Autor

Hernâni Viriato

 

Data

Outubro de 1979

 

Secção

Enigma Policiário [43]

 

Competição

Torneio “Ubro Hmet"

4º Problema

 

Publicação

Passatempo [65]

 

 

MORTE NA NOITE

Hernâni Viriato

 

A noite estava serena, mas escura. Pesadas nuvens cobriam o céu e só aqui e ali tímidas estrelas piscavam maliciosamente. Um tiro veio rasgar a quietude da noite. Alguém cai agonizante. Dentro de minutos ouvem-se as sirenes e a escuridão é rasgada pelos faróis potentes dos carros da polícia.

A rua anima-se. O Inspector Brancardo e a sua equipa de técnicos preparam-se para esclarecer o mistério. A porta do prédio abre-se; o inspector entra e um guarda fica incumbido de conter os curiosos que entretanto surgiram alertados pelo aparato policial. Sobe ao 2º andar. Alguém espera com a porta entre-aberta:

– É o Inspector Brancardo?

– O próprio!

– O meu nome é Jorge Ribeiro. Fui eu que telefonei a informar do ocorrido, Foi na sala ao lado que se deu o acidente.

Dirigiram-se para o local do delito. Era uma sala bem mobilada. Em frente da porta uma janela ampla que dava para a rua.

A pedido do inspector, Jorge Ribeiro deu a sua versão do delito:

– «Eu e o João tínhamos ido jantar fora pois havia importantes problemas a resolver, relativos à nossa sociedade. Quando regressámos já só alguns pormenores estavam em suspenso. Dirigimo-nos para o escritório, a fim de redigir o novo contrato. Ele vinha à frente. Acendeu a luz, deu dois passos dentro da sala e – tudo ocorreu num repente – ouviu-se um tiro abafado, estilhaços de vidro e caiu morto. Por momentos fiquei paralisado, depois corri para a janela, espreitei, e ainda pude ver um vulto desaparecer no terraço em frente. Limitei-me então, não mexendo em nada, a telefonar à polícia.»

– Como se chamava o seu amigo? – João Bento, Sr. inspector!

– Está bem. Agora sente-se e aguarde durante uns momentos.

E o inspector foi observar o corpo. Concluiu, conforme o depoimento, que levara o tiro quando entrara na sala e que tombara quando as pernas vergaram sob o peso do corpo. Dirigiu-se depois à janela, mas com cuidado para não partir mais os vidros que estavam no chão e espreitou para fora, metendo a cabeça pelo buraco aberto. A rua daquele lado tinha aproximadamente 4 metros  de largura. Em frente um prédio de 1º andar com terraço e que ficava à altura da janela onde o inspector se encontrava. Um polícia foi investigar o prédio fronteiriço. Encontrou uma arma de fabrico clandestino, no terraço, sem impressões digitais, a que faltava a bala homicida e mais nada. Era um prédio em obras, desabitado e de fácil acesso a qualquer pessoa, mas o inspector já sabia o que pretendia!

 

Pergunta-se:

1º – A que conclusão chegou?

2º – COMO se teria passado este caso?

 

SOLUÇÃO

© DANIEL FALCÃO