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ACIDENTE MISTERIOSO| Rigor Mortis CONCURSO
DE ENIGMAS POLICIÁRIOS (PRODUÇÃO) "MÃOS À ESCRITA!" – 2026 |
TORNEIO DE
DECIFRAÇÃO DE ENIGMAS POLICIÁRIOS “SOLUÇÃO À VISTA!”
– 2026 PROBLEMA Nº 6 ACIDENTE
MISTERIOSO Autor: Rigor Mortis O inspetor Tiago Rodrigues sentou-se
confortavelmente na sua poltrona favorita e cruzou as pernas, mirando a
sobrinha, Júlia, sentada à sua frente. Como sempre, Júlia tinha-se mostrado
imensamente interessada na descrição que o tio lhe tinha feito do seu último
caso, a morte de um homem para os lados de Estremoz. Esse homem, Custódio
Ramires de seu nome, abastado industrial da construção civil, tinha acumulado
uma considerável fortuna adquirindo habitações devolutas, recuperando-as
cuidadosamente e vendendo-as a seguir. Viúvo há mais de uma década, vivia
numa casa nos arredores de Estremoz, próximo de uma das várias pedreiras de
mármore da região, com duas filhas na casa dos vintes, Rita e Amélia, uma
espécie de “mordomo de família” – Frederico, filho de famílias pobres, que o
acompanhava há décadas, desde que ambos tinham servido no Exército, na guerra
colonial, onde cada um tinha salvo várias vezes a
vida ao outro – e uma cozinheira que trabalhava todo o dia lá em casa, mas de
facto habitava na sua própria casa, na vila vizinha. – Apesar dos seus setenta e tal anos, o Custódio
tinha boa saúde e mantinha uma vida bem ativa – disse o inspetor. No dia em
que veio a morrer, tinha saído sozinho de casa a conduzir o seu carro, um
Volvo com uns anos, mas em excelente estado, logo de manhã cedo, para se
dirigir a Coimbra, onde iria observar as obras que estava a fazer para
recuperação de uma enorme vivenda nos arredores. Foi nessa viagem, a poucos
quilómetros de casa, que teve o acidente fatal. Por razões que se
desconhecem, de facto, perdeu o controlo da viatura quando seguia por uma
estrada mesmo ao lado de uma grande pedreira de mármore. O carro galgou o
frágil muro que delimita a estrada e precipitou-se pela pedreira abaixo,
acabando totalmente destruído. – Mas não ia em excesso de velocidade, pois não? –
perguntou a Júlia. – Nada na estrada dava a entender que pudesse ir a
grande velocidade. E não havia quaisquer marcas de travagem ou de derrapagem.
Foi como se o condutor o tivesse dirigido diretamente contra o muro
limítrofe. Tudo ainda mais estranho porque o Custódio conhecia perfeitamente
aquela estrada, por onde passava sempre que precisava de ir a Coimbra, ou a
Lisboa, o que era no mínimo uma vez por semana. – Não havia nada de suspeito com o carro? – Não. Mau grado o estado em que estava, a Polícia
investigou cuidadosamente o veículo, claro, e não encontrou nada de errado
nem com os travões, nem com a direção. – Suicídio? Embriaguez? – questionou
a Júlia. – Totalmente implausível. O Custódio Ramires não
bebia álcool, de todo. Estava bem da vida, profissional e economicamente, e
tinha excelente saúde, aparte uns problemas de asma que o afligiam ao
acordar. Mas umas inalações receitadas pelo médico dele resolviam o problema,
pondo-o em condições para o resto do dia. Assim mo disseram quer o mordomo,
quer as filhas. Tinha sempre a respetiva máquina na mesa de
cabeceira, preparando ele próprio a mistura dos medicamentos
receitados pelo médico pessoal, ao deitar-se, deixando tudo pronto para poder
fazer as inalações assim que acordava, usando o bocal que se adaptava sobre a
boca e o nariz, ainda deitado. Era uma mistura de líquidos e uma pastilha que
se dissolvia nesse líquido durante a noite. – Algo de especial aconteceu nessa manhã? – Nada, novamente segundo o mordomo e as filhas.
