique, que escolhe o que se torna consciente ou não dos conteúdos inconscientes), enquanto o sentido latente, por meio da interpretação simbólica, revelaria o desejo do sonhador por trás dos aparentes absurdos da narrativa.

Assim para este vosso(a) solucionista, Tempicos o sonhador em causa é o responsável pela morte do banqueiro.

Como veículo transportador das acções sonhadoras de Tempicos foi e é a Detective Jeremias (xeque até nem sei se serei eu) será conivente neste crime.

Mas como tudo foi um sonho, logo não houve qualquer crime real e, portanto, Tempicos e Detective Jeremias ficam ilibados do mesmo. Mas fica uma cruel verdade. Onaírda em vez de se calar muito bem caladinho, resolveu dar à luz este crime inexistente num blogue com muita audiência. Para além de ser um fala-barato, torna-se o único culpado deste crime. E tem como agravante contra si o facto de já ter sido suspeito da morte da Nelinha no Museu de Teatro em Lisboa.

* * *

As poesias de Tempicos, que ficou feliz com esta solução (?)

 

Há dias em que tudo é descanso.

Há tardes douradas

Em que Tempicos teima em mostrar

Que ali a natureza é dádiva

E deslumbramento.

Tem noites em que a luminosidade

De estrelas já desaparecidas, insiste

Em entrar na retina.

Há dias, há tardes e há noites.

Há o verde, o horizonte,

A trilha, a mata.

Há deuses para nos dizer

Que a vida é dádiva, é dor, é dúvida

E histórias para nos encantar

Que a vida é mistério, festa e fantasia.

 

Fontes:

Blogue Repórter de Ocasião, 6 de Junho de 2026

TRIÂNGULO EQUILÁTERO – Uma História de Faca e Alguidar, Edições Fora da Lei, Ano de 2011

 

© DANIEL FALCÃO