Autor

Paulo

 

Data

18 de Março de 2021

 

Secção

Policiário [63]

 

Competição

Torneio do Centenário do Sete de Espadas

Prova nº 2 – C

 

Publicação

Sábado [881]

 

 

O FALSO SUICÍDIO

Paulo

 

Como lhe dizia, senhor inspetor, o António chamou-me a casa dele. Mandou-me sentar e, sentado na sua secretária, disse-me que ia fazer um documento em que confirmava que me devia 100 mil euros. Eu disse-lhe que não precisava, que confiava nele.

O António não ligou ao que eu disse. Estava em frente ao portátil, mas não o usou, colocou uma folha branca na secretária e começou a escrever. Até foi rápido. Depois disse, já está. Pousou a caneta, abriu uma gaveta da secretária e só o vi de arma na mão a encostar o cano à cabeça e disparar.

Arlindo Salcedo lembrava as declarações da testemunha, Jorge Gomes, e o corpo da vítima tombado no chão. Um orifício na têmpora direita. A pistola caída, não muito longe da mão. Uma cápsula no chão do escritório.

Na mão de Arlindo Salcedo havia dois documentos: uma fotografia da secretária e uma folha com um texto onde António Reboredo assumia uma dívida de 100 mil euros a Jorge Gomes, assinada pelo primeiro. Na folha, a mesma que a fotografia registara em cima da mesa, podia ler-se, “Eu, António Miguel Sousa Reboredo, afirmo dever 100 mil euros (100.000) a Jorge Rui de Almeida Gomes, que me foram emprestados para eu realizar o negócio da Quinta Velha. 26 de Dezembro de 2020". Seguia-se a assinatura da vítima.

Ainda no local onde ocorrera a morte, Arlindo Salcedo não duvidou que precisava de efetuar umas perícias nas mãos da testemunha e da vítima para confirmar que se estava perante um homicídio perpetrado por Jorge Gomes.

Leia o problema, observe a fotografia da secretária e indique por que é que Arlindo Salcedo desconfiou de Jorge Gomes.

© DANIEL FALCÃO