INTRÓITO

Uma iniciativa inédita nas páginas do Código Secreto

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EPISÓDIO 16.

A GRANDE BRONCA

Luís Correia

O silêncio que se fez em seguida só não foi de chumbo porque eu, passados os primeiros segundos, desatei à gargalhada.

Então que raio de terra era aquela, onde as notícias corriam como o vento, onde toda a gente sabia que tinha havido uma morte nas redondezas (que agora se verificava não ter acontecido com o corpo ali presente), em que, este, inclusivamente, se dera ao “luxo” de ir ao café-taberna da Aldeia, falara com o indivíduo mais conhecido do local, e sem que ninguém, mas mesmo ninguém, até ali, e tendo para isso várias oportunidades, dissera saber algo sobre o assunto ou sobre aprovável identidade e presença do “morto vivo”

– Só numa terra de doidos...! – disse já alto e quando a gargalhada acabou.

– Você está a pensar o mesmo que eu?! – quase gritou Matos Vargas com a voz irritada.

– Se está a pensar que há, nesta terreola, uma série de gente a jogar à defesa, então, estou a pensar o mesmo que você...!

Os olhos do Matos pareciam chispar, deu um soco forte na parede da sala e voltou-se para o cabo Seromenho que se tinha afundado numa cadeira.

– Você...! Você...! – depois, vendo os olhos atarantados do Seromenho, estacou, fez um gesto de desalento e, quase num murmúrio acrescentou: – Deixe estar… ao fim e ao cabo o parvo sou eu...!

 

Fontes:

Secção Código Secreto nº 231, 4 de Agosto de 1988

Blogue Repórter de Ocasião, 22 de Julho de 2026

 

© DANIEL FALCÃO