Regulamento

Capítulo 1

Capítulo 1 (propostas)

A. Raposo

Inspector Huga Booga

Inspector Moka

JPenatra

 

 

 

 

 

 

 

 

PASSATEMPO DE ESCRITA POLICIAL

CAPÍTULO 1

Proposta de Inspector Huga Booga

Gertrudes Gonzaga, a GG – leia-se Grande Gaja – da Mouraria, que durante as duas últimas décadas imperou nas ruas do Benformoso, do Capelão e da Guia, dando volta à cabeça e à carteira dos homens que procuram na noite dos desamores momentos fugazes de paixão e disputando com as mulheres da sociedade mais in os favores dos homens mais ricos e poderosos do jet set nacional, apareceu esta manhã, por volta das oito horas, morta à porta de uma casa de penhores do Bairro Alto, alvejada com vários tiros no peito.

Tudo indica que GG terá sido vítima de crime passional e há quem suspeite do seu actual namorado, um jovem desempregado e alcoólico que dá pela alcunha de “Seca Adegas” e que ultimamente tem provocado diversas cenas de violência nas casas de alterne que ela frequentava quase assiduamente, talvez movido por ciúmes ferozes e doentios que a mistura explosiva de álcool e droga não deixa controlar.

Irene, a coxa do Intendente, tem outras suspeitas. Ela acha que o crime poderá ter sido cometido por uma tal Genoveva, uma senhora de nome firmado na alta sociedade, que trafica cunhas e influências no mercado financeiro a troco de favores sexuais de jovens meninas universitárias, e que entrou recentemente em disputa com a GG por causa de um cavalheiro banqueiro que dá pelo “petit nom” de Jójó.

Marieta, discípula dilecta de GG, tem outra opinião: segundo ela, a sua amiga e mestre na arte da sedução e do amor terá sido vítima de um ajuste de contas de uma rede de traficantes de carne branca, com origem nos países do leste europeu, liderada por um tal Ivanov, que há muito vem ameaçando GG de morte por esta se recusar a receber no seio da sua organização de “acompanhantes para todo o serviço” um grupo de quatro jovens ucranianas recém chegadas ao nosso país clandestinamente.

Enquanto se aguarda o veredicto da Polícia, que só agora tomou conta da ocorrência, uma coisa parece certa: o móbil do crime não terá sido o roubo porque na mala de mão da GG estão várias jóias de grande valor, que, supõe-se, ela pretenderia empenhar por uns tempos para ultrapassar dificuldades financeiras momentâneas…

 

Fonte:

Blogue Local do Crime, 21 de Outubro de 2003

 

© DANIEL FALCÃO