Autor

O Gráfico

 

Data

Novembro de 1983

 

Secção

Cantinho da T.P.A. [2]

 

Publicação

Clube Xis [16]

 

 

O INSPECTOR RODRIGUINHO INVESTIGA EM FAMALICÃO

O Gráfico

 

A sala não era muito grande, formava um quadrado com quatro metros. O tecto estava pintado de branco e continha um enorme candeeiro a meio, sensivelmente na direcção da secretária que se situava no centro do compartimento. A cor da tinta das paredes não se via porque todas elas estavam cobertas de estantes, cheias de variados livros, desde o rodapé ate ao tecto. O insp. Rodriguinho vasculhou as estantes duma ponta à outra e apenas encontrou livros policiais, de ficção científica, dicionários, diversas obras literárias (todas de autores Portugueses) obras de consulta, etc.! A secretária onde se encontrava o corpo sem vida possuía seis gavetas, três de cada lado, ficando entre estas um vácuo onde o ocupante podia colocar as pernas e estendê-las. Lumafero, cumprindo uma indicação do inspector e depois de atirar a sua moedinha da sorte ao ar, para fazê-la cair no bolso do seu casaco, observou a meia dúzia das gavetas. As três do lado esquerdo estavam completamente vazias! Nem pó!! A terceira do trio, das do lado direito, a contar de cima, estava cheia com folhas brancas de formato A/4. A segunda guardava um carimbo com o nome do morto e respectiva almofada de tinta azul. E, a primeira gaveta servia para arrumações, contendo quatro esferográficas de cores preta, duas, verde e vermelha; três lápis, um ainda sem bico, algumas borrachas, um agrafador e alguns pauzitos de fósforo que, por casualidade, ali foram parar!

Antes de Lumafero tirar as devidas fotos ao cadáver que se encontrava sentado na cadeira pertencente à secretária e tombado sobre esta, o Insp. Rodriguinho, através de uma breve vista de olhos fixou tudo o que se encontrava na sala. Pouca coisa, além das estantes referidas, do candeeiro da sala, da cadeira e da secretária, apenas se via ao lado desta um cesto para papéis e, num dos cantos da sala, encostada a uma das estantes e em cima do soalho alcatifado, permanecia uma viola apresentando, como curiosidade, uma das suas seis cordas partida! Em cima da secretária (além da carta deixada pelo morto) estava um bloco de apontamentos com folhas lisas, um livro policial, uma agenda de 1983 e dois copos de vidro. Um destes estava vazio e o outro continha dois lápis de cera azuis e duas canetas de feltro igualmente azuis.

O morto, depois de exame minucioso à sua indumentária, possuía um lenço no bolso direito das calças e uma carteira com documentos seus num dos bolsos do casaco que vestia. Num dos bolsos interiores do mesmo casaco também se encontraram cartões de visita que pertenciam a si próprio. O corpo caído em cima da secretária apresentava duas perfurações de bala à queima-roupa, na têmpora direita, como se concluía de imediato devido as tatuagens das feridas. O braço esquerdo estava caído entre as pernas e o direito permanecia em cima da secretária tendo na mão dextra uma pistola automática. Entre a cabeça do morto e a mão direita estava a carta deixada pelo individuo! Uma folha com dimensões inferior ao formato A/4, com linhas a preto impressas e um texto dactilografado onde o sujeito dizia que se iria suicidar com a pistola, logo que terminasse a carta! No fim do texto a assinatura do morto, bem legível, graças à esferográfica de linha fina azul que utilizou.

Mais um suicídio, relataram os jornais de Famalicão. No entanto, o Insp. Rodriguinho e o seu ajudante Lumafero teriam outra opinião?!

 

PERGUNTAMOS:

1. – Pela apresentação dos factos acham que foi crime ou suicídio?

2. – Em face da resposta dada escrevam a vossa opinião.

 

SOLUÇÃO

© DANIEL FALCÃO