Autor

Inspetor Fidalgo

 

Data

12 de Novembro de 2020

 

Secção

Policiário [45]

 

Competição

Torneio Sábado Policiário 2020

Prova nº 10 – Parte II

 

Publicação

Sábado [863]

 

 

O INSPETOR FIDALGO FOI À ESCOLA…

Inspetor Fidalgo

 

O Inspetor Fidalgo olhou para os alunos e começou a narração do caso que pretendia que eles decifrassem:

A data do cortejo aproximava-se e cada um estava ocupado na feitura do melhor disfarce, para poder brilhar no desfile.

Não era uma época que agradasse muito ao André, farto de andar a fugir às partidas dos outros, algumas de muito mau gosto, como banhos em cima de farinha ou ovos podres, muito mal cheirosos. As tradicionais bombas e estalinhos, apesar das proibições, também faziam parte do rol.

Mas como todos se afadigavam para que o divertimento acontecesse, o André lá ia participando e no canto da arrecadação, longe dos olhares, ia aprontando o fato com que iria desfilar e disputar os prémios aos restantes.

A arrecadação situava-se no extremo de um pátio de boas dimensões, onde se erguiam quatro esplêndidas figueiras que faziam as delícias de todos por produzirem uns figos doces e suculentos, desde sempre um ex-líbris da quinta.

Do outro lado do pátio, ficava a casa, uma mansão enorme, com muitas janelas alinhadas em dois pisos.

No piso de baixo situavam-se as salas, biblioteca e, na parte traseira, as cozinhas enormes. No piso de cima ficavam os quartos, tantos que até cansava contá-los.

O dia estava soalheiro, mas o frio apertava, com um vento gélido a soprar da serra, quando o André deixou a companhia da Rita e do Afonso, para dar mais uma saltada à arrecadação e fazer mais uns ajustes na sua vestimenta. Tinha a certeza que ia arrasar no desfile, ninguém poderia ter uma ideia como a sua!

O grito ecoou pelo pátio e estendeu-se pela serra longínqua, alertando os residentes, que acorreram à arrecadação de onde os gritos vieram…

O André estava destroçado. Apesar de não gostar da época e dos festejos, pôs uma grande parte de si na execução da vestimenta e agora nem queria acreditar no que via: o fato rasgado, cortado com uma faca ou instrumento ainda mais cortante, completamente irrecuperável.

A Rita e o Afonso chegaram muito rapidamente, talvez rápidos demais, como se já soubessem ao que iam.

Muito mais tarde, apareceu o Daniel com a Camila, perguntando porque era tanto o barulho e a gritaria.

Todos aparentaram ficar consternados com o acontecido, mas certamente que um deles fora o causador da destruição.

A Rita revelou que não fazia a mínima ideia que o André estava a preparar um disfarce, até porque sabia muito bem que ele não gostava dessas coisas.

Acabou por confessar mais tarde que já lá tinha ido espreitar porque da janela do seu quarto viu o André entrar e sair algumas vezes da arrecadação e teve curiosidade, mas não fez nada de mal, só viu, nada mais.

O Afonso disse que não imaginava o André numa dessas e só acorreu porque veio a seguir a Rita, que estava com ele na sala, na altura dos gritos. Não sabia nada.

O Daniel começou por meter os pés pelas mãos, mas acabou por confessar que o nervosismo era por estar a namorar com a Camila na biblioteca, longe dos olhares indiscretos e nem ele nem ela queriam que se soubesse. Revelou que não tinha feito nada, nem sabia que o André estava a fazer aquilo.

No entanto, afirmou que viu da janela do seu quarto, que fica mesmo em frente da porta da arrecadação, a Rita, logo após o almoço, esgueirar-se muito rente ao edifício da arrecadação, com um objeto na mão, parecido com um x-ato, mas não conseguiu ver onde entrou por causa das copas das árvores, mas como não a viu continuar, quase de certeza que entrou na arrecadação. Não a viu sair porque foi ter com a Camila.

A Camila corroborou o namoro escondido, mas negou que soubesse que o André estava a fazer o disfarce na arrecadação, até porque tinha quase a certeza que ele não ia fazer nada. Ficou surpreendida…

Todos ficaram calados. Afinal pouco havia para dizer. O André estava inconsolável; o Afonso nem sabia onde se havia de meter; o Daniel parecia ser o menos afetado e trocava olhares e alguns carinhos com a Camila; enquanto isso, o queixo da Rita tremia, com manifesto mal-estar…

O André respirou fundo e disse: Sei quem foi. Estou dececionado porque trabalhei muito para isto, mas também não adiantava mostrar-me com o disfarce, porque não seria eu a estar ali…

Fidalgo parou durante um longo minuto, ganhando fôlego e aproveitando para olhar cada um dos alunos. Sentiu que perceberam a história e estavam prontos para dar a resposta…

 

A – Foi a Camila.

B – Foi a Rita.

C – Foi o Afonso.

D – Foi o Daniel.

© DANIEL FALCÃO