22 de Março de 1957. É publicado, na revista “Flama”, o 1º número da Secção “O Gosto do Mistério…”, orientada por Jartur – curiosamente, por lapso tipográfico, identificado como “Mr. Dartur”.

Domingos Cabral, com 15 anos completados recentemente, responde ao problema naquela inserido – “O Táxi Misterioso”, transformando, assim, em “casamento” o “namoro” que à modalidade vinha fazendo há algum tempo, através do contacto com a Secção do “Mundo de Aventuras”, de que era leitor há alguns anos.

Sabendo, por isso, que era habitual o uso de pseudónimo, e perante a dificuldade que sentiu na escolha, rápida, de um, acabou, por associação, por perfilhar o “Inspector Aranha”. É que, naquele problema, o investigador (Marcos Dias), concebido pelo Autor (Jartur), após resolver o caso, dirige–se para o “Clube do Aranhiço”. Escolha pouco feliz, de facto, já que ninguém inicia a construção de um edifício pelo telhado e o principiante começava, nada modestamente, por se designar “Inspector”… De qualquer forma, iniciou–se, assim, um longo caminho…

In Mundo dos Passatempos, 1 de Setembro de 2007

 

 

 

 

 

 

 

Correio Policial, 26 de Novembro de 2021

 

 

 

PRIMÓRDIOS DA PROBLEMÍSTICA POLICIÁRIA PORTUGUESA por DOMINGOS CABRAL (do livro com o mesmo título, a editar)

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3º PARTE – CICLO SECÇÃO “PROBLEMA POLICIAL” – DE A. ARAÚJO PEREIRA

 

SEMANÁRIO JUVENIL “O MOSQUITO”

 

 

PROBLEMA N° 9

 

Encontrava-se o nosso Inspector Rosan na entrada do banco X em Nova Yorque conversando com um dos gerentes do banco. De súbito um dos empregados correu para o gerente participando-lhe que da tesouraria instalada no 80° andar tinham comunicado que uma senhora, de pistola em punho, os assaltara roubando 5.000 dólares, única importância que encontrara ao seu alcance e com a qual fugira.

O gerente não queria mandar fechar as portas, por furto tão insignificante e ainda porque temia que os seus clientes perdessem a confiança depositada num banco que com tanta facilidade se deixava assim roubar, não tomando as devidas precauções.

Rosan postou-se imediatamente na porta por onde fatalmente a criminosa teria que passar, pois não havia outra saída. A ladra teria que descer por um dos elevadores de desembocavam no “hall” da entrada. Mas, caso curioso, só homens saíam dos elevadores. Mas Rosan, apontando para um deles, gritou: – Prendam-no! É ela! Ainda que disfarçada de homem, mudança de vestuário que certamente fizera no elevador, qualquer pequeno pormenor a traíra.

Serão os nossos leitores capazes de, olhando para a gravura, descobrir onde está a ladra disfarçada?

 

PROBLEMA N° 10

(sem gravuras)

 

O proprietário dum restaurante tinha reparado que as suas garrafas de vinho se esvaziavam mais depressa do que seria natural em relação ao consumo. Evidentemente alguém bebia às escondidas.

Mas, como descobrir o culpado entre o grande número de criados e empregados que tinha ao seu serviço?

Uma manhã tinha aberto há pouco uma boa garrafa quando reparou que o vinho desaparecera.

Ao ver que o Inspector Rosan, seu amigo, entrara no estabelecimento, pô-lo rapidamente ao corrente do que acontecia.

Rosan imediatamente lhe deu um conselho em voz baixa.

O dono do restaurante mandou reunir numa sala todos os criados e... alguns minutos depois conseguia, com o conselho de Rosan, descobrir o autor dos furtos.

Que acha o leitor que lhe disse Rosan para fazer?

 

SOLUÇÕES DOS PROBLEMAS

 

Nº 9

A ladra disfarçada foi descoberta pelo Inspector Rosan por ter abotoado o casaco para a esquerda, como é hábito nas mulheres. Os jaquetões dos homens abotoam ao contrário.

 

Nº 10

O Inspector Rosan aconselhou o dono do restaurante a reunir os criados dizendo-lhes que o vinho estava envenenado. Ao receber de chofre esta notícia, o ladrão denunciar-se-ia, como de facto aconteceu.

 

CONSIDERANDOS

 

Como se constata, o problema nº 9 “era do tipo de problemas que, para a sua resolução, necessitam da observação duma imagem documental, que se trate de uma fotografia, ou de um desenho, pois só dali se retiram os pormenores denunciadores”.

O problema n° 10, “de curto texto, que desenvolvia um pequeno mistério doméstico, carecia duma solução simples, mas imaginativa”, e ela com ausência de gravuras a ilustrá-lo constitui também, precisamente por isso, uma das excepções desta série – por neste caso ser desnecessária, como se verifica.

De assinalar, apenas por mera curiosidade, que estes dois problemas registaram a recepção de 220 respostas, entre as quais a de um concorrente identificado pelo nome de Carlos Ary dos Santos – eventualmente familiar de José Carlos Ary dos Santos, “famoso poeta português, criador de excelentes poemas para música”. 

   

 

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Fontes:

Secção Correio Policial, 26 de Novembro de 2021 | Domingos Cabral

Blogue Repórter de Ocasião, 15 de Julho de 2026 | Luís Rodrigues

 

© DANIEL FALCÃO