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FINAL de Inspector Boavida |
EPISÓDIO FINAL DE ONAÍRDA
Temos inteira confiança nos processos habituais
do escritor autor do 7º episódio “Santi regresso ao
passado” Portanto é muito natural que tenha a maior veracidade o que ele
descreve na parte final desse episódio. …Um homem sai do Bosque correndo em direcção ao Castelo. Era Tempicos!
Voz rouca e profunda. Algum tremor na garganta: Acudam, acudam! O Marquês está
morto!! Mataram o Marquês!!!....... Faço uma imagem virtual da situação e ao ver Tempicos a correr afogueado, não fico arrependido de lhe
ter posto o cabeçalho de “O Detective Tempicos volta a atacar”. Se olharmos para o passado do Detective Tempicos temos uma
noção mais exacta das suas diatribes. Conferindo
alguns excertos de textos de sua autoria, facilmente se chega à conclusão de
que Tempicos é um mestre em forjar situações
dúbias, falsas e pouco prováveis de acontecer. Olhamos então para esses
excertos. TEMPICOS DE RASTOS (Prova nº 5. Campeonato
Nacional 2004/2005) …Aproveitaram o dia de folga da empregada de Tempicos, um dia por semana, sempre à quinta-feira. Tempicos tivera a companhia de Kátia
Vanessa, a filha da falecida Nelinha, que se finara no Museu do Teatro em
Maio passado, acontecimento que veio publicado na imprensa cor-de-rosa e
noticiado por essa Europa fora. Porém, a maldosa influência dos outros
padrinhos da menina (Onaírda, Nove e Zé-Viseu)
levou a que ela fugisse de casa para lugar incerto, mas provável, que se
calcula seja a adega de um dos padrinhos. Agora Tempicos
estava sozinho e muito mais vulnerável… CRIMOCÍDIO (Prova nº 3. Campeonato Nacional
2006/2007) …Vou explicar-lhe como vou fazer o suicídio e
necessito o favor da sua preciosa colaboração. Na minha casa de campo em
Palmela, tenho junto à janela do meu escritório uma macieira, frondosa, que
não fica a mais de três metros da janela. Farei da seguinte forma: ato um
elástico forte ao tronco e estico até à minha secretária. Com a janela
aberta, obviamente. Disparo na têmpora e a arma vai-se embrenhar nas ervas
altas que rodeiam o pé da macieira. Ficando no meio delas, escondida. Já fiz
alguns testes e parece que resulta (é claro que não disparei a arma)… NELINHA: UMA ESTRELA NO CÉU (Prova nº 5.
Campeonato Nacional 2007/08) …Esta é mais uma história escabrosa do conhecido detective Tempicos Tenho vindo
a sofrer muito, ultimamente.” Eu sei que as mulheres têm sido a minha
perdição e a culpa é minha, pois continuo um pinga-amor. Está-me na massa do
sangue e não há nada a fazer! Acabo sempre vítima dos meus desmandos... Em
2006, como devem estar recordados, e para mal dos meus pecados, a Nelinha
apareceu morta, no Museu do Teatro, aquando do Convívio da Tertúlia da
Liberdade. Todo o mundo me acusou da sua morte. Um papel na mão da Nelinha,
machucado, dava a entender que fora eu. Nunca se veio a provar! E assim fui
preso, acusado e julgado, mas não fui incriminado, por falta de provas… Em
Setembro de 1999, atingi os 64 anos e reformaram-me compulsivamente da PJ.
Fui eu e mais três camaradas, entre os quais o Garçôa.
No último dia de trabalho, ia eu a sair do edifício, já no passeio, quando
alguém chocou comigo vindo em sentido contrário. Só quando entrei no carro me
apercebi que me tinha sido surripiada a carteira e, com ela, todos os
documentos… O meu colega Garçôa insiste em contar
uma versão divergente desta história. Mas quase que juro que tudo foi como
contei, a menos que os leitores não estejam de acordo comigo. Nesse caso, a
história muda de figura… Pois é, caros leitores! Tempicos
ao gritar que tinham morto o Marquês estava a ter mais um dos seus devaneios.
E Santi, honesto e solidário com todos, ficou
preocupado. E essa mesma preocupação transmitiu-a, descrevendo-a tal como a
sentiu, aos nossos leitores. Mas Tempicos é um
nosso velho conhecido. Gostamos dele. Mas às vezes ele exagera… Conclusão: Deslocámo-nos a Chamborg
e pesquisámos estes acontecimentos. E tivemos muitas surpresas. São estas
surpresas, para terminarmos o nosso final da novela, que damos conta aos
leitores. a – O Marquês Mendés-de-Chamborziac e Madame de Chamborg
reconheceram-se que eram duas almas gémeas e deram uma oportunidade um ao
outro. O amor voltou. Voltaram a viver juntos na mesma cama. Foram muitos
felizes. Ainda bem! b – Com a nova situação havia que expurgar
algumas ervas daninhas. Joseph d´Ambrósio e o Cónego Novenat
foram-se embora do Castelo de Chamborg. Joseph com
uma boa indemnização foi de vez para Maranello e agora é piloto de testes da
Ferrari, O Cónego Novenat deixou de rezar missa no
Castelo e foi pregar para outra freguesia. c – Frau Jeremein veio para Portugal para seguir estudos sobre o
Gótico. Fixou-se na Scalabis, naturalizou-se
portuguesa e ainda chegou a Ministra da Cultura. Deu subsídios generosos a
todos aqueles que se diziam que eram artistas de qualquer coisa. Deu tanto
dinheiro que levou o país à bancarrota. d – Kátinha Vanessa
entrou nesta novela muito forçada. Veio para Portugal e estabeleceu-se com
uma loja de flores, na Rua das Flores ali ao Cais do Sodré. A sua clientela,
na sua maioria são marujos yanques. Tempicos faz quartos de sentinela a ver a moça e recordar
tempos antigos. e – Finalmente soubemos que Arnéss
e Anarda apaixonaram-se e casaram. Passaram a ser, ele, jardineiro e
motorista e ela a governanta e ecónoma do Castelo de Chamborg.
Tiveram 18 filhos, metade rapazes e todos de alta estatura, com excepção do último que é muito pequenino. Mas este filho chegou
a Presidente de República e casou, em segundas núpcias com uma beldade
italiana que tinha sido modelo, cantora e compositora. f – Arnéss teve de
dizer “basta!”, porque senão a série continuava… Fontes: Blogue Repórter de
Ocasião, 20 de Setembro de 2026 TEMPICOS NO CASTELO DE CHAMBORG, Edições Fora da
Lei, Ano de 2011 |
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© DANIEL FALCÃO |
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