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Autor Autor não identificado Data Julho de 1981 Secção XYZ-Policiário [10] Competição I Campeonato Nacional de
Problemas Policiários Problema nº 7 Etapa de Viseu Publicação XYZ-Magazine [14] |
ESQUECIMENTO PERIGOSO Autor não identificado Acontecera
há 6 horas, quando Augusto Belo ao entrar no seu gabinete, deparara com o
cofre aberto, cofre que se escondia atrás da uma pesada tela com alguns
traços de Picasso. O gabinete recebia o sol através de uma porta-janela que
se encontrava aberta e dava para uma larga varanda. No seu interior tudo
estava perfeitamente arrumado, excepto o pesado Picasso que taparia o cofre,
mas que agora estava no chão encostado à parede. Olhei em redor, tentando
descortinar algo que me proporcionasse uma pista segura sobre a identidade do
assaltante, porém nada encontrei. –
Parece incrível, mas só eu e a minha mulher sabíamos da existência do cofre
atrás do quadro e portanto acho estranho o ladrão ter dado com ele. Bem…
Aliás, o Manuel Santos também sabia da existência do cofre nesse lugar, pois
há três dias estive a pagar-lhe determinado serviço e como o quadro é muito
pesado, ajudou-me a tirá-lo e a colocá-lo. Hoje de manhã fui lá buscar uma
pequena quantia e por azar esqueci-me de repor o quadro, pois desta vez
arredei-o e ele ficou inclinado. Não sei que pensar, mas sempre julguei que o
Manuel fosse mais honesto. –
Calma, havemos de descobrir quem foi o ladrão – retorqui. Lentamente,
dirigimo-nos para o salão onde Augusto Belo dava uma pequena festa e portanto
onde havia numerosas pessoas. Não se podendo conter, o anfitrião dirige-se a
um indivíduo e interpela-o asperamente. –
Manuel, você é um asqueroso gatuno, roubou-me quando eu o julgava mais
honesto! –
Quem? Você está confundido. Eu não… –
Esperem. Quem o roubou fui eu, portanto deixem o meu irmão em paz. Instintivamente,
todos os rostos se voltaram para quem, num assomo de audácia pretendia livrar
o irmão de uma grave acusação, enquanto este abria a boca espantado. Para
terminar com as suposições, que iam crescendo dentro da sala, detive os dois
irmãos e abri um inquérito deveras trabalhoso. Passado
algum tempo, os dados estavam lançados e a jogada aparentemente não tinha
sentido. Nessa noite, a do assalto, alguém afirmara ter visto um vadio
rondando a casa e por coincidência duvidava-se da sua honestidade, já que
anteriormente assaltara uma cantina. –
Não fui eu… Eu apenas esperava abordar alguém que saísse para tentar obter
alguma comida, que há muito escasseia no meu estômago. Também não é verdade
que eu assaltei uma cantina para roubar dinheiro, mas sim para me servir da
comida que lá havia. Olho
minuciosamente os farrapos que cobrem o seu corpo, os sapatos esburacados por
onde espreitam os dedos dos pés, seu rosto gasto onde se pode vislumbrar as
privações que tem sofrido. Porém… fora observado com outros vadios numa
taberna embebedando-se, horas depois do assalto. Entretanto,
também estão perante mim os dois irmãos a quem olho detalhadamente. Carlos é
o mais velho, tem a mania do paternalismo, é impulsivo, arrebatado, costumando
andar na companhia de indivíduos pouco recomendáveis. A seu lado, Manuel é um
fraco, incapaz de sustentar o olhar das pessoas, apenas se sentindo à vontade
quando está sob a protecção de alguém, papel que seu irmão representa na
perfeição. Manuel:
–
Eu não assaltei ninguém porque estive em casa ouvindo um discos novos que me
enviaram de Inglaterra. Mandaram-me bastantes, até mesmo o álbum «At Budokan» dos, creio, B52, depois
segui até ao bar, encaminhando-me finalmente para o baile dado pelo Augusto
Belo. Parece incrível, mas não acredito que o meu irmão fosse o ladrão, porém
eu também não o fui. Olho-o
atentamente e reparo que Manuel não merece sequer o sacrifício do irmão, pois
a sua cobardia impedi-lo-ia de ter um acto semelhante. Carlos: –
Soltem o meu irmão, ele nada tem a ver com o assalto, porque fui eu que me
apoderei do dinheiro. Contraí uma dívida com uns indivíduos que são uns
patifes e arrancavam-me a pele se não lhes pagasse. Claro que foi fácil
trepar pela varanda, abrir a porta, retirar o Picasso que estava inclinado e
apoderar-me da massa. Depois só tive que ir a correr saldar a minha dívida e
livrar-me dessas carraças, portanto, soltem o meu irmão. –
Ora mas que belo trio, qualquer um deles merecedor de uns dias atrás das
grades. Interrompendo
os meus pensamentos, chega o relatório com as impressões digitais encontradas
no Picasso e o que eu calculava aconteceu. Bem explicadinho pelos peritos ali
estavam as impressões de Augusto Belo e Manuel, por isso e pelo que ouvi,
mandei soltar dois indivíduos e retive o outro que confirmou as minhas
deduções. PERGUNTAS
1
– Quem ficou preso? 2
– Exponha com minúcia o seu raciocínio. |
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© DANIEL FALCÃO |
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