De facto, eles referiram-me que nessa manhã o Custódio até estaria
particularmente eufórico, tendo-se despedido entusiasticamente de todos,
apesar de planear regressar ainda nessa noite. – Porquê tanta euforia?... – Perguntei exatamente isso ao mordomo… Ele
disse-me que o Custódio estava muito feliz por ter resolvido a questão do seu
testamento. Dois dias antes tinha-lhes dito que já o tinha assinado, e que
deixava a casa onde viviam e meio milhão de euros ao Frederico, e o resto da
sua fortuna às filhas, dividido igualmente pelas duas. Qualquer coisa como
seis ou sete milhões de euros para cada uma… Além disso, segundo ele, as
obras em Coimbra estavam a correr muito bem, e ele estaria em condições de
vender a vivenda recuperada dentro de um par de meses, talvez por uns três
milhões de euros. – Dinheiro aos montes… –
comentou a Júlia. E ficaram todos satisfeitos com as decisões testamentárias? – O Frederico estava muito pesaroso com a morte do
seu patrão e amigo, mas mais que satisfeito com isso, visivelmente! Segundo
ele, as filhas do Custódio não ligavam grande coisa ao dinheiro, habituadas
como estavam a viver abastadamente. Eram boas pessoas, ainda que com os seus
pecadilhos, disse ele. A Rita, a mais velha, tremendamente extrovertida,
tinha um problema de vício de jogo e já tinha atingido o limite de crédito
que o pai tinha negociado com o Casino de Lisboa. Cinquenta mil euros… O
assunto fora discutido ao jantar, um par de semanas antes, e o Custódio terá
dito que iria liquidar essa dívida junto do Casino, desde que ela lhe
prometesse não mais chegar ao limite daquele crédito. Aparentemente, segundo
o Frederico, não iria ser grande problema, porque a Rita estava noiva de um
milionário daquela zona, e o casamento até já estava marcado para o mês que
vem… E como os dois eram jogadores… Ao que parece, a Amélia será bem mais
introvertida que a irmã, talvez até sorumbática. O seu pecadilho serão as
roupas… Segundo o Frederico, o guarda-vestidos dela daria para várias
mulheres… Já terá tido um par de namorados, mas com nenhum deles terá chegado
ao ponto de pensar em casar. – O “caso” parece de facto muito linear, tio.
Porque é que os foste interrogar, se parecia tratar-se de um mero acidente
rodoviário? – O oficial da Polícia que tomou conta do caso é
meu amigo de longa data. Aproveitando eu estar em Vila Viçosa, almoçámos
juntos uns dias depois do acidente. Ele estava tão intrigado com o facto de
não haver nenhuns sinais de travagem ou derrapagem do carro na estrada, que
lhe propus irmos os dois conversar com as filhas e o mordomo. No fim dessa
conversa, quando nos despedimos, deixei-o muito mais descansado, concluindo
os dois que tudo tinha sido, como dizes, um simples acidente rodoviário,
ainda que infeliz. – Bom, tio, talvez… – disse a Júlia com ar
circunspecto. Ou talvez não… – Que queres dizer com isso?! – Acho que o “acidente” pode ter sido “provocado”
por algum deles… Não diretamente, claro, mas pondo o Custódio num estado de
espírito propício a que ele viesse a acontecer… – Estás a pensar em algum deles, em concreto?! – De facto, estou… E, caro Leitor, que acha você? Poderá ter sido
como diz a Júlia? E como é que aquele dos três que o tenha feito, de facto
terá conseguido que o Custódio ficasse nesse “estado de espírito”? E qual
deles poderá ter sido? As propostas
de solução devem ser enviadas até ao dia 30 de Junho, por um dos seguintes
meios: a) por
email, através do endereço eletrónico: salvadorsantos949@gmail.com; b) por
correio, através do endereço postal: Salvador Santos / Rua Quinta do Modelo,
40 / 2820-261 Charneca de Caparica; c) entregando em mão própria ao orientador da secção, onde quer que o encontrem. |
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© DANIEL FALCÃO |
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