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Autor Data 17 de Janeiro de 2026 Secção Publicação Blogue Repórter de Ocasião |
MORTE NA TIPOGRAFIA O Gráfico Uma
cena indescritível, assombrosa, na realidade, esta que o Inspector
Rodriguinho viveu, quando foi chamado a uma Tipografia para, na companhia de
outras autoridades, presenciar e tentar desvendar o assassinato de um
Tipógrafo, Impressor, que tinha sido morto com uma grande chave de parafusos…
pontiaguda, cravada no peito, provavelmente no coração ou próximo do mesmo…!
O que era compreensível, à vista de todos os Médicos e Investigadores, é que
a morte não foi instantânea… pois a vítima, homem aparentemente de 60 anos…
conseguiu arrastar-se, antes de sucumbir, e derramar umas quantas latas de
tinta de impressão, de cor amarela, que estavam numa prateleira, a dois
palmos do chão, juntamente com outras de várias cores e, com a mão direita,
escreveu umas letras… quase sem significado de interpretação: Qaqortoq. Mas
que palavra tão misteriosa! Teria sido deixada alguma mensagem que indicaria
o autor de tamanha barbaridade, a morte do velho Tipógrafo? A mão direita do
morto estava ao lado da palavra com o dedo indicador coberto da tinta
amarela… enquanto a sua mão esquerda estava dentro de uma das latas de tinta
que tinha derrubado! O
Ajudante Lumafero, um inseparável apoio do Inspector Rodriguinho, não faltou à chamada… e pelo meio
dos presentes pisando aquele chão escuro acinzentado… lá ia raciocinando e
atirando a sua moedinha da sorte ao ar e recolhendo-a, após umas voltas, na
sua mão, até que a moeda lhe fugiu das mãos e foi cair… precisamente em cima
da tinta amarela derramada! -
Oh, que azar… há por aí petróleo… para eu limpar a moeda? Proferiu
o Lumafero enquanto se baixava para a apanhar e ao
mesmo tempo os seus olhos esbarraram com a palavra misteriosa e leu-a de trás
para a frente! Ficou na mesma! Um sentido, quase, inexplicável! “Que raio de
palavra”, pensou. Olhou, ainda, agachado, para
algumas das latas que estavam na prateleira no lugar onde as de cor amarela
tinha sido derrubadas e lá viu cores encarnadas, azuis, verdes e pretas,
entre outras e raciocinou porque razão o Super Mário teria escrito a palavra em tom amarelo e não
de outra cor…!? Cogitações que lhe iam preenchendo o cérebro. Tiradas
as fotografias da praxe e removido o cadáver para autópsia… registou-se que a
morte ocorreu durante a hora do almoço, entre as 13 e as 14 horas, quando
todos os Trabalhadores e Gerentes saíram para almoçar e o Super
Mário, como era o morto conhecido, ficara, como habitualmente, na Oficina,
pois levava lancheira e por ali degustava a sua refeição diária. O
Inspector Rodriguinho apurou que a alcunha de “Super Mário” tinha surgido porque o Mário Marmelo, o seu
verdadeiro nome e apelido, outrora, antes de se dedicar às Artes Gráficas
tinha sido Pescador de Bacalhau, nos mares da Gronelândia! Foi
perguntado ao pessoal da Tipografia se o Super
Mário tinha inimigos e a resposta foi pronta… -
Oh, se tinha… e muitos! Não se dava quase com ninguém! E
pelas conclusões tiradas… o Super Mário, sozinho,
na hora do almoço abriu o portão grande a alguém – que nunca estava trancado
– e foi vítima de um ataque mortífero com a tal chave de parafusos que, por
sinal, era ferramenta residente da Tipografia! Apuraram-se,
então, 4 suspeitos, para interrogatório posterior, indicados pelos
Trabalhadores e Gerentes da Oficina de Tipografia e que foram os seguintes: 1
– Joaquim Cacho, da Amareleja, que vendia fruta, especialmente bananas, ao
Mário Marmelo, mas que discutiam, quase sempre, os preços, porque o comprador
demorava a pagar, também conhecido por Quim, Quinito
e Quico. 2
– Júlia Latas, Empregada de Limpeza da Tipografia, adepta de futebol, do
Almada Atlético Clube e que já tinha acusado o Super
Mário de assédio sexual e não gostava dele… de maneira nenhuma! 3
– Zé Melão, um homem do Norte, Portista ferrenho, Vendedor de papéis para a
Tipografia que já tinha tido discussões com o Super
Mário… por este nunca lhe aceitar as encomendas que, por casualidade,
chegavam na hora do almoço! Odiavam-se. 4
– Joaquim Tinteiro, colega de trabalho do Mário Marmelo, também Impressor,
conhecido na Empresa Tipográfica como “O Médico”… porque acudia a todas as
avarias das máquinas e resolvia os assuntos com mestria e prontidão, facto
que fazia poupar muito dinheiro à Tipografia! O Super
Mário também se ajeitava nas reparações e, por isso, havia grande rivalidade
entre os dois e, por vezes, pegavam-se, mesmo, à pancada, nas horas de
trabalho! Dos
depoimentos prestados todas as pessoas interrogadas tinham justificações
sólidas e álibis válidos para aquela hora fatídica… (das 13 às 14) que
vitimou o Super Mário… pelo que o Inspector Rodriguinho e o seu Ajudante Lumafero tiveram, mesmo, de se debruçar horas e horas…
sobre o cenário do crime… para descobrir o assassino! Chegaram,
ambos, a uma conclusão óbvia… Mário Marmelo, de facto, homem muito
experiente, na sua vida, tinha-se “agarrado”, num último sopro de vida… às
latas de tinta amarela… para deixar uma mensagem que identificasse o seu
assassino…! E
você, caro leitor, é capaz de descobrir, também, quem foi o assassino? Tenha
bom “GOSTO” na decifração e justifique a sua conclusão! Não invente na
apresentação da sua “proposta de solução”… seja racional… para nos causar uma
boa impressão! |
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© DANIEL FALCÃO |
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