Autores Data 6 de Dezembro de 1996 Secção O Detective
- Zona A-Team [282] Publicação Jornal de Almada |
NA EXPOSIÇÃO FILATÉLICA Mabuse A
Lubrapex-84 que decorreu em Lisboa no mês de Maio,
fez convergir filatelistas portugueses e de todos os países de expressão
oficial portuguesa ao certame, que decorreu na Feira Internacional de Lisboa. Ali
se viam pavilhões
de Angola, Moçambique, Guiné, Brasil, etc., ao lado de outros de comerciantes
de selos, todos eles mais ou menos fornecidos com o mais diverso material. Um
dos milhares de visitantes que se deslocou à exposição,
foi o nosso conhecido Inspector Petronilho, que depois
de percorrer demoradamente todas as galerias dos dois pavilhões, se deteve
diante de uma vitrina, onde se viam sê-los clássicos de Portugal Continental
do período 1853-1899. Ali
estavam os D. Maria II de 1853, os D Pedro V com
cabelos lisos e anelados, as diversas emissões de D. Luís I com fita curva,
direita, de perfil e de frente, os “Jornaes” de
1876, os D. Carlos 1 de 1892/93 e outras séries deste mesmo rei, as
sobrecargas “Provisório” e as primeiras emissões comemorativas portuguesas,
tais como o centenário do nascimento do Infante D. Henrique, de Santo António
de Lisboa, e o descobrimento do caminho marítimo para a Índia por Vasco da
Gama. A série de Porteado desta última emissão também se fazia representar, O
Inspector Petronilho estava extasiado. Nunca vira tantas
raridades, qual delas a mais preciosa, juntas. E ali não existiam reimpressões;
eram todas peças originais. Começou
por se deter nos primeiro selos portugueses; apreciou
os D. Maria II com a sua impressão, em relevo, o 5 r.
vermelho das últimas impressões, o 25 r. azul claro em par novo, 50 r. verde-amarelado
e finalmente da filatelia portuguesa, o célebre 100 r. lilás
em quadra!!! Usada, mas não muito maculada pela obliteração. Analisou
seguidamente as peças de D. Pedro V com cabelos lisos e anelados, aquela com 5
valores e esta com 4, nas suas múltiplas variedades, desde os tipos dos
cunhos empregados até ao pormenor das pérolas soltas ou tangentes entre si e
a oval. Apreciou
devidamente alguns exemplares com defeitos de impressão, como pintas e falhas
devido a deficiências de cunho ou impressão e de surpresa em surpresa chegou
aos selos de D. Luís I. Acendeu
um cigarro e preparou-se para nova sessão de êxtase. As
emissões de D Luís I foram bastantes e foi no tempo deste rei que apareceram
as primeiras séries denteadas. Contudo a de 1862/64, não denteada, continha
todos os valores com as diferentes variedades e tipos de papel, alguns até com
dupla impressão. Lá estavam as variedades em papel liso, fino, médio e
espesso. O 10 r. amarelo laranja então, era um mimo para
a época. Perfeitamente centrado com margens muito largas, novo, deixava
apreciar em toda a plenitude a sua Beia impressão em relevo. Passou
à emissão de 1866/67, distinta na sua fita curva e múltiplos tipos de cunhos.
Relembrou o que lera em Castro Brandão e tão embebido estava na contemplação
que só se apercebeu do cigarro, já consumido, quando este o queimou. Desperto
para a realidade seguiu adiante para os D. Luís I de
1867/70, a primeira emissão denteada, em 121/2. Um par novo de 240
r. violeta claro, despertou-lhe de imediato a
atenção pela sua rara beleza, Contudo foi no D. Luís I de fita direita de
1870/76, que a emoção voltou a subir. Desde os duplos relevos do 25 r. carmim e 100 r. lilás, passando
pela dupla impressão do 150 r. azul, estavam lá os raríssimos
exemplares em denteado 11, comummente aceites como denteados fora da Casa da
Moeda, juntamente com os clássicos denteados 121/2, 131/2
e 14, ao lado dos ainda mais raros 5 r., 25 r. e 80
r. não denteados!!! Petronilho
não saberia dizer quanto tempo esteve a apreciar esta última série. Era um
ESPANTO. A
seguir vinham os “Jornaes” de 21/2 r.,
que talvez fossem a peça mais fraca daquela vitrina. Uma
olhadela mais rápida e andou. As últimas emissões de D. Luís I, já sem
relevo, não lhe despertaram tanto a atenção, embora se detivesse um pouco
mais no 50 r. azul em papel fino de denteado 121/2
na efígie de perfil e no 25 r. castanho com efígie
de frente, cuja relativa imperfeição da impressão e denteado muito irregular
de 111/2 lhe chamou a atenção. O
500 r. preto de 1884/87, com denteado de linha de 111/2
estava assinalado como clandestino ao lado de um espécime igual mas com denteado
121/2 de grade. Seguiu-se
D. Carlos I, mas aí, salvo raras excepções, já não
eram as tais preciosidades iniciais. Mesmo assim, apreciou bastante um 20 r. violeta azul, novo, em papel pontinhado.com o denteado de 121/2
e, nas sobrecargas “Provisório”, deteve-se nos célebres e conhecidos erros de
1863 e 1938 em lugar de 1893. Depois
foi a vez das primeiras emissões comemorativas portuguesas. Lado a lado, estavam
novos e obliterados com o carimbo especialmente feito para a emissão, os exemplares
do nascimento do Infante D. Henrique em denteado 14 e papel pontinhado. Novos eram também os exemplares do centenário
do nascimento de Santo António de Lisboa, em ambos os denteados conhecidos,
ou sejam o 111/2 ou o 12x 121/2, em papel pontinhado, tendo os exemplares de 15 r. e 20 r., litografados, as diversas variedades de impressão
de taxa. Finalmente
chegou à última emissão do século XIX: o centenário do descobrimento do
caminho marítimo para a Índia por Vasco da Gama. Os 8 exemplares estavam
expostos nos diversos tipos de denteado de linha entre o 131/2 e 151/2,
em papel pontinhado. A série de Porteado da mesma
emissão, em denteado 12, novos, em papel pontinhado
o de 5 r., 10 r. e 20 r. e
porcelana muito espesso o de 50 r., 100 r. e 200 r..
Aqui notou uma lacuna importante; não apresentavam exemplares obliterados com
os carimbos especialmente feitos para esta emissão. Paciência, pensou Petronilho. Pouco
depois saiu do pavilhão da Feira com uma sensação de angústia que aumentava
conforme o tempo ia passando; havia algo a despertar no seu sub-consciente, que lhe dizia não estar tudo tão perfeito
como julgara inicialmente. Mal chegou a casa foi consultar bibliografia que o
pudesse elucidar. A
angústia deu então lugar à frustração. As suas suspeitas confirmavam-se. Não
assinalados, existiam naquela vitrina 4 selos falsos expostos como
autênticos. E
agora, pergunta-se: com os dados do texto, diga quais são os selos falsos e
como chegou a essa conclusão. |
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© DANIEL FALCÃO |
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