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DEFINIÇÃO
DO QUE É UM SONHO | Onaírda |
CAPÍTULO FINAL 3. MALDITA REFORMA A. Raposo & Lena
Tudo lhe parecia claro no que se refere às três
principais suspeitas. Todas elas reuniam condições e vontade de limpar o
“sebo” ao banqueiro. J tinha feito muitos inimigos ao longo da vida,
mas aquelas três senhoras tinham sido das mais prejudicadas. Não admira que
tivesse levado o golpe na garganta à beira da piscina. A análise da parte técnica pouco adiantara ao
caso. Quem o matou utilizou arma cortante e super afiada. O golpe fora
profundo e cortara a carótida com a maior facilidade. A morte fora breve e
sangrenta. O empurrãozinho para dentro da piscina, qualquer um podia dar… Tempicos relembrou a viúva H que o contactara no
bar Goliardos ali à Praça da Alegria, onde a conhecera entre uma dentada num
queijinho de Niza e um copinho de tinto. Tempicos conhecia bem a zona. Fazia
muitas noitadas no HOT CLUB a tocar bateria quando cá vinha o Louis
Armstrong, seu grande amigo. Madame H era uma boa “lasca”. Esbelta, saltos
altíssimos, tez morena e uns longos cabelos deslizantes um andar sensual e
uma roupa de cabedal cor de azeviche. Uma peitaça saliente e empreendedora implantada
nuns ombros largos e atléticos. Idade indefinida, mas ainda nos “intas”. Uma
boca de lábios tugidos de um arroxeado só possível de obter através de algum
“baton” misterioso. Parecia a heroína de uma banda desenhada de Hugo
Pratt.
Uma viúva à sua maneira. Que daria luta. Mas de
momento era o enigma que havia que descobrir. Quem matou J. Era aí que teria que se aplicar. Tempicos após uma leitura cuidadosa de todo o
material na sua posse, acabou por concluir que uma mulher tinha tido a grande
hipótese de obter a adaga afiada e de aço fino. Foi em Espanha, mais
precisamente na cidade de Toledo, grande especialista em aços e navalhas, que
Margarida recebeu o telefonema da sua amiga Madame H. No telefonema estaria a
“encomenda” da arma. Havia um registo de telefonemas entre Madame H e
Margarida de e para Toledo. Uma informação que estava na papelada da P.J. que
aparentemente não teria importância. Não havendo confissões, nem gravações de
conversas havidas difícil se tornaria instruir o processo e a respectiva
acusação. Tempicos tinha que forçar a sorte. Seguir o seu
feeling. Tal como um conhecido político, raramente falhava ou se enganava. Tinha que obter a prova testemunhal através da
confissão do culpado. Sem utilizar a força nem violência. Não eram os seus
métodos. Resolveu meter-se no carro e rumar a Cascais.
Mais precisamente à Quinta da Bicuda à mansão da viúva H. E assim fez: pôs-se
a caminho. Apercebeu-se ao chegar perto da vivenda, que
Madame H ia a sair entrando num carro. Ao volante ia outra mulher que não
conseguiu reconhecer. Parecia-lhe alguém de quem já vira a foto. Parou o carro mais à frente e circundou a pé a
vivenda. Nas traseiras saltou o murete de protecção e aproximou-se da
piscina. Rodeou o pavimento e utilizando uma adequada gazua que trazia sempre
consigo, entrou na sala. Atravessou a sala e dirigiu-se ao quarto de
Madame H e enfiou-se dentro do roupeiro. Encontrou a um canto um lugar
confortável e sentou-se à espera. Uma frincha dava-lhe ângulo de visão dos
pés da cama. Era o suficiente. Esperou umas boas horas e, entretanto, ali no
escuro lembrou-se da cara da senhora que transportara no carro madame H. Era
uma das três damas roubadas por J. Qual delas? Já passava da meia-noite quando um ruído de um
carro se fez ouvir a entrar na garagem da vivenda. Depois foi o abrir da
porta do quarto e a surpresa. Madame H e uma outra senhora entraram no quarto e
pelos vistos vinham para dormir Para Tempicos as coisas começavam a cheirar a
esturro. Era a experiência que lhe segredava. Um diálogo entrecortado por breves gargalhadas
deu a Tempicos o indício que já esperava: “Agora que o porco foi morto podemos finalmente
gozar a vida à conta dele!” A Tempicos pareceu-lhe ser a voz da madame H.
Logo a seguir a outra ripostou: “Naquela excursão a Madrid não estava previsto a
paragem em Toledo, mas logo que a camioneta lá parou lembrei-me da tua encomenda,
uma faca afiadinha boa para matar o porco!”(Risos)
Tempicos gravou todo aquele diálogo. Sabia que estava a fazer uma
ilegalidade. Mas era uma forma de obter resultados que de outro modo não
conseguiria. Deixou as senhoras a despir a roupa e a entrar na
cama. Só depois saltou do armário e saudou o pessoal: “Olá, minhas flores! Sabeis que o que disseram
foi por mim devidamente gravado. Agora terão que vir comigo, até à
Judiciaria.” As duas cabecinhas que espreitavam na cama não
eram outras senão a Madame H e a sua amiga Margarida. “Podem vestir-se que eu viro-me
de costas. Não quero intimidades, apesar da fama e das más-línguas. Além
disso abomino mulheres que em termos de hormonas abusam da testosterona, * * * Um forte toque de campainha acordou Tempicos
estremunhado. Eram já 8 horas de segunda-feira. Havia que picar o ponto e
assistir a uma reunião às 9 horas na Sede da Judiciária. Maldita reforma que tardava a chegar… Fontes: Blogue Repórter de
Ocasião, 31 de Maio de 2026 TRIÂNGULO EQUILÁTERO – Uma História de Faca e
Alguidar, Edições Fora da Lei, Ano de 2011 |
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© DANIEL FALCÃO |
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