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Autor Autor não identificado Data Agosto-Setembro de 1981 Secção XYZ-Policiário [11] Competição I Campeonato Nacional de
Problemas Policiários Problema nº 8 Etapa de Elvas Publicação XYZ-Magazine [15-16] |
O CASO DA MORTE DO MAGNATA Autor não identificado O
Inspector Lopes foi chamado porque apareceu morto no seu quarto o grande
magnata da indústria automóvel, Sir Henry Lane. Em
princípio, todos os ocupantes da casa atribuíram a causa da morte a um ataque
cardíaco, pois Sir Henry sofria, já há alguns anos, do coração; contudo o meu
chefe mandou-me averiguar e talvez confirmar… Ao
entrar fui recebido pelo sobrinho da vítima que me conduziu de imediato ao
quarto do falecido. Este encontrava-se deitado na cama, sem qualquer marca de
agressão, ou mesmo morte violenta. (Pelo menos, aparentemente, não se notava
nada). Sobre
uma mesa de cabeceira via-se um frasco quase vazio que, segundo o rótulo,
continha digitóxina; poderia ainda ver-se uma seringa e umas ampolas dentro
de uma caixa, que me disseram ser para a gripe, para acalmar as altas temperaturas
– o que pouco depois confirmei pelas indicações da caixa e das próprias
ampolas; no entanto, a caixa encontrava-se intacta, ou seja com todas as suas
ampolas… mas de qualquer maneira a seringa havia sido utilizada. Resolvi-me
interrogar todos os ocupantes da casa. Dora Lane
– Esposa da vítima – Sim, meu marido sofria do coração já há alguns anos;
ainda anteontem se comprou o remédio que ele anda a tomar conforme receita do
seu médico, que todos os dias lho ministra, exceptuando hoje, que telefonou
por não poder comparecer, mas que meu sobrinho, que é um bom médico, lho
poderia ministrar. Meu sobrinho, apesar de médico e de ser para nós como um
filho, visto que nunca tivemos nenhum, nunca quis ser o médico do tio
alegando que isso representava uma grande responsabilidade para ele e que o
actual médico de meu marido também era um grande médico, pois até fora
indicado por ele, e era na realidade uma pessoa competente para tratar de seu
tio. E foi assim que meu sobrinho, hoje, perto das 22H00, foi ministrar os
medicamentos a seu tio; levou da casa de banho os medicamentos habituais, ou
seja a caixa das injecções para a gripe, uma caixa cheia, e ainda o remédio
que comprámos ontem para o coração; levava também uma ampola que segundo ele
afirmou era para a gripe e que tinha restado da caixa anterior. Pelas
23H00 estava aqui a conversar com meu sobrinho e já prestes a ir deitar-me
quando oiço a criada aos gritos. Fomos ver o que se passava e encontrámos o
meu marido tal como está agora… Criada
– Pelas 22H00 o sr. Artur foi ao quarto do patrão para lhe dar os remédios,
pois eu vi-o ir pela escada acima para dar uma injecção no tio que se
encontrava com gripe e bastante febre. Na realidade, o sr. Henry já ao jantar
afirmara encontrar-se constipado e com febre, pelo que a seguir ao jantar
resolveu ir logo deitar-se, deviam ser 21H00; ele estava um pouco pálido, mas
nada fazia prever que viesse a ter um ataque logo depois de tomar os
medicamentos, pois quando entrei pelas 23H00 e chamei pelo patrão para lhe
perguntar se precisava de alguma coisa como faço todas as noites antes de me
ir deitar, ele já estava morto, pois por não obter resposta ao meu chamamento
entrei, aproximei-me e verifiquei que realmente estava morto. Corri
imediatamente a chamar a patroa e o sobrinho que estavam na sala a conversar.
Artur Lane
– Sobrinho da vítima – Sim, fui eu, hoje, pelas 22H00, que ministrei os
remédios ao meu tio, mais propriamente a digitóxina, e dei-lhe também uma
injecção, pois ele encontrava-se com muita febre; como tinha restado uma
ampola da outra caixa trouxe-lhe uma inteira que ficaria aqui para o caso de
vir a ser precisa e ministrei-lhe a que restara da caixa anterior. Ele
ficou a descansar e eu desci e estava a conversar com a minha tia quando a criada
apareceu aos gritos a dizer que o meu tio estava morto. Informaram-me
que os medicamentos estavam na casa de banho e aproveitei para dar uma vista
de olhos… Lá estavam o mercúrio, a água oxigenada, o algodão, o álcool e
ainda dois pequenos espaços que me informaram ser da digitóxina e das
injecções e que se encontravam agora lá em cima… Depois pedi para saírem,
pois tinha que fazer um teste, e logo que saíram debrucei-me sobre o caixote
e pus-me a ver o que continha… Ligaduras que haviam sido usadas, um bocado de
algodão que havia sido embebido em álcool e que continha ainda um vestígio de
sangue, alguns pensos rápidos que também haviam sido usados, e ainda uma
cápsula, vazia, onde pude ler noradrenalina e também a indicação 1,5 mg. Depois
saí, já tinha uma ideia do que havia acontecido, e voltando-me para os três personagens
atirei-lhes de cofre: «O Sr. Henry não
morreu de ataque de coração, foi assassinado!...» 1
– Quem matou Henry Lane? 2
– Explique pormenorizadamente o que aconteceu! |
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© DANIEL FALCÃO |
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