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VI Convívio da Tertúlia Policiária da Liberdade Informações Complementares aos Concorrentes Fase Preparatória do Futuro Grande Romance 0. – CARTA DE
MARY LOU À TPL | A. Raposo 1. – PRIMEIRA
CARTA DE NELINHA | Zé 2. – CARTA
DE KÁTINHA | Arnes 3. – TEMPICOS
PODE SER ALDRABÃO, MAS DE FORMA NENHUMA SERÁ MENTIROSO! | A.
Raposo 4. – VOX POPULI
| Onaírda 5. – HAJA DECORO
E FALE-SE VERDADE. HÁ QUE ENTERRAR OS MORTOS E CUIDAR DOS VIVOS | Nove |
CAPÍTULO 2. CARTA DE KÁTINHA Arnes
Como sabem,
fui adoptada por uma família da Trofa. Família
séria, integraram-me com muito amor, muito carinho, mas
o problema foram os princípios de vida que se regem. Seriedade é o
pequeno-almoço, integridade a refeição principal e ao jantar é um prato de
honestidade. Confesso que de início gostei, mas com o passar do tempo,
comecei a enjoar. Dizia a minha
nova mãezinha que o que é bom, ou é pecado ou engorda, mas eu descobri que ir
para o céu, não é o meu principal objectivo, quero
o paraíso na terra, (não o fiscal, mas o outro) quero estudar "anatomia
prática" até à exaustão, porque teoria, essa já os meus padrinhos a
tinham. Falavam, falavam, falavam, mas na hora H… adormeciam e eu continuava
"alva" como a neve. Escondi da
minha nova família a encomenda recebida e preparei tudo. Esta noite vou
fugir, com as poupanças do mealheiro conjunto, que mesmo em tempos de crise
está recheado e na bagagem este belo colar que me renderá uns trocos em caso
de extrema necessidade. Não vou falar a ninguém desta minha herança, senão
imaginem… se matam por conta de uma estatueta comprada no Chinês da esquina,
o que não farão por um colar, digno de qualquer Rainha. Vou despedaçar
o coração da minha mãezinha adoptiva, pois a seus
olhos sou uma menina pura e ingénua, muito caluniada pelos devassos que me
levaram à Pia Baptismal. Queria que eu estudasse
para garantir o meu futuro, para ser alguém na vida, mas eu cheguei à
conclusão que não preciso tirar um curso. Descobri com a
carta a minha vocação, parece que já é de família. Bem que as minhas
entranhas clamavam por acção. Tenho que dar
continuidade à tradição familiar e subir na vida deitada. Encontrar um tanso com uns trocos, que em troca de umas cambalhotas, me
dê casa, mesa e roupa lavada, quem sabe alguém com influência na TV que me
consiga um papel nos "Morangos com chantilly", ou até no "Fama
slow" a substituir aquela pindérica que nem português falava e foi para
Madrid atrás do Flores, que foi um cacto no meu
Benfica. Renuncio ao
enorme esforço de receber um canudo, por este caminho posso ter quantos
quiser. De todas as cores, tamanhos e feitios. Vou sair de madrugada, quando
todos dormirem e vou directa para casa de um dos
meus padrinhos. Já me rio só de pensar na cara de espanto que vai fazer,
enfiado no velho roupão e a arrastar as pantufinhas em formato de gatinho. Vai acolher-me
de braços abertos, só ele e Deus saberão o que lhe irá na cabeça, mas o que
lhe vai acontecer, isso fica entre mim e os meus botões. Preparem-se… A
inocente de pipo cheio vai desaparecer, a loira e curvilínea Katinha está de regresso e mais "fera" do que
nunca. O Padrinho
escolhido? Bem, isso saber-se-á no próximo capítulo. P.S. Para a
minha mãezinha adoptiva: Tem razão minha querida, a
sua Katinha está mesmo a pensar ir para os "estates", procurar a Mary Lou
e quer ser astronauta… (Tadita tem um coração puro
de maldades e vai ser a única profissão que lhe vai ocorrer, que eu possa
seguir na Horizontal. Pelo menos na descolagem!) Fontes: Blogue Repórter de
Ocasião, 4 de Janeiro de 2026 MARY LOU, MARY LOU
– Onde estavas tu?, Edições Fora da Lei, Ano de 2010 |
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© DANIEL FALCÃO |
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