Autor Data Abril de 1979 Secção Enigma Policiário [37] Competição Taça
de Portugal em Problemas Policiários e Torneio Paralelo 2º Problema Publicação Passatempo [59] |
Solução de: ÓDIOS LONGOS… Constantino São elementos
de imputação do crime: Primacialmente: 1 – a) Se
Alfredo tinha o copo na mão direita, como o indicam as impressões digitais («…polegar,
indicador e médio da mão direita») não poderia, com a mão esquerda,
extrair o frasco do bolso do lado direito e – ainda com a mesma mão! – destapá-lo, tirar a cápsula, ingeri-la e voltar a pôr o frasco
no bolso. Isto porque,
admitindo que para tirar o frasco, com a mão direita, tivesse momentaneamente
largado o copo, ao voltar a pegar-lhe deixaria neste novo grupo de
impressões, que não apenas a dos três dedos, e isso não sucedia. 1 b) «O frasco não tinha impressões digitais».
Ora, se Gaspar
afirmou expressamente que «… tirou de
um frasco uma pequena cápsula (…)
voltando a colocar o frasco no bolso…», a contradição é evidente, já que
aquele, se tudo assim se tivesse passado, não poderia deixar de as
apresentar. Secundariamente: 1 – c) Se a
vítima apertou o copo na mão, como declara Gaspar, manifestando que Alfredo o
fizera com raiva, então existiriam mais impressões, e não só os três dedos. 2 – a) Se não
existe veneno na garrafa ou no copo, casos em que este poderia ter sido dado disfarçadamente
– porque não parece lógico que Alfredo recebesse voluntariamente a cápsula –
temos de concluir que lhe foi dado à força. Como? Gaspar era um homem grande,
abateu o rival com um golpe na nuca («…o cadáver apresentava uma esquimose na base do crâneo (…) produzida anteriormente à morte (…) mas não resultante da queda do corpo»)
– e quando este desmaiou deu-lhe a beber um pouco de whisky introduzindo-lhe
o veneno na boca. Limpou as impressões digitais próprias na garrafa, no copo
e no frasco, marcou as do morto, esquecendo-se porém de fazer esta operação
deste último. |
© DANIEL FALCÃO |
|
|
|