22 de Março de 1957. É publicado, na revista “Flama”, o 1º número da Secção “O Gosto do Mistério…”, orientada por Jartur – curiosamente, por lapso tipográfico, identificado como “Mr. Dartur”.

Domingos Cabral, com 15 anos completados recentemente, responde ao problema naquela inserido – “O Táxi Misterioso”, transformando, assim, em “casamento” o “namoro” que à modalidade vinha fazendo há algum tempo, através do contacto com a Secção do “Mundo de Aventuras”, de que era leitor há alguns anos.

Sabendo, por isso, que era habitual o uso de pseudónimo, e perante a dificuldade que sentiu na escolha, rápida, de um, acabou, por associação, por perfilhar o “Inspector Aranha”. É que, naquele problema, o investigador (Marcos Dias), concebido pelo Autor (Jartur), após resolver o caso, dirige–se para o “Clube do Aranhiço”. Escolha pouco feliz, de facto, já que ninguém inicia a construção de um edifício pelo telhado e o principiante começava, nada modestamente, por se designar “Inspector”… De qualquer forma, iniciou–se, assim, um longo caminho…

In Mundo dos Passatempos, 1 de Setembro de 2007

 

 

 

 

 

 

 

Correio Policial, 12 de Novembro de 2021

 

 

 

PRIMÓRDIOS DA PROBLEMÍSTICA POLICIÁRIA PORTUGUESA por DOMINGOS CABRAL (do livro com o mesmo título, a editar)

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3º PARTE – CICLO SECÇÃO “PROBLEMA POLICIAL” – DE A. ARAÚJO PEREIRA

 

SEMANÁRIO JUVENIL “O MOSQUITO”

 

CONSIDERAÇÕES:

 

Referimos, na passada semana, que os problemas desta série se caracterizavam por serem muito pequenos, ilustrados com gravuras (com raras excepções) e nem sempre merecendo, com rigor, a classificação de problemas policiais. Os dois que hoje reproduzimos comprovam o que então registámos: o nº 7 é, de facto, mais "um problema de observação e raciocínio, em que se exigia uma composição escrita que atribuísse à sequência de figuras uma história plausível", enquanto que o n° 8 cumpre a excepção referida de se tratar de um problema de características clássicas da problemística, isto é, "de texto corrido sem recurso a qualquer imagem " – todavia apresentando uma solução pouco consensual. Mas também já aqui dissemos que, com frequência, as soluções deixavam a desejar…

 

PROBLEMA N° 7

 

Três fotografias que foram submetidas ao raciocínio e à observação do nosso já muito célebre Inspector Rosan.

 

         

 

 

Que se passou?

Eis a pergunta a que os nossos detectives amadores, após alguns minutos de observação, deverão responder, para se habilitarem aos interessantes volumes de romances policiais oferecidos pela Livraria Clássica Editora.

O prazo para a entrega das soluções é de 15 dias.

 

PROBLEMA N° 8

 

Senhor Inspector, o director do «Star Club» telefonou avisando-nos que numa saleta do club foi encontrado o cadáver dum certo Leon White, que há 3 dias chegara do estrangeiro.

– Deve tratar-se dum suicídio, provávelmente devido a grandes perdas ao jôgo, pois segundo consta joga-se muito forte nêsse clube.

– Sim, mas dêsde que chegou, que White ganhava. Antes de têr entrado no gabinete onde o encontraram tinha ganho 25.000 francos. Encontraram o cadáver esta manhã às 10 horas.

Quando o Inspector Rosan chegou ao «Star Club», o corpo de White encontrava-se estendido de bruços, no meio do gabinete; a fonte perfurada por uma bala; ao lado uma pistola.

Rosan, utilizando um lenço, pegou cuidadosamente na arma, para não apagar possíveis impressões digitais.

– Procure o dinheiro no quarto enquanto eu examino a arma – disse Rosan. 

Ao pronunciar estas palavras tirou o carregador, levantou o gancho de segurança que estava travando a arma e extraiu a bala contida na câmara. 

– O desgraçado veste ainda o «smoking» portanto foi morto quando saiu da sala de jôgo. Não se trata dum suicídio, mas dum assassinato. 

Que facto levou Rosan a fazer tão grave afirmação?

 

SOLUÇÕES DOS PROBLEMAS

 

Nº 7

Numa praia, uma aventureira que se prepara para roubar um indivíduo com quem está tomando refrescos ao seu cúmplice por meio de um bilhete que tem na carteira e que pôs na cadeira da mesa ao lado, que aguarde o seu regresso.

O cúmplice fica aguardando a chegada da aventureira até à noite.

 

Nº 8

White não se podia ter suicidado, pois a pistola encontrada a seu lado estava travada.

 

NOTA – Na próxima semana, e apenas por um só número, será interrompida a publicação do Ciclo “Os Primórdios”. 

   

 

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Fontes:

Secção Correio Policial, 12 de Novembro de 2021 | Domingos Cabral

Blogue Repórter de Ocasião, 30 de Junho de 2026 | Luís Rodrigues

 

© DANIEL FALCÃO