Autor Data Novembro de 1979 Secção Enigma Policiário [44] Competição 1º Problema Publicação Passatempo [66] |
Solução de: UM CRIME NO AÇOUGUE Jotelmar A
solução, embora talvez faça alguns «andar à nora», é
simples. Reportamos o nosso problema aos anos 20-21, porquanto nessas, algo
distantes eras, (e até ainda hoje) nos açougues clandestinos e processo de
abate era muito diferente do actual: enquanto hoje adoptam o processo eléctrico,
nesses tempos era mais simples: com a mão esquerda agarravam a «vítima» pelo
cachaço, levantavam-na um metro acima do solo, e com a mão direita munida dum
facalhão, enterravam-no no peito da rês, abrindo-lhe um profundo lanho do
pescoço ao estômago (até fazia lembrar os chinos a fazer Hara-Kiri diante do
palácio Imperial do Hiroito!). Ora, como todos sabem, os esquerdinos agem de
maneira completamente diferente: agarram com a mão direita, e a esquerda é
que desfere o golpe; mas isto não se dá apenas com uma faca: qualquer
esquerdino (salvo raríssimas excepções), empunha qualquer ferramenta duma maneira completamente
diferente do direito. A sorte esteve pelo lado do Sub-Chefe
detective, em encontrar apenas um esquerdino, que
lhe facilitou a descoberta. E porquê, o esquerdino? Pura e simplesmente
porque, atento o exíguo e acanhadíssimo espaço e atendendo a que voltado de
costas como estava a vítima, só um esquerdino teria espaço bastante para lhe
cravar o facalhão, o que não aconteceria com a mesma facilidade com um
direito. De igual modo, o detective notou, pela
maneira que a serviçal empunhava a vassoura, que não era esquerdina, pondo de
parte a hipótese de ter sido ela a «matadora». São os tais pequenos
pormenores que não falham a um detective que
se preza, embora amador, nem a este escrevinhador deste mal engendrado
problema. Experimentem! |
© DANIEL FALCÃO |
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