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VI Convívio da Tertúlia Policiária da Liberdade Informações Complementares aos Concorrentes Fase Preparatória do Futuro Grande Romance 0. – CARTA DE
MARY LOU À TPL | A. Raposo 1. – PRIMEIRA
CARTA DE NELINHA | Zé 2. – CARTA DE
KÁTINHA | Arnes 3. –
TEMPICOS PODE SER ALDRABÃO, MAS DE FORMA NENHUMA SERÁ MENTIROSO! | A. Raposo 4. – VOX POPULI
| Onaírda 5. – HAJA DECORO
E FALE-SE VERDADE. HÁ QUE ENTERRAR OS MORTOS E CUIDAR DOS VIVOS | Nove |
CAPÍTULO 3. TEMPICOS PODE SER ALDRABÃO, MAS DE
FORMA NENHUMA SERÁ MENTIROSO! A. Raposo
Aliás qualquer
policiarista, por mais “batata” que seja
descobriria que aquela forma de escrita não é a minha. Eu andei em curso de
escrita criativa. Aquilo parecia uma redacção de menino
de instrução primária! Nada do que lá
está foi por mim escrito e alguém (quem será?) andou a conspurcar o meu
bom-nome (lá se vai o crédito na banca!) e, pior que tudo a fazer de mim um
salafrário de um assassino de mulheres ricas e ainda ladrão de jóias. Nunca roubei
broches, colares, gargantilhas ou outros adereços de valor. As mulheres
oferecem-me! Não tenho a culpa de ser apaparicado. Não digo que não. Não sou
pobre e mal agradecido. Receber ofertas de mulheres não é à partida
crime, nem me provoca urticária. Nem se pode inscrever esse gesto na
categoria das ofensas à honra. As mulheres gostam de me ser agradáveis,
porque eu também sou simpático e dou-lhes prazer. Não cobro nada. Estamos
quites. Toma lá dá cá. E seguimos nossas estradas. El camiño se hace caminando. Não conheço a
Praia do MECO para onde dizem que fui atrás de uma viúva. Atenção: Tenho
o maior respeito pelas viúvas. Aos Domingos faço muito os cemitérios da
cidade e algumas vem chorar no meu peito. Acarinho-as porque sei que elas precisam
de mim. Já não tem neste mundo quem o possa fazer. A quantas tenho dado o
calor dos meus braços sem nada em troca receber. Sou um doador de carinhos. Conheci a
Nelinha (a mana da Mary Lou) e estive com ela em
muitos Carnavais. Era uma boa “chicha”. Eu sempre a
tratei como se fosse um néctar voluptuoso. Com ela
adivinhava-se um longo e excelente final de boca a boca. E como diria o mais
modesto dos enólogos, ela era a combinação equilibrada que tinha em si um
enorme potencial de envelhecimento. Na sua genética tinha várias castas. Recordo os
seus taninos, de sabor a frutos vermelhos, como papoilas saltitantes. Um
sagrado local de repouso de guerreiro. Mas, durou e foi bom enquanto durou. A Mary Lou não conheci. Essa foi para os States
muito novinha e por lá singrou na Broadway. Nunca a vi mais gorda. Nunca fui
com ela para a cama. Não tenho preconceitos e se tivesse ido dizia. Agora não
quero a fama sem ter o proveito. A esta
distância começo a pensar no que sucedeu. Em 2008 a Nelinha apareceu morta (assassinada?)
no Museu do Teatro, em Lisboa. Também me tentaram meter ao barulho mas acabei
ilibado por falta de provas. Agora meteram-me nesta alhada. Alguém anda a
perseguir-me e a tentar que eu vá para o chilindró. Quem será? Eis o grande
mistério que me persegue. Ajudem este pobre de Cristo a safar-se da “grelha”.
Um inocente! Vosso, Detective Tempicos Fontes: Blogue Repórter de
Ocasião, 11 de Janeiro de 2026 MARY LOU, MARY LOU
– Onde estavas tu?, Edições Fora da Lei, Ano de 2010 |
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© DANIEL FALCÃO |
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