Autor

Inspector Lima

 

Data

3 de Novembro de 1962

 

Secção

Página Policial [1]

 

Publicação

Correio do Ribatejo

 

 

FÉRIAS ESTRAGADAS

Inspector Lima

 

– Estas férias serão as melhores de sempre – disse o conhecido capturador de criminosos, voltando-se para os seus ajudantes. – Se precisarem de mim escrevam-me para o Lis – acrescentou.

– Mas façam o possível por não me estragarem a licença. Bem necessitado estou dela…

 

Quarenta e oito hotel depois algures em Lisboa, o Inspector Lima guardava o seu carro numa garagem.

Entretanto, quando dava instruções ao encarregado da estação de serviço, outro veículo veio estacionar junto à bomba de gasolina. Dele saltou um indivíduo alto, em camisa, que ao deparar com o Inspector deixou escapar um brado de incontida alegria. Era o detective-amador «Chicote» – como lhe chamavam – e seu amigo de há muito.

Os dois homens trocaram afectuosos cumprimentos, tendo o que havia chegado proposto ao companheiro que o acompanhasse. O outro cedeu, e, como acabara de chegar à capital, passou para o outro carro a sua bagagem, partindo ambos de seguida para o Ritz, onde «Chicote» estava hospedado.

Estava a terminar o jantar, quando um criado se aproximou com um telegrama para Lima, do teor seguinte:

ASSASSINATO RUA SEIS NUMERO 23 – INVESTIGUE – CAMPOS.

– Irra! Com tantos investigadores que há é a mim que chamam sempre! – explodiu o Inspector.

– Posso acompanhar-te nas diligências? – disse o outro, tentando acalmá-lo.

– Sim, podes. Oh! e eu que tanto desejara paz, pedi ao meu chefe, o Campos. que não me incomodasse, e o resultado foi este! Ainda há pouco cheguei, e já me metem num homicídio. Bem – acrescentou –, deixemo-nos de divagações e partamos sem demora. Vamos no teu auto. Como o crime foi hoje, ainda veremos «de fresco» o local da ocorrência.

O carro arrancou, dirigindo-se vertiginosamente para a morada fornecida. Meia hora mais tarde chegaram aos subúrbios da cidade, onde ficava a rua seis. O número 23, como constataram, pertencia a uma zona escura do bairro, pelo que tiveram de deixar acesos os farois do automóvel. Então, aberto o portão que dava para um quintal estéril, aproximaram-se da porta da moradia.

Estranharam não terem visto ainda ninguém, a não ser o guarda-nocturno, mas esse dois quarteirões atrás. E não havia dúvida de que a casa era mesmo aquela, segundo as referências dadas.

«Chicote» preparava-se para tentar abrir a porta, quando um grito do amigo o deteve.

– Alto! É uma armadilha.

Agindo rapidamente, o Inspector deu a volta ao prédio, tendo nas trazeiras do mesmo forçado uma das janelas, que cedera com facilidade. Ambos se apressaram a entrar (por a casa ser térrea a janela era baixa), encaminhando-se para a sala de entrada. Ali, ao iluminarem o interior…

– Tinhas razão! Esta espingarda está preparada para disparar automàticamente logo que alguem abra a porta. Alguém… que naturalmente serias tu!…

 

PERGUNTA-SE:

Como descobriu o Inspector Lima que o «crime» era apenas uma armadilha?

 

SOLUÇÃO

© DANIEL FALCÃO