Autor

Nove

 

Data

Maio de 2012

 

Competição

1ª Rapidinha Policiária

Rapidinha nº 1

 

Publicação

Edições Fora da Lei (TPL)

 

 

CRIME NA CASA AMARELA

Nove

 

O coronel Ferraz vivia com os seus dois sobrinhos, Carlos e João, numa vivenda chamada “Casa Amarela”, da qual fazia parte um vasto terreno que se estendia das traseiras da moradia até uma linha de caminho-de-ferro, que corria a cerca de 100 metros de distância.

Numa bela mas infeliz manhã de Maio, o coronel apareceu morto no seu escritório, uma divisão situada na parte da frente do rés-do-chão da “Casa Amarela”. Foi a empregada quem encontrou o corpo, cerca das 9h10, pouco depois de ter entrado ao serviço.

A polícia foi chamada e, pelas 10h20, chegou o Inspector Pereira, o agente Dias e o Dr.

Martins, médico legista.

Foi tudo examinado com cuidado. Concluiu-se que o coronel Ferraz havia sido atingido com um tiro na nuca, desferido a uma distância entre 0,5m e 1,0m e que a morte ocorrera entre as 7h45 e as 8h15. A cápsula do projéctil estava no chão do escritório mas a arma fatal não se encontrava lá. Não havia sinais de movimentação do cadáver.

O Inspector Pereira chamou a empregada e os dois sobrinhos para um primeiro interrogatório.

A senhora fora ao posto médico daquela povoação, onde estivera, segundo se comprovou, das 7h45 às 8h50.

O sobrinho Carlos declarou o seguinte: “Desci para o meu exercício matinal cerca das oito menos um quarto. O meu primo João estava a tomar o pequeno-almoço com o tio. Quando eu andava lá por baixo, na nossa quinta, perto da linha de caminho-de-ferro, ouvi um barulho, semelhante a um tiro, vindo do lado de casa. Estranhei o facto mas não lhe dei importância. Deviam ser 8h10 porque, no momento em que senti o tiro, estava a passar o primeiro comboio rápido da manhã, que costuma ser muito pontual. Regressei já depois das oito e meia e fui para o duche. Fiquei muito surpreendido ao ouvir os gritos da nossa empregada… tinha eu acabado de me vestir. Depois de ver o que acontecera telefonei de imediato para os senhores.”

O sobrinho João disse: “Vi o meu tio ao pequeno-almoço. Ele estava bem-disposto e encarregou-me de tratar de uns assuntos na cidade. Saí um ou dois minutos antes das oito. Fui primeiro falar com o empreiteiro com quem ajustámos o arranjo da garagem e depois desloquei-me ao nosso banco. Quando aí me encontrava, perto das nove e meia, telefonou-me o meu primo Carlos a dizer que o tio tinha sido encontrado morto no escritório. Por uns instantes fiquei sem fala. Recompus-me, pedi-lhe pormenores e vim logo para aqui.”

Após ter interrogado os dois sobrinhos o Inspector Pereira ficou satisfeito. O caso não parecia complicado.

Foi acidente? Foi suicídio? Se foi assassínio, quem o terá perpetrado? Justifique a sua resposta.

 

SOLUÇÃO

© DANIEL FALCÃO