Autor Data 16 de Novembro de 2016 Secção Publicação Audiência GP Grande Porto |
VAMPIROS DE PRATA Jartur “Vampiros de Prata” era o
nome da heroica esquadrilha que se exibia naquelas manobras militares,
efetuadas numa extensa região montanhosa… Durante a manhã, no decurso
dos exercícios, os aparelhos supersónicos sulcaram o céu em todas as
direções, desenhando, a velocidades incríveis, as mais arriscadas acrobacias. Incapazes de dar valor às
suas próprias vidas, os pilotos lamentaram sinceramente a morte do sargento
Barradas, cuja causa foi atribuída à temeridade dos jovens aviadores. O corpo caíra da alta
pedreira, quase verticalmente, parcialmente despedaçado, junto à base da
elevação de onde se despenhara. Com é costume fazer-se
nestes casos, foi aberto um inquérito para tentar apurar as causas do
sucedido. Com os depoimentos das testemunhas oculares, elaborou-se o
respetivo processo, de modo a encontrar-se a quem (ou a que) atribuir as
responsabilidades do incidente. O cabo Félix, única pessoa
que no momento do desastre se encontrava próximo do sargento Barradas,
afirmara aos inquiridores: – Nós estávamos a planear o
itinerário para o exercício da tarde, quando ouvi o ruído dos jatos.
Voltei-me imediatamente e, ao aperceber-me de que eles vinham na nossa
direção, no máximo de velocidade e a pequena altura, atirei-me ao solo,
gritando ao sargento que fizesse o mesmo. Ele, porém, não deve ter ouvido a
minha advertência e… foi projetado no abismo… Por sua vez, o major J.
Ramos, comandante da esquadrilha, declarara: – Efetivamente, nós picámos
várias vezes, na velocidade máxima, sobre o sítio da pedreira, mas
retomávamos altura sempre no momento conveniente, de modo a não fazer perigar
a nossa própria vida ou a de qualquer pessoa que se encontrasse no solo. É
muito estranho, pois, que o militar possa ter sido projetado pelo sopro de
algum dos nossos aparelhos… Quinze dias depois, em
Tribunal Militar, foi o caso dado por encerrado, tendo-se concluído que… Na sua opinião, qual a
conclusão que se poderá retirar deste caso? |
|
© DANIEL FALCÃO |
||
|
|