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Autor Data Março de 1982 Secção Competição Problema nº 2 Publicação XYZ-Magazine [21] |
CRIME… OU TALVEZ NÃO Inspector Young O
inspector Young tomava o
pequeno-almoço enquanto lia no matutino preferido as devastações produzidas
pelas chuvas torrenciais e pela nortada forte que fizera durante a madrugada.
O telefone retiniu chamando-o para mais um caso de suicídio. Com o seu
ajudante apeou-se junto de uma vivenda moderna com fachada para o sul,
circundada por largas avenidas onde imperava o bom gosto e cuidado de
jardineiro competente. Recebido
pelo criado Thomaz que os introduziu numa sumptuosa sala, onde já se
encontrava Henry, que depois de se apresentar, declarou: –
Estava ainda deitado quanto Thomaz foi ao meu quarto dizendo que meu irmão
Charles estava morto, sentado à sua secretária. Levantei-me sobressaltado e
corri ao telefone para chamar a polícia. Não entrei nem consenti que ninguém
penetrasse no escritório pois podíamos comprometer as investigações inevitáveis
nestes casos de suicídio. Meu irmão instituiu a semana passada, sua herdeira
e com direito à gerência duma sociedade, sua afilhada Mary. Thomaz
disse: –
Como de costume fui levar o café a Mr. Charles,
bati à porta e como não respondessem, abri-a e não vendo o patrão fui ao
escritório, espreitei pelo buraco da fechadura e deparou-se-me aquele espectáculo monstro. Corri então a chamar Mr. Henry. A
uma pergunta do inspector. Thomaz declarou: –
Ontem, depois do jantar, eram 21 horas, introduzi no escritório, Mr. Hammer, sócio de Mr. Charles, e pouco depois quando passava para a
cozinha, verifiquei que os dois altercavam furiosamente por causa dos
negócios que corriam mal e ouvi distintamente Hammer
ameaçar de morte o meu patrão se não conseguisse a sua maneira de agir. Eram
costume estas discussões e por isso não liguei importância. Não sei a que
horas saiu Hammer, pois este já conhece o caminho e
não precisou de mim. Hammer,
afirmou: –
Cheguei aqui por volta das 21 horas e depois de tratarmos vários assuntos,
zangámo-nos por causa dum negócio que devíamos realizar dentro de poucos dias
e ao qual Charles não dava a sua concordância. Saí por volta das 23 horas,
não tendo chamado o criado por pensar já estar deitado e para mais conhecia
toda a casa. Negou a ameaça. Mary,
afilhada de Charles – que levava uma vida de boémia, frequentando «bars» e casinos onde se jogavam riquezas despretensiosamente
declarou: –
Cheguei a casa esta noite, excepcionalmente, era
meia-noite. Não dei por nada de especial, excepto
notar luz na casa do jardineiro, o que não é costume e andar este a vaguear
no jardim. Peter
– jardineiro – afirmou nada saber nem dar por nada, nem mesmo pela entrada de
Mary. Lamentou a morte do patrão apesar de ter sido despedido na véspera e
ficar na miséria com mulher e 5 filhos. O
médico legista determinou a morte entre as 23 e 24 horas. Depois de ouvir
todas as declarações o inspector dirigiu-se para as
traseiras, pelo corredor em cujo topo ficava o escritório e conjuntamente com
o ajudante tomou mais as seguintes notas: Charles estava sentado à secretária
numa cadeira de encosto. O corpo pendia sobre o lado direito assim como a mão
do mesmo lado que segurava a automática silenciosa. Na fronte direita um
buraco chamuscado provocado pela bala que o vitimou. Sobre a secretária,
documentos da sociedade, absolutamente arrumados e onde se constatava a má
gerência que Charles dava aos negócios. A única janela do escritório, em
frente da porta do corredor, estava aberta e na carpete, junto à cadeira de
encosto, alguns pingos de sangue. O cofre estava aberto e desaparecera o
testamento. E era tudo. Pergunta-se:
1º
– CRIME OU SUICÍDIO? 2º
– FAÇA UMA DEDUÇÃO LÓGICA. |
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© DANIEL FALCÃO |
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